Poder em jogo

Publicação: 2017-09-13 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Lydia Medeiros

A lista de Funaro

Preso desde o ano passado, o corretor Lúcio Funaro apresentou documentos à Justiça que, segundo ele, comprovam pagamento de propina de R$ 1,5 milhão ao presidente Michel Temer. Em delação premiada, já homologada pelo ministro do STF Edson Fachin, Funaro cita outros políticos do PMDB, atribuindo a eles os valores que teriam sido pagos: Henrique Eduardo Alves (R$ 4,95 milhões), Sandro Mabel (R$ 2 milhões), Gabriel Chalita (R$ 9,8 milhões), Antônio Andrade, atual vice-governador de Minas Gerais (R$ 9,8 milhões), Manoel Júnior (R$ 150 mil), Soraya Santos (R$ 1 milhão), Alexandre Santos (R$ 1 milhão) e Marcelo Castro (R$ 1 milhão). Na relação, constam ainda R$ 700 mil para Cândido Vaccarezza. De acordo com Funaro, esses pagamentos foram feitos a pedido do ex- presidente da Câmara Eduardo Cunha.

O preço do silêncio
Em 1º de setembro, o repórter Jailton de Carvalho contou, no GLOBO, que Lúcio Funaro admitira ter recebido dinheiro de Joesley Batista para manter silêncio sobre atos de corrupção envolvendo boa parte da elite política do país. Sabe-se agora que o silêncio do corretor teria ficado na casa dos R$ 100 milhões, segundo ele contou em delação premiada. De acordo com o relato, Geddel Vieira Lima agiu como intermediário.

Francos suíços no Rio
As relações entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), e a Fetranspor, sindicato das empresas de ônibus do estado, também foram abordadas por Lúcio Funaro em sua delação premiada. O corretor apresentou documentos que, segundo ele, comprovam que ele repassou cinco milhões de francos suíços (cerca de R$ 16,3 milhões) do empresário Jacob Barata Filho, presidente da entidade, a Picciani. Segundo Funaro, a entrega desse dinheiro foi um pedido do ex-deputado Eduardo Cunha durante a campanha de 2014. Funaro contou que os recursos saíram de uma empresa na Suíça (Tuindorp), que tinha conta no Banco Audi, naquele país. Funaro apresentou extratos da conta e mensagens trocadas com Cunha.

Sem disfarce
Indignado com a escolha de Carlos Marun (foto),do PMDB, como relator da CPMI da JBS, o senador Otto Alencar (PSD) pediu para sair da comissão atirando: “O Temer deu a ração que a Dilma não soube dar. Demonstra o grau de fisiologismo do Congresso. É uma grande contradição: um governo muito fragilizado na população e que nunca foi tão forte no Congresso como agora".

Teoria
Há deputados convictos de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi vítima de uma emboscada armada pelos advogados da JBS, ao ser fotografado em um bar de Brasília ao lado de um deles, Pierpaolo Bottini. “Foi uma foto armada. Todo mundo sabe que ele frequenta aquele lugar. Foram lá, sentaram-se com ele e ainda abriram espaço para a foto”, diz um deputado da base governista.

Postal do Cerrado
A Lava-Jato chegou ao refeitório do STF. Mas em versão bem-humorada e tomando emprestado a matriz italiana, a Mãos Limpas. Foi o mote usado pelos funcionários para campanha de higiene no local.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários