Polícia Federal apreende cocaína em carga de sal que sairia do porto de Natal

Publicação: 2019-09-06 00:00:00 | Comentários: 0
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A Polícia Federal apreendeu 66 tabletes de cocaína no Porto de Natal na tarde desta quinta-feira (5). De acordo com a assessoria de imprensa da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), o entorpecente estava acondicionado no contêiner de sal empacotado, que não foi inserido na área portuária.

A droga estava escondida dentro de sacos de sal refinado pesando 25 kg cada. A carga de 720 sacos e iria para a Bélgica
A droga estava escondida dentro de sacos de sal refinado pesando 25 kg cada. A carga de 720 sacos e iria para a Bélgica

Segundo a Polícia Federal, a carga seria levada para a Antuérpia, na Bélgica. O material apreendido foi levado para a sede da Polícia Federal, onde foi  pesado e quantificado. Dessa vez, a droga estava escondida dentro de sacos de sal refinado pesando 25 kg cada. A carga, com um total de 720 sacos, seria embarcada no Porto de Natal com destino ao Porto de Antuérpia, na Bélgica.

Os tabletes, num total de 66 unidades, pesando cerca de 70 kg, foram detectados quando os sacos, contendo o sal refinado, foram submetidos à inspeção não invasiva por meio do uso de escâner de bagagem, do tipo dos que são utilizados em aeroporto e que atendem, no Porto de Natal, a inspeção de cargas acondicionadas em pequenos volumes. A Polícia Federal segue nas investigações para identificar os responsáveis pela carga ilícita.

O tráfico internacional de drogas através do Porto de Natal é uma das três principais rotas do Brasil, segundo a PF. Até maio, 4,4 toneladas de cocaína foram apreendidas no local.

O tráfico internacional de drogas através do Porto de Natal é uma das três principais rotas do Brasil, de acordo com o delegado da Polícia Federal, Agostinho Cascardo. A maior preocupação da segurança é que o período de escoamento da safra de frutas para a Europa inicia agora este mês e o porto está sem um dos equipamentos necessários à fiscalização, um escâner de contêireres. Até então, as cargas de drogas haviam sido encontradas em cargas de frutas.

Segundo a Polícia Federal, o local se tornou uma das rotas brasileiras mais utilizadas para o tráfico, com pelo menos 11 toneladas interceptadas no período de um ano. Enquanto não opera com o escâner, a fiscalização das cargas que saem do Porto de Natal é feita com o auxílio de um cão farejador e outros métodos, na tentativa de “mitigar” o tráfico internacional de drogas.

Investigação
O porto de Natal está entre os três portos no país que são rota do tráfico, além do de Santos, em São Paulo e Paranaguá, no Paraná. O de Natal tem o menor volume de exportações de cargas – são nelas que a cocaína é escondida. Nos três primeiros meses deste ano (de janeiro a março), segundo dados consolidados dos três portos, Santos movimentou 30 milhões de toneladas de mercadorias; Paranaguá, 5,5 milhões; e o Porto de Natal, 136 mil. Proporcionalmente, Natal tem o maior volume de cocaína entre as exportações realizadas.

“Não tenho dúvidas de que o Porto de Natal está entre as três principais rotas marítimas do tráfico”, afirmou Cascardo. O delegado se baseou na quantidade de drogas e na frequência das apreensões antes delas serem exportadas com destino à Holanda e Espanha. As apreensões feitas em solo europeu de cargas que saíram de Natal não foram consideradas - contando com essas, Natal movimentou mais de 12 toneladas em oito meses.

Historicamente, o Porto de Santos é o principal ponto para o tráfico de cocaína, chegando a 23 toneladas apreendidas só em 2018. Este ano, as apreensões chegam a 8 toneladas e a frequência ainda é alta – nesta segunda-feira, 13, no mesmo dia em que 1,1 tonelada foi encontrada em Natal, 300 quilos de cocaína foram flagrados em Santos.

O que tornou o Porto de Natal uma rota principal para o tráfico internacional em pouco tempo foi a falta de segurança do local, ao mesmo tempo em que a PF e a Receita Federal intensificavam as operações no Porto de Santos. Essa migração, segundo Agostinho Cascardo, “é natural”. “Depois que começou a ser intensificado lá, eles começaram a migrar para o norte e nordeste. Entre os portos do nordeste, o de Natal tem um bom escoamento e uma fiscalização mais difícil para a Polícia Federal e para a Receita”, completou. A Polícia Federal afirma que não parou de fiscalizar as cargas “em momento nenhum” desde que a cocaína foi encontrada no local. 

Fiscalização
A falta do escâner de contêineres no Porto de Natal é uma razão apontada pela PF como facilitadora do tráfico internacional. O equipamento consegue detectar “anomalias” nas cargas sem precisar abri-las.

Desde que as primeiras apreensões de drogas foram feitas no Porto de Natal, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) afirma que tenta comprar o equipamento.

Números
66 tabletes de cocaína foram encontrados em meio a carga com sacos de sal refinado que iria desembarcar na Antuérpia.

70 quilos era o peso aproximado da cocaína encontrada na tarde de ontem no porto de Natal pela fiscalização da PF.




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