Planalto vai trocar líder na Câmara

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
BRASÍLIA – O deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO) afirmou que vai deixar a liderança do governo Jair Bolsonaro na Câmara. Ele será substituído pelo ex-ministro da Saúde, deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), que integra o Centrão, grupo de partidos do qual o Palácio do Planalto se aproximou nos últimos meses. 

saiba mais

O líder afirmou que foi comunicado pelo presidente na semana passada. A troca será oficializada na próxima terça-feira, 18. Ontem, Barros já participa de uma reunião com Bolsonaro, ministros e líderes no Palácio da Alvorada.

“Desde a semana passada, o presidente vinha sinalizando para mim que gostaria de fazer uma mudança na liderança. Ele fez uma nova avaliação de cenário em função dos novos desafios que vão ser colocados agora, como as reformas que terão que ser aprovadas, e ele decidiu  fazer a mudança”, disse Vitor Hugo.

O cargo de líder do governo na Câmara é importante por ser a ponte entre o Palácio do Planalto e os parlamentares. É o líder, por exemplo, quem orienta a base aliada durante as votações, dizendo se o governo apoia ou rejeita os projetos em discussão. 

Apesar de deixar o posto, Vitor Hugo afirmou que segue na base do governo. “Eu vou continuar sendo um apoiador do presidente na Câmara e vou estar à disposição do presidente para novos desafios se eles surgirem. Senti na conversa com o presidente que nossa relação se mantém intacta. ”, disse o deputado do PSL. Questionado se a troca na liderança é mais um estreitamento do governo com Centrão, o parlamentar evitou respondeu. “Essa pergunta tem que ser feita ao presidente.  Esse detalhamento do cenário ele não me passou.”

Deputado de primeiro mandato, Vitor Hugo era alvo de críticas constantes por parte de parlamentares e dos integrantes do governo, como o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto.

Apesar da pressão para que trocasse o líder principalmente após se aproximar do Centrão, Bolsonaro resistiu em fazer a mudança e diversas vezes negou que cogitasse fazer a alteração, como ocorreu em transmissão ao vivo na internet no dia 24 de julho.  A aliados, o presidente dizia que só tiraria Vitor Hugo se o colocasse em outra posição de destaque. 

Bolsonaro chegou a cogitar a indicar o aliado ao Ministério da Educação.  Recentemente, outra hipótese considerada era entregar a ele um Ministério da Segurança Pública, cuja recriação vem sendo discutida.  O presidente, no entanto, diz que a nova pasta, que seria desmembrada da Justiça, só sairia do papel se aprovada a autonomia do Banco Central. “Não foi tratado nenhum ministério comigo. Eu imagino que o Ministério de Segurança Pública teria uma relação mais natural com meu currículo. Fui comandante do destacamento contra terrorismo do Exército, passei em primeiro lugar no concurso nacional na Câmara de Deputados na área de segurança púbica e defesa nacional, mas essa é uma decisão do presidente”, disse Vitor Hugo.