Pitty volta à ativa e celebra parceria com Elsa Soares

Publicação: 2017-08-08 00:00:00 | Comentários: 0
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João Paulo Carvalho/AE

Pitty está de volta. Após ficar um ano longe dos palcos para cuidar da pequena Madalena, fruto de seu relacionamento com o marido e baterista do NX Zero, Daniel Weksler, a cantora baiana de 39 anos lançou a primeira música inédita após seu período de licença-maternidade. Na Pele foi gravada em parceria com a cantora Elza Soares e está disponível em todas as plataformas digitais. Nesta segunda-feira, a artista lançou o videoclipe de Na Pele. O vídeo faz uma homenagem à trajetória de Elza, com uma colagem de vários momentos da carreira da veterana, desde a década de 1960, incluindo imagens de apresentações, capas de discos, sua relação com o samba e até menções ao jogador Garrincha (20/1/1983). Nesta entrevista, Pitty falou sobre o retorno à música, machismo, homofobia, preconceito, maternidade e o atual momento do rock nacional. "Lidei com as estranhezas de ser uma mulher à frente de uma banda com um som pesado, contrariando o cansado estereótipo de som de menina ou a figura batida da diva. No começo, portanto, eu via muitos olhares desconfiados", afirmou a cantora.  Leia trechos da conversa.

Em Na Pele, gravada com Elza Soares, você fala sobre empoderamento feminino. Como a letra dessa canção foi escrita?
O empoderamento feminino não é, necessariamente, o único assunto de Na Pele. Essa música fala também sobre o tempo, as vivências e a bagagem que a gente vai juntando e que nos forma. A letra traz essa metáfora da água sendo o tempo, que, ao longo da vida, cava leitos de rio na pele. Quando escrevi a canção, senti que ela não fazia parte do Setevidas, meu último disco de estúdio. Guardei, como faço com algumas composições. Acho que as musicas têm a hora certa de virem à tona.
Pitty volta à ativa e celebra parceria com Elsa Soares
Como surgiu a ideia de gravá-la com Elza Soares?
Na verdade, foi ela que quis que gravássemos juntas. Fiquei imaginando que essa letra, que é muito densa, tinha de ser entoada por uma voz igualmente densa. Mandei a música para ela. A Elza fez a proposta, o que me deixou muito feliz. Cada frase dessa letra tem a ver com a história da Elza Soares. Fiz essa música para ela, no fim das contas. Eu só não sabia disso naquele momento (risos).

O Brasil ainda é um país machista, homofóbico e preconceituoso?
Houve avanços, sim, principalmente porque existe a internet e as redes sociais que são ferramentas que democratizam a comunicação, para o bem e para o mal. Hoje, é possível se manifestar e fazer barulho a respeito de vários assuntos sem estar necessariamente atrelado a um veículo de mídia tradicional Temos visto muitas manifestações nesse sentido. Falta irmos mais além no combate das violências, do machismo, da homofobia, na proteção da população mais vulnerável. Tem de ser já, por que quem sofre tem pressa.

Como foi sua volta aos palcos depois do período de licença-maternidade? Há previsão para o próximo disco de estúdio?
Foi intenso, um período de reflexão e reencontro comigo mesma. Voltei aos palcos no João Rock, que é um festival gigantesco em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ainda estou me reorganizando e abrindo brechas para escrever. Quando sentir que tenho um disco, gravo.

Da última vez que conversamos, em 2014, você disse que o rock estava despertando de um período sonolento e que ainda viria muita coisa boa nos anos seguintes. Como você analisa isso hoje em dia?
As coisas estão muito rápidas, cada vez mais efêmeras, com essa história de mídia digital, streaming, etc. Cada dia tem dez links de coisas diferentes, discos, clipes, singles. O lance é estabelecer um filtro, porque não dá para ver tudo, né? Ainda estou esperando ser arrebatada por um disco de rock.

O que mudou na sua vida desde que sua filha, Madalena, veio ao mundo em agosto de 2016?
Mudou tudo. A rotina, as prioridades, o sentimento. Os medos, a descoberta do amor incondicional por alguém.

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