PMs aceitam proposta do Governo

Publicação: 2019-01-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Os policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte aceitaram a proposta do Governo do Estado acerca do pagamento dos salários e não irão se aquartelar. A decisão foi tomada após assembleia  realizada nesta quinta-feira, 10, no Clube Tiradentes, onde os militares estaduais decidiram por continuar as atividades normalmente após a proposta de receber integralmente o salário de janeiro até o dia 16.

Além dos PMs, os servidores da saúde não ficaram satisfeitos com o acordo. Walfredo Gurgel teve paralisação
Além dos PMs, os servidores da saúde não ficaram satisfeitos com o acordo. Walfredo Gurgel teve paralisação

Estiveram presentes na assembleia representantes da Associação dos Cabos e Soldados, da Associação dos Sargentos e Subtenentes e da Associação dos Inativos. Segundo o Subtenente Eliabe Marques, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos, Policiais Militares e Bombeiros Militares (ASSPMBMRN), a categoria continuará com as atividades em respeito à população e espera receber os vencimentos atrasados até o final do primeiro semestre.

“Continuaremos com as atividades  por levar em consideração que se trata de um governo que está começando os seus trabalhos agora. Não seria responsável da nossa parte interromper nossas atividades. Agora contamos que seja razoável a quitação dos [salários] atrasados até o final do primeiro semestre, contando com as antecipações de receitas apresentadas pelo governo na última reunião”, explica.

Apesar do temor de deixar dezembro em aberto e receber janeiro, a categoria permanece trabalhando, mesmo “contrariada”, como disse o presidente Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do RN (ACS-PMRN), cabo Roberto Campos.  Porém, ele cita que esse o recebimento do salário de dezembro e décimo-terceiro de 2018 continua sendo prioridade, levando em consideração os recursos extras que o Governo do Estado receberá.

As negociações entre os militares e o governo tiveram início na segunda-feira com a proposta do governo de pagar os vencimentos de janeiro de forma fracionada. Até o dia 10, os militares estaduais – bem como todos os servidores – receberiam 30%, com os 70% restantes sendo pagos no dia 31. Os policiais e bombeiros não aceitaram e as negociações continuaram, com os militares avaliando o aquartelamento como forma de protesto com a atual situação. Na última contra-proposta apresentada pelo Governo do Estado, ficou acordado que os militares receberiam, integralmente, o salário de janeiro de forma antecipada, até o dia 16 de janeiro. Os policiais e bombeiros tentaram, em um primeiro momento, que esse salário recebido fosse o de dezembro, mas acabaram aceitando a proposta final de receber janeiro. Porém, segundo o Subtenente Eliabe Marques, a categoria considera razoável o prazo de um semestre para que recebam, integralmente, todos os vencimentos atrasados que não conseguirão ser pagos neste primeiro momento.

Sindsaúde
Servidores da saúde do Rio Grande do Norte decretaram uma paralisação de 24h que teve início na troca dos plantões da manhã desta quinta-feira (10). Protestando pelo pagamento dos salários em atraso devidos pelo Governo do Estado, apenas os serviços de urgência emergência permaneceram funcionando ao longo do dia. Os serviços de atendimento ambulatório, de acordo com funcionários do hospital, foram interrompidos.

Outras categorias, como os agentes penitenciários, também anunciaram que devem paralisar os serviços em protesto contra a proposta anunciada pelo Governo do Estado no início da semana, e que prevê apenas o pagamento para os meses de janeiro e fevereiro dentro das datas. Os passivos que estão sendo devidos, referentes aos salários de dezembro e o 13º de 2019 permanecem sem data ou previsão para serem quitados.

A proposta, de acordo com o Governo, foi pautada nos princípios da “isonomia e previsibilidade”, contemplando todas as categorias indistintamente e dando uma noção, aos servidores, de quando receberiam os salários do mês trabalhado.

Na noite desta quarta-feira (9), o Governo do Estado e o Fórum de Servidores entraram em acordo sobre o pagamento: os servidores devem receber 30% do salário bruto relativo ao mês de janeiro nessa sexta-feira, 11. Os outros 70% restantes vão ser pagos no dia 16 para quem recebe até R$ 3 mil, e no dia 31 para o restante das faixas salariais. Apenas o Sindicato dos Servidores da Saúde e dos Agentes Penitenciários não se posicionaram sobre o acordo, afirmando que têm que “consultar as bases” antes de tomar uma decisão.

Ambos optaram por manter as paralisações que estavam agendadas para esta semana. No Walfredo Gurgel, servidores de diversos hospitais da rede estadual estavam reunidos desde as primeiras horas da manhã para dar início à paralisação. A técnica de enfermagem Natalice Barreto, de 53 anos, conta que o pagamento urgente dos salários atrasados é imprescindível para colocar as contas em dia.

“Quando junta dois carnês, o serviço é cortado. Água, luz. Internet nem tem mais, porque agora é um luxo, só para quem pode. É uma humilhação o que estamos passando todos os dias”, relata a servidora, que atua no Hospital Santa Catarina, na zona Norte de Natal. Natalice conta que não tem mais dinheiro para pagar as passagens e chegar ao trabalho, situação similar a de muitos de seus colegas.

“Nossa categoria está majoritariamente na faixa salarial mais baixa, até os R$ 3 mil. Eles são extremamente prejudicados com esses atrasos, porque cada centavo é importante”, afirma o diretor do Sindsaúde, Manoel Egídio. De acordo com ele, o Sindicato está ciente da aprovação da utilização dos recursos dos royalties, determinada pelo Tribunal de Justiça, e que pode trazer mais recursos ao Governo para que as dívidas sejam, ao menos, parcialmente quitadas.


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