PMDB do futuro

Publicação: 2018-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Lydia Medeiros

A reunião de DEM, PP, PRB e Solidariedade na disputa eleitoral, sob o comando de Rodrigo Maia, repete a estratégia que marcou o PMDB nas últimas décadas: ter força no Congresso Nacional para controlar o governo — seja ele qual for. Desde José Sarney (1985-1990), o PMDB não elege um presidente. Concorreu ao cargo duas vezes, com Ulysses Guimarães (1989) e Orestes Quércia (1994). Teve péssimo desempenho nas urnas, mas sempre esteve no poder. Se ao novo bloco unir-se também o PR, do ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado pelo mensalão, o grupo chegará a 165 deputados. Quando tomaram posse, em 2015, somavam 129. O DEM de Rodrigo Maia elegeu 21 deputados. Com a janela partidária, chegou a 44. O PP tem um ex-presidente preso por envolvimento no mensalão e na Lava-Jato, Pedro Correa; e o atual, Ciro Nogueira, é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Elegeu 38 deputados e conseguiu aumentar a bancada para 49. Deles, 21 são investigados e quatro já são réus. Nada disso inibe esses partidos — ou os candidatos que os procuram — de colocarem-se como aliados cobiçados. Falta combinar outra aliança importante, com o eleitor, que tem dado sinais claros de rejeição à política e aos políticos.

Pequenas causas
Preocupado com sua relação com o Congresso e os partidos, Michel Temer está tratando pessoalmente da distribuição de cargos até do terceiro escalão. Procurou o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (foto), para conversar sobre o escolhido para a Secretaria de Relações Sindicais, do Ministério do Trabalho. O cargo estava nas mãos do Solidariedade até abril.

Cabe mais um
Está disputada a segunda vaga de senador na chapa do governador petista Camilo Santana, do Ceará. A primeira caberá a Cid Gomes (PDT). Tudo indicava que a outra ficaria com Eunício Oliveira, mas, nos últimos dias, o deputado André Figueiredo (PDT) e o senador José Pimentel, do PT, têm mostrado desejo de entrar na disputa. A aliança em torno do governador inclui PT, PDT, PMDB, PR, PP e ainda pode crescer. O PSD, que estava alinhado ao PSDB, é assediado para mudar de lado.

Dobradinha
Depois da desistência de Joaquim Barbosa de concorrer à Presidência, o PT retomou a investida sobre o PSB para discutir alianças regionais. Integrantes das cúpulas nacionais dos dois partidos têm encontros esta semana para tentar acertar, principalmente, a situação em Minas Gerais e em Pernambuco. No primeiro caso, o governador petista Fernando Pimentel quer o apoio do PSB. No segundo, o governador socialista Paulo Câmara quer o PT no seu palanque. O trabalho vai ser dobrar a resistência de líderes nos dois estados.

Sol a pino
O ministro Moreira Franco quer acelerar o programa de financiamento do uso de energia solar em residências — que é do Ministério da Integração, mas seria tocado em conjunto com Minas e Energia. Moreira já pediu ajuda ao ex-ministro Hélder Barbalho, idealizador do projeto, que prevê financiamento para compra e instalação dos equipamentos, com juros de 6,24% ao ano. Os recursos viriam dos fundos constitucionais do Nordeste, Centro-Oeste e Norte, regiões que serão beneficiadas. Hélder avisou a Moreira que os bancos precisam começar a oferecer os créditos.

Termômetro falho
Quarenta dias após a prisão de Lula, o PT teme perder o timing perfeito para lançar seu plano B para a Presidência. Há divisão no comando do partido sobre o melhor momento para descartar oficialmente o nome do ex-presidente. A avaliação até agora era que a candidatura deveria ser mantida até o último momento. Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto, mesmo preso. Os petistas, porém, temem protelar a troca e ver a suposta transferência de votos naufragar. Há consenso em um ponto: caberá só a Lula decidir o momento. Mas receiam que, preso, ele não saiba medir a temperatura do que ocorre fora da cela.


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