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Polícia Civil vai investigar bilhetes em penitenciárias do RN
Publicado: 00:01:00 - 10/05/2022 Atualizado: 22:11:16 - 09/05/2022
A Polícia Civil confirmou que abriu inquérito para investigar a entrada de bilhetes de criminosos em penitenciárias do Rio Grande do Norte. As oitivas começam nesta terça-feira (10) e visam apurar os episódios atribuídos a  advogados durante visitas aos seus clientes. 

Adriano Abreu
Dos 10 casos flagrados pela Seap, sete deles foram na Penitenciária de Alcaçuz

Dos 10 casos flagrados pela Seap, sete deles foram na Penitenciária de Alcaçuz


De acordo com a Polícia, o inquérito será conduzido pela Delegacia de Nísia Floresta, município onde é localizado o Complexo Penal de Alcaçuz. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), apenas neste ano foram identificados dez episódios de bilhetes encontrados com profissionais do direito - sete em Alcaçuz. A Polícia Civil, no entanto, não confirmou a quantidade de pessoas que serão investigadas, nem quais crimes estão sendo investigados.

Por conta da prática, os advogados precisam, agora, passar por um aparelho de raio-x (bodyscam) semelhante aos já utilizados nos aeroportos. Além disso, estão limitados a apenas 30 minutos de atendimento por cliente. Diante da norma, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) afirmou que discorda da rigidez nas medidas, alegando que essas ferem o livre exercício da profissão dos bacharéis e o direito constitucional de defesa do cidadão, mas informou que apura o caso de advogados envolvidos na comissão de ética.

Bilhetes
Os apenados não têm acesso a celulares e estariam se comunicando com integrantes do crime organizado através dos bilhetes. Nas mensagens, algumas delas encontradas no banheiro da sala de atendimento aos advogados, a Seap afirmou que chegou à informação de que os criminosos pagavam até R$ 1 mil por mensagem levada pelos advogados: “Não vou mais mandar gravata (advogado) aí porque CADA IDEIA É MIL REAIS”, diz um dos bilhetes.

Foram identificados crimes como tráfico de drogas, porte e posse de arma de fogo e movimentação detalhada financeira da organização criminosa. “Em relação a LSD, para conseguir e ajeitar o material, a mulher de XXXXX que vai ensinar como fazer acontecer. Aonde estão os MÓNEIS, O FERRO (ARMA) E OS DINHEIROS, ele ficou na mão dela”, diz umas das mensagens apreendidas. “Em cima da idéia do XXXXX, já que ele vem passando por cima das idéias é para afastar ele da QBD e para brecar ele de vender por 6 meses, se passar por cima, levar ele para o  conselho e explicar o que levou a isso. Caso passe por cima das ideias do XXXXX, XXXXX e do conselho, já era. Em cima das mercadorias, os manos XXXXX e XXXXX, tão com autonomia de abastecer geral”, ordenava em outro bilhete, no qual QDB é a sigla de quebrada, ponto de venda de drogas; e  conselho é o mesmo que a liderança de facção.

Com outro advogado, também em Alcaçuz, teria sido apreendido o seguinte bilhete: “Aí XXXXX tá sabido demais. O cavalo láeu tenho interesse mas desse valor não. O cavalo lá eu conheço. Dá pra ficar por 65 1 de leite 1 de oro 10 mil”. E para uma advogada, o recado trataria da disputa por pontos de venda de drogas: “Mano velho, o que eu posso fazer para te ajudar é colocar dois aviões lá no campo, desde que pegue comigo. Se você encantar de mandar colocar avião para trabalhar com mercadoria dos outros não vai dar certo porque eu vou mandar parar”.

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