Natal
Planos de saúde crescem 9,5% no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 26/11/2021 Atualizado: 21:57:46 - 25/11/2021
Os planos de saúde no Rio Grande do Norte ganharam 48,6 mil usuários entre setembro de 2020 e setembro de 2021 e registraram o maior aumento percentual do Brasil (9,5%), de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em números absolutos, o Estado tinha 511.932 usuários em setembro do ano passado ante 560.615 em setembro último. Dois Estados do País apresentaram queda nos doze meses analisados pela ANS: Maranhão (-2,1%) e Acre (-1,8%).

Adriano Abreu
Para operadoras de planos de saúde, como a Humana Saúde, aumento representa preocupação durante a pandemia de covid

Para operadoras de planos de saúde, como a Humana Saúde, aumento representa preocupação durante a pandemia de covid


No mesmo período, a Unimed Natal adquiriu cerca de 25 mil clientes. Parte desses novos usuários veio da incorporação com outra operadora, a Unimed Federação RN. No acumulado, a empresa considera um crescimento sustentável e diz que ele se deu porque os usuários passaram a colocar a saúde como item prioritário, em decorrência da pandemia.

Foi o que fizeram a social media, Ana Clarice Sousa, de 23 anos, e o publicitário José Filho, de 27. Ambos já tiveram planos de saúde em ocasiões anteriores, mas buscaram novos contratos recentemente por razões de adequação ao próprio orçamento e por preocupações com a crise sanitária. 

Em 2020, Ana Clarice cancelou o plano que utilizava havia cinco anos. Em junho último, ela decidiu aderir novamente aos serviços, mas desta vez, em outra operadora. “Aqui em casa ninguém nunca teve muito problema de saúde. Porém, sempre acompanhei que minha avó utilizava muito [o plano]. Então, temos esse cuidado. Cancelei o antigo porque estava sem emprego formal. Quando fui contratada no trabalho atual, a primeira coisa que fiz foi ir em busca de um plano”, conta.

“Acho interessante ter essa garantia, porque sempre penso que posso precisar num momento de urgência”, acrescenta Ana Clarice. Quanto à pandemia, a social media aponta que o receio de ser infectada pela covid foi uma das razões que fizeram com que ela buscasse um novo plano.

“A pandemia teve um impacto nessa minha decisão [de voltar a ter um plano de saúde], porque havia o receio de ficar doente. Sem contar que eu sofri bastante, psicologicamente falando. Precisei voltar para a terapia e o plano ajudou porque contempla essa especialidade”, comenta.

No caso do publicitário José Filho, a nova adesão ocorreu em maio deste ano. “Eu tinha um plano da empresa que eu trabalhava, com coparticipação.

Analisei e achei melhor fazer um plano individual, porque me deixa mais seguro em situações de urgência. Hoje pago um pouco mais, no entanto, me sinto mais seguro, porque evito gastos extras que eu poderia ter com o plano empresarial”, relata.

“A pandemia influenciou completamente nessa mudança. Acho que num plano individual corro menos risco de contrair uma dívida grande. E esse era meu medo: precisar ficar internado e depois, ao deixar o hospital, estar com um dívida de R$ 20 mil, por exemplo”, conta o publicitário.

Aumento nos preços
A alta procura pelos planos de saúde no Rio Grande do Norte é seguida pelo aumento dos preços dos novos contratos. Na Unimed Natal, o reajuste foi de 6% em 2021, conforme informado pela operadora.  “A alta se deu pelo aumento na utilização dos planos e também pela disparada nos custos médico-hospitalares”, afirmou a empresa.  

A Unimed frisa, no entanto, que houve diminuição nos preços das mensalidades para os clientes que já possuíam plano, conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

“Em 2021 tivemos uma redução que impactou financeiramente as operadoras. São os planos individuais e familiares, devido ao reajuste negativo, de 8,19%, aplicado pela ANS sobre este tipo de contrato”, esclareceu a Unimed Natal, que disse aguardar a melhora da economia do País e a geração de emprego e renda para avaliar novos cenários de crescimento na saúde suplementar.

A Humana Saúde chegou ao Rio Grande do Norte há um ano e, hoje, supera a marca de 95 mil usuários, entre planos de saúde e odontológicos. Os números são considerados extremamente positivos, de acordo com o diretor comercial da empresa no Nordeste, Idris Saldanha. “Isso ressalta que a população tem demonstrado cada vez mais preocupação com a saúde”, destaca.

Para 2022, a expectativa da empresa é crescer 30%. “Queremos atingir cada vez mais pessoas no Estado”, afirma Saldanha, que atribui as boas perspectivas ao portifólio da empresa. “Nossos produtos são bem abrangentes. Atendemos ao produto individual e também a pequenas, médias e grandes empresas”, finaliza o diretor comercial.

Advogado fala sobre cuidados na escolha
A contratação de um plano de saúde requer uma série de cuidados para que o usuário evite surpresas desagradáveis na hora de utilizá-lo. O primeiro deles é ter conhecimento do tipo de contrato a  ser firmado. O advogado Renato Dumaresq, presidente da Comissão de Direito Médico e Direito à Saúde da OAB/RN, esclarece que é preciso prestar atenção às opções existentes no mercado.  As regras mudam se o usuário optar por um plano individual e familiar ou se escolher por um contrato coletivo empresarial.

“A primeira opção [contratos individuais e familiares] oferece uma maior segurança em termos de reajuste, que é feito anualmente pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Já no contrato coletivo empresarial é interessante observar alguns pontos: quais são as regras em relação aos aumentos, quem é a empresa com a qual o usuário está se vinculando e se há informações sobre reajustes”, explica. 

O advogado afirma, ainda, que é preciso, na hora da adesão, ficar atento a questões como carência e regras de portabilidade. “Muita gente contrata um plano já pensando em usá-lo imediatamente e não vai poder fazê-lo porque tem um período de carência, que é de 180 dias ou de 300 dias, (este último, em caso de serviços de parto)”, afirma Dumaresq.

O advogado alerta que os aumentos abusivos, no caso dos contratos coletivos empresariais, são a principal queixa relacionada a esse tipo de plano no Estado. Segundo ele, os planos individuais estão com preços semelhantes aos de 2019, uma vez que a ANS garantiu um reajuste de 8,14% no ano passado, mas adotou uma redução de 8,19% para as contratações em carteira em 2021.

“Os contratos coletivos empresariais são mais soltos. Alguns têm aumentado 30%. Por isso é importante observar os critérios na hora de aderir. Para planos acima de 29 vidas, os reajustes precisam ser estabelecidos previamente nos contratos”, indica o especialista.

  Na hora de trocar de plano, alguns cuidados também devem ser adotados, segundo o advogado. A portabilidade precisa seguir as determinações da ANS para evitar que o cliente enfrente uma nova carência, por exemplo. O usuário também deve buscar informações no site da Agência Nacional de Saúde (www.ans.gov.br), que reúne um painel com dados sobre a rede de prestadores de cada plano, além da forma como cada um é avaliado no mercado.

Outra dica importante é a leitura completa do contrato. “Se houver dificuldades em entender as cláusulas, o usuário pode procurar ajuda jurídica para que os transtornos possam ser evitados”, destaca Dumaresq. 

Se o plano de saúde descumprir o que está acordado em contrato, o usuário pode fazer uma reclamação junto à ANS. “Isso tem causado um efeito muito proveitoso, porque quando a Agência Nacional de Saúde é procurada, ela estabelece um processo administrativo que pode gerar multas às operadora a partir de R$ 35 mil”, aponta. 

“O problema passa a ser investigado e o processo só é encerrado com a resolução do imbróglio. Os planos não querem que os usuários busquem a ANS, porque as punições são muito severas”, indica o especialista, que esclarece outro ponto. As operadoras têm até 24 horas para informar aos usuários que não oferecem um determinado tipo de atendimento. Mas isso não acontece. Geralmente, elas levam de 15 a 20 dias para dar esse retorno, porque confiam que o cliente não conhece essa determinação.

Além disso, o usuário poderá fazer reclamações no Procon e na própria Justiça, inclusive, sem a necessidade de um advogado, embora a recomendação de Renato Dumaresq seja pelo  acompanhamento de um especialista, que tornará a qualidade da judicialização mais eficiente.

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