Poesia na Prosa

Publicação: 2020-01-26 00:00:00
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Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Na tentativa de evitar, no que for mais possível, as notícias paridas em Brasília e suas sucursais (radinho de cabeceira desligado), dediquei boa parte da semana na arrumação dos papéis espalhados pelas gavetas desarrumadas. Entre eles, recortes de jornais. Até páginas inteiras, como uma do Caderno 3 do Correio da Paraíba, edição do dia 16 de agosto de 1992, um domingo. Na página 2, tem a coluna “L.I.V.R.O.S”, assinada pelo poeta e crítico literário Sérgio Castro Pinto, que tece comentários sobre livros de dois poetas potiguares: Alex Nascimento e Luís Carlos Guimarães (1934/2001).

Além de poeta, jornalista e professor de Literatura da Universidade Federal da Paraíba, Sérgio Castro Pinto é imortal da Academia Paraibana de Letras e, por muitos anos, dirigiu o “Correio das Artes”, suplemento do jornal União, de João Pessoa.  É autor de vários livros.  Vejamos o que ele escreveu sobre o livro de Alex Nascimento, Alma minha gentil, publicado naquele ano:

- Os 40 sonetos de ‘Alma minha gentil’ são anti-sonetos. E o são na medida em que dessacralizam o soneto enquanto forma, “ars poética” ou simples entrave ao livre trânsito das palavras. São ainda soneto irônicos, corrosivos, britadeiras que parecem reduzir a pó a fria e marmórea concepção parnasiana do soneto. Senão, vejamos o texto a seguir:

“Insônia, que agradável companhia! / Saudade, que sofrer em boa hora! / Realidade, nada foi embora / E tudo está exato onde devia. / Compara o corpo da fotografia; / Detalhe por detalhe, és tu, Senhora, / A bailarina igual a Isadora, / A juventude não mudou um dia. / Talvez, a mais, charmosos quilogramas/ E rugas sensuais sobre a neurose, / Estrias, celulite, ás e damas, / Em tão distinta mão, naipe de artrose, / Mas claro que eu te amo e tu me amas: / Ou que função teria a esclerose? ”

- Alex Nascimento é natalense. E ‘Alma Gentil’ é um lançamento da Editora Clima. ”

Em seguida, com o subtítulo “Poemas Minimalistas”, Sérgio Castro escreveu assim sobre o livro de Luís Carlos Guimarães:

“Os poemas minimalistas que Luís Carlos Guimarães pretende reunir em livro tratam das coisas miúdas, das migalhas de Deus. São grilos, cantos de muro, lagartixas, palitos de fósforo, toda uma ‘arraia miúda’ que, para os mais circunspectos, não passa de sobejo ou de uma espécie de ‘escória temática’. Porém, a grandeza desses poemas minimalistas consiste justamente em reciclar o aparente ‘monstro’ que, para muitos, apenas atravanca os caminhos da poesia. ”

“Luís Carlos Guimarães é autor, dentre outros livros, de “Ponto de Fuga” e “Sal do lírico”. A seguir, dois dos seus poemas “minimalistas: ”

“Homem da perna postiça

se sente quase parente

da porta sem dobradiça”.



“Posto à beira do caminho

São Francisco tira o cisco

do olho de um passarinho. ”
A acácia do poeta
Na mesma pasta encontro a cópia de um imeio que Nei Leandro de Castro me enviou do Rio de Janeiro, dia 28 de novembro de 2004. O mote foi o Jornal de WM daquele domingo falando das acácias amarelas que embelezavam as ruas de Natal. Entre elas, a da calçada da casa de Luís Carlos Guimarães, aqui da rua Heráclito Vilar, Barro Vermelho. Fala Nei Leandro:

“Meu amigo Woden,

Você me trouxe de volta neste domingo a presença do nosso querido Lula. Me lembro, sim, da acácia da Heráclito Vilar, derramando ouro sobre a calçada do poeta. Me lembro do poeta, sempre sobrecarregado de ternura (no aeroporto de Lisboa, no ano 2000, ele pagou por excesso dessa carga), com aquele andar de albatroz de Baudelaire. Me lembro do seu grito de guerra: “Bebe-se nesta casa? ”

E aí começava o festival de vinhos, comidas extravagantes, festival de poesia, onde um verso lírico, um poema apaixonante acendiam mais o azul dos seus olhos. Na saudade que dói, machuca, maltrata nesta manhã de primavera, dá vontade de parodiar Neruda: “Posso escrever os versos mais tristes esta manhã. Escrever por exemplo: as acácias da Heráclito Vilar estão florindo e Luís Carlos Guimarães já não pode vê-las”.

Turismo rural
O trabalho científico “Vida na Roça para gente na Cidade: uma proposta de turismo rural na Zona da Mata Potiguar (RN/Brasil) ”, de autoria das professoras Maria das Graças Venâncio, da UFRN, e Mônica Visconti, da UFRJ, foi aprovado pela Comissão Científica da IV edição do Internacional Fórum on Management (IFM).

O evento acontece no mês de março (de 5 a 7) em Lisboa, organizado pelas Universidades de Évora/Algarves e Aberta de Lisboa. Segundo seus organizadores, o IFM “é um espaço de reflexão e partilha de conhecimentos, perspectivas e abordagens que procura contribuir para a divulgação de conhecimento científico, desenvolvimento de boas práticas organizacionais e formulação de políticas públicas. ”

Inverno
Quatro dias depois da Emparn divulgar que 2020 será um ano de inverno normal no Rio Grande do Norte, com chuvas variando entre 800 a 1.200 milímetros (isso foi sexta-feira, sexta-feira, 17), a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) anunciou na terça-feira, 21, as previsões de chuvas naquele Estado para os meses de fevereiro, março e abril.

Segundo o estudo da Funceme o Ceará “tem 45% de chance de receber chuvas acima da média para o trimestre, já a probabilidade das precipitações ficarem em toro da média é de 35% e de ficar abaixo da média é de 20%”.

Para o presidente da Funceme, Eduardo Sávio, o prognóstico é mais otimista do que o do ano anterior. Disse ainda que o Ceará tem “um cenário mais favorável ao centro-norte do Estado em relação ao sul, onde poderemos observar categorias em torno de normalidade ou até mesmo em algumas regiões no extremo sul abaixo da média. ”

Na Paraíba
Semana de muitas chuvas na Paraíba, mais concentradas nas regiões do Sertão, pegando o Cariri e, também, o Brejo, arredores da Borborema. Na terça-feira, 21, no município de Lagoa Seca, vizinho de Campina Grande, choveu 82 milímetros, em Esperança, um pouco mais em cima, 61, em Campina Grande, 41 milímetros. Em Cachoeira dos Índios, no Sertão Paraibano, fazendo divisa com o cariri cearense, choveu 78 milímetros.

Janeiro vai passando da média histórica.





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