PM encerra greve no Recife, após saques e arrastões

Publicação: 2014-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Recife (AE) - Depois de três dias de muita tensão, saques, arrastões, assaltos, prisões e tumulto os policiais e bombeiros militares de Pernambuco decidiram na noite de ontem suspender a greve. O anúncio foi feito por volta das 19h45, após a realização da quinta assembleia em 24 horas. Apesar do anúncio da paralisação, integrantes da Força Nacional, que desde o final desta manhã circulam pelas ruas do Recife e Região Metropolitana, devem permanecer ainda na área até o final desta sexta-feira. As negociações entre a categoria e o Executivo estadual foram acompanhadas durante parte da tarde e da noite pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.

Inicialmente composta por 18 itens, a pauta de negociação começou a ser enxugada e acabou com quatro pontos considerados “essenciais” pela categoria. Todos eles foram alvo de debates com o executivo: incorporação de gratificação por risco de morte ao salário base, beneficiando ativos e inativos; construção de um plano de cargos e carreiras a partir da próxima segunda-feira, 19 - com a criação de uma comissão que irá avaliar junto aos deputados estaduais as promoções na categoria; reestruturação do Hospital da Polícia Militar e criação de unidades de saúde para a categoria no interior do Estado.

O grupo também reivindica a promessa do governo estadual de que o aumento salarial voltará a ser debatido na primeira semana de janeiro de 2015, após os impedimentos causados pela Lei de Responsabilidade Fiscal e Lei Eleitoral. Com a incorporação da gratificação de risco de vida, o salário base de um soldado da PM passará de R$ 1,9 mil para R$ 2,8 mil.

O medo causado pela greve dos policiais e bombeiros militares, iniciada nesta terça-feira, 13, fez com que a movimentação de pessoas em Recife e na região metropolitana parasse nesta quinta. Ocorrência de assaltos e arrastões rapidamente compartilhados nas redes sociais criaram um clima de pânico que chegou ao auge no início desta tarde.

Lojas, supermercados, escritórios, órgãos públicos e faculdades suspenderam suas atividades e a movimentação que ainda se via até as 15 horas, no centro da capital, era somente de pessoas tentando pegar ônibus ou táxi para retornar para suas casas.

 A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou que das 19 horas de quarta-feira às 7 horas de ontem, em meio à greve dos bombeiros e policiais militares - sete homicídios ocorreram na região metropolitana, além de sete tentativas de assassinato.  O balanço total da violência ontem não havia sido divulgado até o início da noirte.  Já o número de detenções realizadas na região metropolitana foi de 234, com 102 autuações em flagrante, de acordo com a Secretaria de Defesa Social.

Em Brasília, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, rebateu as críticas de que a Copa do Mundo é ruim para o País e disse que as manifestações de ontem nas ruas não assustam o governo federal. "Não tem protesto que nos assuste. O que nos preocupa é quando se usam métodos antidemocráticos de violência, seja por parte da polícia ou de manifestantes. Essa é única preocupação", disse. "Vamos trabalhar até o ultimo dia para que a grande maioria do povo isole esse tipo de atitude."

Carvalho rebateu as críticas de que a Copa do Mundo tirou dinheiro da educação e da saúde. "Infelizmente propagou-se no País que a Copa seria paraíso de ganho da Fifa, de corrupção e de elefantes brancos. Não é verdade, a Copa não tirou um tostão da educação e da saúde", disse. "É ridículo a gente dizer que saúde e educação foram prejudicadas”.

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