Poder de fogo

Publicação: 2021-01-28 00:00:00
Itamar Ciríaco - itamar@tribunadonorte.com.br

Estamos todos, no futebol Potiguar, em meio a uma guerra e, infelizmente, armados com uma baladeira e um belo uniforme. O ano de 2021, que diante da pandemia, nada mais é que a continuação esperançosa (por causa das vacinas) do trágico 2020, segue trazendo mortes e crise financeira, apesar de uma suave curva de recuperação. Pois bem, nesse cenário, os que já estão bem posicionados economicamente e aqueles preparados em termos de gestão, levam vantagem. Assim é a sociedade, assim é o futebol, que reflete desigualdades e problemas. Nessa situação, que lembra um combate pela sobrevivência, o nosso exército tem dois uniformes que impõe respeito (ABC e América) e pouco mais que uma baladeira para combater. A permanência na Série D do Campeonato Brasileiro fragilizou ainda mais os nossos clubes. Diante disso, polícia podem fazer diante de assédios por seus jogadores. Alvinegros e Alvirrubros lamentam a perda de atletas antes mesmo de a bola rolar. Vão lamentar ainda mais ao longo da temporada. 

Investimento 
O poder de investimento local é muito pequeno ante algumas outras realidades. Ontem, em entrevista ao Tribuna Esporte, na rádio Jovem Pan News Natal, o vice de futebol do ABC, com muita transparência, diga-se de passagem, revelou que a folha com atletas, no clube, em princípio, será de R$ 140 mil. Se o Alvinegro pagar a 22 jogadores, seria uma média de pouco mais de R$ 6 mil por atletas. Esse valor é insignificante no mundo do futebol e segurar talentos se torna uma missão quase impossível.

Armadilhas
Diante de realidade tão dura, dificilmente o clube não aceita cair em “armadilhas” impostas pelos empresários de atletas. Contratos sem multas rescisórias e outras exigências precisam ser aceitas para que os clubes possam ter, ao menos por algum tempo, a presença de jogadores de um nível melhor em seus times. Ou seja, o clube fica praticamente refém dessa classe que funciona como uma espécie de “urubu” pairando sobre vacas magras prestes a morrerem em meio a um cenário de seca para todos os lados.

Organização 
Não existe fórmula mágica para amenizar a situação. Os clubes precisam de organização administrativa e financeira. Além disso, na ponta, ou seja, os que estão em busca de talentos baratos para os elencos, precisam ser precisos. O limite de erro é ínfimo. Errar e permanecer mais tempo na última divisão do futebol nacional significa mais um passo em direção ao caos.

Escolhas 
No atual momento, ABC e América contam apenas com seus uniformes de tradição como atração para os jogadores. Ou seja, em se tratando de Série D a lógica do mercado muda. Ao invés do clube escolher o jogador, o atleta é que decide se é bom negócio vir para Natal, ainda que seja uma mera “ponte” em busca de contratos mais vantajosos em outros lugares. É algo como você chegar em um mercado e só poder pagar os produtos da prateleira inferior e, ainda assim, na hora de pegar o produto, este se recusa a entrar no seu carrinho de compras. Triste realidade.

Quem diria
Em grave crise financeira por causa da pandemia do novo coronavírus, a diretoria do Barcelona publicou na segunda-feira a sua prestação anual de contas em seu site oficial e revelou que deve 126 milhões de euros (R$ 831 milhões) a curto prazo e 197 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão) a longo prazo - total de 323 milhões de euros (R$ 2,13 bilhões), como informou o relatório. O mais interessante é que o gigante espanhol deve a clubes brasileiros também. Quem diria. Entre as dívidas listadas aparecem sete brasileiros - alguns deles já foram vendidos e saíram do clube. O meia Philippe Coutinho, contratado junto ao Liverpool em 2018, é o jogador que gera a maior dívida a curto prazo: 29 milhões de euros (R$ 191 milhões). O atacante Malcom e o meia Matheus Pereira (ex-Corinthians) e o goleiro Neto (ex-Athletico-PR) também integram a lista. Palmeiras, pelo volante Matheus Fernandes (R$ 30,2 milhões), Grêmio, pelo também volante Arthur (R$ 140,6 milhões), e Atlético-MG, pelo lateral-direito Emerson (R$ 39,4 milhões), são os clubes do Brasil que têm quantias a receber.

Fórmula 1
Em 2010, a Ferrari ocupava o 16º posição e a McLaren o 42º lugar, no ranking da Forbes de empresas mais valiosas do mercado esportivo. No ano passado, no entanto, nenhuma das duas figurava no Top 50. O mundo, literalmente, mudou. A Fórmula 1 foi a modalidade que mais demorou para engajar seus fãs em redes sociais, a que mais demorou para desenvolver seus próprios conteúdos e por isso, apesar da tentativa de se globalizar via eventos que ocorrem uma vez por ano em diferentes países, a categoria perdeu muitas chances de se conectar com novos públicos usando a internet e as mídias sociais da forma que, por exemplo, a NBA já faz desde a década de 90. Essa é a teoria defendida pelos especialistas da OutField Consulting. 

Tóquio
O primeiro evento-teste dos Jogos Olímpicos de Tóquio deve ser adiado por causa da pandemia do novo coronavírus. O Pré-Olímpico Mundial de Nado Artístico, agendado inicialmente para ocorrer entre os dias 4 e 7 de março, pode ser realizado em abril ou maio.









Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.