PM que atuava na segurança de Fátima é assassinado

Publicação: 2018-12-22 00:00:00 | Comentários: 0
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O soldado da Polícia Militar João Maria Figueiredo da Silva, de 37 anos, foi assassinado a tiros no fim da tarde desta sexta-feira (20) numa estrada carroçável localizada nas proximidades do Motel Ele e Ela, na Zona Norte. João Maria atuava na segurança pessoal da governadora eleita, Fátima Bezerra, e fazia parte do Movimento Policiais Antifascismo. A vítima foi alvejada com quatro tiros, sendo três na cabeça e um no braço.

Policial foi assassinado na tarde de hoje
João Maria fazia parte do Movimento Policiais Antifascismo e era militante do PT

Segundo policiais militares, o crime teve características de execução. Relatos dos agentes de segurança  que atenderam à ocorrência apontam que os bandidos levaram a arma do policial, mas não roubaram a moto em que ele estava ou  documentos.

De acordo com o Assessor de Comunicação da Polícia Militar, tenente-coronel Eduardo Franco, a Polícia Civil já está investigando o caso. Membros da equipe que atendeu à ocorrência disseram que irão pedir imagens das câmeras do motel para a investigação.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE conversou com familiares do soldado, que aguardavam a chegada do corpo no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep-RN) na noite desta sexta. Segundo a esposa do soldado, no horário do crime o PM costumeiramente estava no percurso de volta para casa. João Maria atuava na cidade de Taipu. O último contato de João Maria com os seus familiares aconteceu às 15h, segundo informações repassadas para a reportagem.

O soldado João Maria era ligado a movimentos sociais e ao Partido dos Trabalhadores (PT). O presidente da Associação de Cabos e Soldados do Rio Grande do Norte, Roberto Campos, disse que João Maria trabalhou voluntariamente na campanha da governadora eleita, Fátima Bezerra. Repórteres que faziam a cobertura da campanha encontravam frequentemente com o PM.

Militante dos direitos humanos, João Maria Figueiredo era presença constante em mesas-redondas e debates sobre temas como a tortura por agentes do Estado e descriminalização das drogas. Em março deste ano, por exemplo, ele participou de mesa-redonda na Universidade Federal da Bahia sobre “Violações aos direitos humanos dentro das corporações policiais”. Colegas descrevem o soldado como um “petista histórico” e alguém “de dentro da cozinha da governadora”. Membros da Associação de Cabos e Soldados relataram que João Maria aparentemente não tinha inimigos e, mesmo com a existência de divergências políticas, não havia um histórico de ameaças.

João Maria Figueiredo é pelo menos o vigésimo quinto policial militar assassinado no Rio Grande do Norte, sem contar os constantes atentados e episódios de violência registrados contra agentes de segurança do Estado no ano. 

As associações que representam policiais militares fizeram vários protestos ao longo do ano em virtude do aumento do número de crimes contra membros da corporação este ano. As associações acreditam que o aumento da violência contra PMs está ligado à falta de estrutura observada na segurança pública potiguar, como também à própria dificuldade do Estado em conseguir resultados concretos na diminuição da violência como um todo.


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