PMs começam a sair e patrulhar as ruas

Publicação: 2018-01-03 00:00:00 | Comentários: 0
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O primeiro dia útil de 2018 começou com o retorno gradual de policiais militares ao trabalho externo. Ontem (2), viaturas começaram a deixar os batalhões durante a manhã, movimento que continuou no decorrer da tarde. Após decisão judicial e uma portaria da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), informando que os policiais que se recusassem a trabalhar no patrulhamento ostensivo poderiam ser presos, os agentes de segurança começaram a ir às ruas com as viaturas que estavam em condições mecânicas.

Viaturas do Grupamento da Cavalaria saíram às ruas ontem
Viaturas do Grupamento da Cavalaria saíram às ruas ontem

Porém, poucos veículos oficiais foram às ruas. Os demais estavam passando por manutenção e retornarão ao patrulhamento assim que estiverem consertados, segundo a Polícia Militar. A TRIBUNA DO NORTE visitou três dos quatro batalhões que fazem o policiamento em Natal. Em todos eles, uma cena se repetiu: viaturas estacionadas nos pátios, algumas com o capô levantado, à espera de manutenção.

Até meio dia de ontem, no 1º Batalhão, que cobre a zona Leste de Natal, somente duas viatura estavam em condições e foram postas para patrulhar as ruas de sua jurisdição. No 5º Batalhão, que cobre zonas Sul, seis viaturas e três motos estavam nas ruas, enquanto o 9º Batalhão tinha dois veículos no patrulhamento. Já no 4º Batalhão, que atua na segurança na zona Norte de Natal, nenhuma viatura estava em condições de circular até aquele momento, mas os policiais estavam atuando a pé, informou a assessoria de imprensa da PM.

O 4º BPM era um dos com maiores problemas. Eram ao menos seis viaturas paradas em seu pátio, na manhã de ontem. Os policiais, que preferiram não se identificar, reclamavam da falta de estrutura. Havia carros sem estepe, outros estavam com pneus “carecas”, enquanto ao menos três possuíam problemas elétricos.

Pouco antes de a reportagem chegar ao local, os mecânicos tentavam, improvisadamente, recarregar a bateria de um dos carros. No interior de todos os veículos, areia e poeira tomam o espaço, além de assentos descascados pelo tempo de uso.

Outro problema alegado é a falta de condições de trabalho. A reclamação dentro dos batalhões é de falta de coletes balísticos próprios e até fardamento novo. Ainda há os salários atrasados. “Estamos tentando cumprir a decisão judicial, mas é difícil. A gente quer trabalhar, saímos de nossas casas para cá (batalhão), mas fica difícil sair nessa situação, com viaturas sucateadas e colocando nossas vidas e dos cidadãos em risco”, disse um policial do 4º BPM que preferiu não se identificar.

A tarde, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu os principais corredores viários das zonas Leste e Sul de Natal, notadamente as avenidas Eng. Roberto Freire (que corta os bairros de Capim Macio e Ponta Negra), Salgado Filho (em Lagoa Nova), Hermes da Fonseca (Tirol), Afonso Pena (Petrópolis), Deodoro e Rio Branco (ambas na Cidade Alta), mais a Av. Duque de Caxias no bairro da Ribeira e a Via Costeira, e verificou uma presença ainda tímida da Polícia Militar do RN nas ruas.

Ao longo do trajeto destacado acima, realizado na tarde de ontem, foram vistas diversas viaturas das Forças Armadas (mobilizadas através da Operação Potiguar III) circulando e dando apoio ao patrulhamento em pontos fixos; uma viatura da Guarda Municipal; e duas viaturas da PMRN que integram o Regimento de Polícia Montada (RPMon) paradas em frente a uma agência bancária na Av. Rio Branco, no centro da cidade – os policiais militares permaneceram, pelo menos, duas horas estacionados no local.

Desde o dia 19 de dezembro, o patrulhamento operacional não era feito em Natal, Região Metropolitana e Mossoró. Os policiais e bombeiros militares cumpriam expediente nos quartéis e argumentavam que, portanto, não havia greve. Porém, a Justiça definiu o movimento como grevista e determinou a prisão daqueles que incitem, defendam ou provoquem um movimento grevista.

A decisão do desembargador Cláudio Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), autorizando a prisão dos militares por parte de comandantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do delegado-geral da Polícia Civil saiu no último domingo (31). A decisão foi favorável a um pedido do Governo do Estado. O Executivo defende que os servidores da segurança pública desobedeceram à primeira decisão da Justiça (de Judite Nunes), no domingo (24), que considerou o movimento ilegal.


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