Poesia na Bíblia

Publicação: 2019-08-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Diógenes da Cunha Lima 
[Escritor, advogado e presidente da ANL]

Apocalipse literário: Imaginemos que todos os livros do mundo fossem destruídos, menos um, a Bíblia. Ainda assim, teríamos, em prosa e verso, como entender o homem e os seus caminhos. Há 3.500 anos, começou a ser escrita a Torah (os 5 livros de Moisés), como a denominam os judeus. Em Jerusalém, o Livro Sagrado apareceu escrito 1000 a.C. Depois, o mundo cristão acrescentou-lhe o Novo Testamento.

Confiemos na escolha dos séculos, adverte André Maurois. O livro secularmente escolhido continua a sua missão através de bilhões de exemplares publicados. 

A Bíblia é uma coleção de textos inspirados por Deus. É constituída, segundo o catolicismo, por 46 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo, comporta cerca de 40 autores.

Ninguém é tão sábio que possa sozinho compreender a Bíblia. Há que pedir ajuda a filósofos, padres, pastores e, sobretudo, a teólogos. Para mim, é um encanto pedir ajuda ao poeta e teólogo Santo Agostinho, a outro teólogo que se dizia agnóstico, Jorge Luís Borges, e aos que estão próximos de nós, os acadêmicos e padres João Medeiros Filho e o cônego José Mário. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: “Tenho ainda muitas coisas a dizer, mas não sois capazes de as compreender”. Já naquele tempo, os apóstolos precisavam do Espírito Santo para entender...

A Bíblia é dirigida ao bem da humanidade, é a luz para o nosso caminho, como diz o Salmo. Entretanto, erradas interpretações conduziram a dezenas de lutas religiosas, a morticínios, à Inquisição.

A poesia acontece quando a palavra atinge o grau de excelência. Há coisas e fatos que são inexplicáveis através da prosa, provavelmente por se dirigir mais à emoção que ao mero raciocínio. A Bíblia se nos apresenta, em grade parte, em forma de poemas, letras que seriam musicadas, ou em prosa poética. Há nela componentes líricos, funções estéticas, metáforas, simbologias. A sua linguagem é também uma forma de prece, apropriação do divino.

Jesus Cristo, ainda que tenha apenas escrito sobre a areia que o vento apaga, tem registrado poemas de maior expressão. O Sermão da Montanha e o Pai Nosso são exemplares. O Magnificat é o cântico de louvor a Maria, como está registrado no evangelho de São Lucas. É por ela recitado quando da sua visita à prima Isabel

Os poemas no Livro são o Alfa e o Ômega, o Gênesis e o Apocalipse. O primeiro é energia cósmica. O outro é teofania, o fim, mas com o consolo: “e Deus limpará dos seus olhos toda a lágrima”.

A Salomão é atribuído o mais belo e sensual poema do Antigo Testamento. A mulher, amada entre centenas, seria uma negra, Sulamita, rainha de Sabá, a quem o autor chama de “a mais formosa entre as mulheres”. Estranho para nós, ela era dona de beleza somente comparada “às éguas do carro do Faraó”. O coro afirma que esse amor é mais agradável que o vinho;

O Livro de Jó, obra-prima dramática, é, para um religioso, o poema mais difícil de compreender.

É preciso, pois, ler e seguir a sabedoria bíblica. Até porque os fatos que acontecem na vida humana já foram pelo menos vislumbrados antes pelo Livro Sagrado.

Jesus, o poeta, é o Caminho, a Verdade e a Vida.

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