Pista livre para vôo solo de Frejat

Publicação: 2017-06-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Veterano do rock nacional, o cantor, compositor e guitarrista Frejat está na ativa desde 1981, quando montou o Barão Vermelho, ao lado do amigo Cazuza. O primeiro disco da banda a fazer sucesso foi “Maior Abandonado”, em 1984. O trabalho rendeu uma participação no Rock in Rio do ano seguinte, mesmo ano em que Cazuza deixava o grupo para se lançar na carreira solo. Com o revés, Frejat assumiu os vocais, o que fez até o início de 2017, quando anunciou seu afastamento por completo do Barão Vermelho – em seu lugar entrou Rodrigo Suricato. Agora o artista vem se dedicando aos projetos individuais, como o show em formato voz e violão, que apresenta neste sábado (17), às 21h, no Teatro Riachuelo.

De acordo com Frejat, a saída do Barão Vermelho foi a decisão mais sensata a ser tomada devido às diferenças de pensamento em relação à banda. “Tínhamos diferenças de visão quanto à condução da carreira da banda. Como eu pensava diferente dos outros, achei que a melhor coisa era deixar eles seguirem em frente fazendo como gostariam”, explica o cantor carioca em entrevista ao VIVER. “Não me daria nenhuma alegria ou prazer impedir o desejo de pessoas que gosto e com quem compartilhei momentos preciosos da minha vida”.

Para Frejat, plataformas de streaming vão dominar, mas “remuneração precisa melhorar”
Para Frejat, plataformas de streaming vão dominar, mas “remuneração precisa melhorar”

Depois do primeiro disco, “Amor pra Recomeçar”, de 2001, Frejat lançou só mais dois discos de inéditas: “Sobre nós dois e o resto do mundo” (2003) e “Intimidade entre estranhos” (2008). Agora, fora do Barão Vermelho, o artista está com caminho livre para investir em sua carreira solo. “Pretendo lançar em breve duas novas canções. Estou no meio do processo de gravação delas e muito animado com os resultados. Logo, logo, estarão em todas as plataformas digitais”, afirma.

Lançar músicas soltas ao invés de discos tem sido a preferência de Frejat. Seu último álbum lançado foi “Intimidade entre estranhos”, de 2008. Desde então ele vem soltando músicas inéditas esporadicamente, como “O Amor é quente” e “Me perdoa”, ambas de 2013. Em 2016, nova leva de inéditas: “Mais do que tudo”, parceria com Alvin L., que compôs com Frejat o sucesso “Homem Não Chora” do álbum “Amor Pra Recomeçar”, “Na Sala de Espera do Paraíso”, parceria com Leoni, e “Você Vem”, com Chacal.

Em outras entrevistas ele chegou a comentar que não se via mais lançando um disco de inéditas, porque, para ele, o formato não é mais consumido pelas pessoas que partiram para as plataformas digitais. O músico acredita que o padrão de plataformas de streaming vai se consolidar cada vez mais. Mas pondera: “se a remuneração não melhorar, muitos artistas não conseguirão sobreviver do seu trabalho”.

“Isso não é um exagero, as gravadoras apontaram o negócio para um caminho suicida e elas são capazes de matar sua galinha dos ovos de ouro. Quando falo gravadoras não me refiro às filiais delas que operam no Brasil (Sony, Warner e Universal) e sim suas matrizes, pois estão tentando impor ao mundo inteiro acordos firmados nos EUA e isso é muito negativo, tanto que os artistas europeus e de outros continentes estão em pé de guerra e nós estamos nos juntando a eles”, argumenta o cantor. “Quando cair a ficha dos artistas americanos, e já está quase caindo, isso pode mudar pra melhor”.

Rock conhecido pela aproximação com o pop e com a MPB, Frejat está atento a atual cena musical brasileira. Do que viu nos últimos anos e lhe agradou tem a banda de rock sergipana The Baggios e a Amarelo Manga, banda do seu filho Rafael. “Mas em casa escuto varias coisas, como Jacob do Bandolim, Novos Baianos, Céu, Terno, Jorge Ben”, cita o tranquilo cantor carioca.

Show intimista
Apesar de ser considerado uma das figuras essenciais do rock nacional, Frejat está em Natal para mostrar um show com pegada diferente. No palco, nada de guitarra. A apresentação será intimista, no formato voz e violão. No repertório, ele passeia por sucessos de sua carreira artística, seja no Barão Vermelho ou nos trabalhos solos. Há também espaço para canções de artistas que ele sempre gostou de ouvir, como “Trocando em miúdos”, de Chico Buarque e Francis Hime, e “Carpinteiro do universo”, de Raul Seixas e Marcelo Nova.

“Esse é um show intimista e muito autoral que só faço em teatros. É um contraponto do que faço com banda. No repertório tem músicas de sucesso e canções que nunca toquei, ou raramente toquei, com minha banda e com o Barão Vermelho”, comenta Frejat. A temporada nacional do show começou no Rio de Janeiro, no dia 8 de junho, e se encerra no dia 18, no Recife.  

Serviço

Show “Frejat voz e violão”
Dia 17 de junho, às 21h
Teatro Riachuelo
Ingressos: R$ 60 (frisas 3, 4, 5, 6 – meia: R$ 30) e R$ 180 (camarotes – meia: R$ 90)


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