Polícia conclui que vendedor de carro foi vítima de ladrões. Dois suspeitos são presos

Publicação: 2018-07-12 15:12:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

Dois anos após o crime que tirou a vida do vendedor de carros Rodrigo Medeiros dos Santos, no dia 25 de março de 2016, os principais suspeitos de terem cometido o assassinato, tido como latrocínio pela Polícia Civil, foram presos. As prisões foram efetuadas nesta quarta-feira (11), no município de Parnamirim. Ao todo, quatro pessoas serão responsabilizadas, em níveis diferentes, pelo crime: dois homens, e duas mulheres. O corpo de Rodrigo foi encontrado na rua Doutor Nilo Bezerra Ramalho, após ter sido atropelado duas vezes pelos criminosos, que fugiram no carro da vítima e utilizaram o veículo para praticar assaltos em Parnamirim. 

Um dos suspeitos, Francisco Eliomar Faustino Júnior, de 24 anos, já havia sido preso em uma operação anterior, que visava desarticular uma quadrilha de roubo de carros da qual ele faria parte. O outro suspeito, que não teve o nome divulgado pela polícia, foi preso na quarta-feira em sua residência, no município de Parnamirim. Apesar de atualmente ter 19 anos, à época do crime ele tinha 17, e vai responder como menor de idade às acusações. Além deles, duas mulheres também estão presas, e devem responder por delitos menores envolvendo a quadrilha formada pelo grupo, mas não pelo latrocínio em si.

“Não mataram só meu filho. Tiraram a minha alegria de viver”, diz Rita Santos sobre a morte de Rodrigo
“Não mataram só meu filho. Tiraram a minha alegria de viver”, diz Rita Santos sobre a morte de Rodrigo

Ainda no início das investigações, a hipótese de latrocínio foi colocada em segundo lugar pela polícia, em razão das características do crime, que divergem dos latrocínios geralmente praticados no Brasil, como explicou o delegado titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcos Vinícius Pereira. “Geralmente, o crime de latrocínio se caracteriza pela tentativa de fuga imediata após a morte da vítima. O que o criminoso quer é fugir o mais rápido possível do local, para não ser ligado ao crime”.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (12), na Delegacia Geral de Polícia, o delegado Marcos Vinicius e o delegado Ben-Hur Medeiros, que na época do crime era o delegado titular da DHPP, detalharam as circunstâncias do crime que tirou a vida de Rodrigo. “Acreditamos que, enquanto estava no carro, ele ainda não estava morto. Os criminosos passaram muito tempo com ele dentro do carro até tentarem se livrar do corpo, que fizeram jogando para fora do veículo e atropelando. Não satisfeitos, eles deram a volta e passaram novamente pelo corpo de Rodrigo”, explica Ben-Hur. 

Apesar das prisões efetuadas, todas as circunstâncias do crime ainda não foram esclarecidas. Na noite em que foi morto, Rodrigo, de acordo com a família, não queria sair de casa. Ele teria declinado um convite para sair com familiares e, após receber uma ligação, resolveu sair. Do intervalo de tempo entre sua saída de casa e a abordagem dos criminosos, ainda não se sabe. “O que aconteceu dentro do carro, e nesse intervalo, é algo que apenas quem estava lá dentro tem como dizer”, afirma Marcos Vinicius. 

Os dois homens acusados de cometer o assassinato de Rodrigo negam o crime. Uma mulher, em depoimento à polícia, disse que ouviu uma ligação telefônica entre os integrantes do grupo em que foi dito “que o roubo deu errado e que eles acabaram de matar um homem, de quem a princípio iriam apenas roubar o carro”.

Para a família, a prisão não foi capaz de sanar o vazio deixado pela perda do filho, pai e irmão. “O sentimento de dor não é aliviado. Esses dois anos foram de muita luta, e nunca desistimos de buscar por justiça e de saber o que de fato aconteceu com ele. A prisão, no entanto, nos traz o alívio de que a maldade que essas pessoas cometeram com ele, que era um homem bom, não vai voltar a acontecer com outras pessoas”, conta a irmã de Rodrigo,  Milena Medeiros. 

Em junho deste ano, a TRIBUNA DO NORTE esteve com a mãe de Rodrigo, Rita de Medeiros dos Santos. Dois anos após a morte do filho, o desejo era apenas uma: que Rodrigo não virasse apenas mais um número nas estatísticas de violência do Rio Grande do Norte que, este ano, teve o maior índice de crescimento de homicídios do país, de acordo com o Atlas da Violência 2018.





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