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Alex Medeiros
Poesias de México e Polônia
Publicado: 00:01:00 - 30/06/2022 Atualizado: 21:51:00 - 29/06/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Na data de hoje, em que o calendário divide o ano em dois semestres, nasceram dois grandes poetas contemporâneos, personalidades literárias que compuseram a história cultural do século XX com forte influência neste século que seque. Em 30 de junho de 1911 nasceu na Polônia o escritor e poeta Czeslaw Milosz, aquele que escapou do nazismo e depois da ditadura comunista, se instalando nos EUA e ganhando o Nobel de Literatura de 1980.

Divulgação


Em 30 de junho de 1939, o ano em que a Polônia de Milosz foi invadida pelas tropas de Hitler, nascia no México o poeta José Emílio Pacheco, um dos mais amados por seu povo, assim como foi Octavio Paz que era um jovem de 25 anos quando Pacheco veio ao mundo. Poeta, ensaísta e tradutor, integrante da Academia de Letras do México, José Emílio é considerado um dos mais relevantes literatos do país. O polonês morreu em 2004, o mexicano em 2014.
Abaixo, um poema de cada:

ARTE POÉTICA
(Milosz)

Eu sempre aspirei 
a uma forma mais espaçosa
que estaria livre das reivindicações 
de poesia ou prosa
e nos deixaria entender 
um ao outro sem expor
autor ou leitor a 
sublimes agonias.

O propósito da poesia 
é nos lembrar
como é difícil permanecer 
apenas uma pessoa,
pois nossa casa está aberta, 
não há chaves nas portas,
e convidados invisíveis 
entram e saem à vontade.

O que estou dizendo aqui 
não é, concordo, poesia,
como os poemas devem ser 
escritos raramente e com relutância,
sob pressão insuportável 
e apenas com a esperança
que os bons espíritos, não os maus, 
nos escolhem como seu instrumento.

CONTRA A KODAK
(Emílio)

Coisa terrível a fotografia
pensar que nestes 
objetos quadrangulares
jaz um instante de 1959

Rostos que já não são
ar que já não existe
porque o tempo vinga-se
daqueles que rompem 
a ordem natural
detendo-o
e amassa as fotos 
quebra-as, amarelece-as

Não são a música do passado
são o estrondo
das depenadas ruínas internas
não são o verso
mas sim o estalido
que inaugura a nossa 
irremediável cacofonia.

Coluna 900 
Hoje eu chego ao número de 900 colunas editadas na Tribuna do Norte nesta segunda passagem pelo jornal criado por Aluízio Alves em 1950, no mesmo ano do surgimento da televisão no Brasil. Em 1995, fiz aqui mais de 200 colunas.

Brasil 58 
Poucos sabem disso. Quando Aluízio Alves me pediu uma ideia de grade de programação para uma nova TV que se incorporaria ao grupo Cabugi, tivemos uma boa conversa onde ele contou que esteve na Suécia durante a Copa 1958.

Parlamento 
Aluízio, que disse não ter interesse em futebol, revelou que na histórica copa fez parte de uma comitiva de deputados que foram ao Parlamento europeu. E todos viram a final Brasil x Suécia, menos ele que ficou escrevendo relatório no hotel.

Desejos 
Alguém já disse que em política não há convicções, mas só conveniências. Algumas lideranças opositoras do PT apostam num complicado segundo mandato de Fátima para que o fracasso petista favoreça seus nomes em 2026.

Tristeza 
Enquanto nulidades enriquecem com subcultura, um gênio musical como Aírto Moreira passa privações com a saúde fragilizada e sua mulher, Flora Purin (maior cantora dos EUA algumas vezes) faz vaquinha entre os poucos amigos.

Os Dez 
De Valdir Julião: “Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldinho, Didi, Nilton Santos, Gerson, Friedenreich, Leônidas, Zizinho”. E de Diogo Medeiros: “Pelé, Zico, Romário, Garrincha, Falcão, Neymar, Rivellino, Gerson, Tostão, Ronaldo”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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