Polícia Federal prende Wesley Batista

Publicação: 2017-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - A Polícia Federal prendeu preventivamente, em São Paulo, o empresário Wesley Batista — presidente da JBS — na Operação Acerto de Contas, 2ª fase da Tendão de Aquiles. Há uma ordem de prisão contra o empresário Joesley Batista, irmão de Wesley, donos da J&F.

Presidente da JBS e irmão de Joesley, Wesley Batista é levado para a superintendência da Polícia Federal, em São Paulo
Presidente da JBS e irmão de Joesley, Wesley Batista é levado para a superintendência da Polícia Federal, em São Paulo

Joesley já está preso temporariamente, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), desde domingo, 10, por suspeita de violação de sua delação premiada.

Os executivos são investigados na Tendão de Aquiles em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido com a venda de dólares às vésperas da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F.

No pedido de prisão da Polícia Federal diz que "há provas que os irmãos agiram pessoalmente para manipular ações do grupo no mercado". A PF cumpriu também dois mandados de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF como decorrência dos fatos investigados desde que teve início o inquérito policial nº 120/2017, conhecido como operação Tendão de Aquiles - que investiga o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio de 2017, data de divulgação de informações relacionadas a acordo de colaboração premiada firmado por ambos os presos e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A 1ª fase foi deflagrada em 9 de junho quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.

A investigação apura dois eventos. O primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na Bolsa de Valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

Em nota, a PF informou que após a deflagração da primeira fase da operação, com intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários, "policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas".

Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

Negociação
A venda de ações da JBS antes da delação dos controladores da empresa vazar na imprensa evitou prejuízo potencial de R$ 138 milhões aos irmãos Batista, segundo a Polícia Federal, que hoje fez entrevista à imprensa para comentar a prisão preventiva de Wesley Batista.

Os delegados da PF, Rodrigo Costa e Victor Hugo, explicaram que contaram com a colaboração da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nas investigações, que identificaram dois crimes distintos, mas ligados um ao outro: a compra e venda de ações e a compra e venda de contratos futuros de dólar. Ambos ocorreram antes do áudio da conversa de Joesley com o presidente Michel Temer vazar e também antes da delação dos empresários vir a público.

Segundo os delegados, como os irmãos Batista detinham informações que outros acionistas não tinham, eles acabaram embolsando lucros com a operação, enquanto todos os demais acionistas tiveram que arcar com os prejuízos.

No caso da venda de ações antes da delação, o delegado Victor Hugo ressaltou que irmãos Batista detêm 100% da empresa FB Participações, que por sua vez detinha 42,5% da JBS SA. "Eles tinham consciência de que quando o acordo de delação viesse à tona, iria ter impacto no mercado, provocando desvalorizando das ações da JBS", disse o delegado.

Assim, Joesley Batista determinou a venda pela FB de 42 milhões de ações da JBS a R$ 372 milhões. Ao mesmo tempo, a própria JBS, presidida por Wesley, passou a recomprar esses papéis. Ao fazer isso, segundo Victor Hugo, eles evitaram desvalorização maior das ações e diluíram o prejuízo com a queda dos papéis no momento que a delação fosse divulgada.

"A maior parte do prejuízo com a queda das ações não ficou com os irmãos Batista, mas com os outros acionistas", disse o delegado da PF. No dia seguinte ao vazamento da delação, os delegados ressaltaram que o dólar disparou 9%, a maior alta desde 1999, e ocorreu uma queda de 8,8% do índice Ibovespa, a pior desde 2008. No mesmo dia, os papéis da JBS chegaram a cair 37%. "A venda antecipada de ações evitou um prejuízo potencial de R$ 138 milhões", disse Victor Hugo.

"O que impressiona a todos é que esses crimes são gravíssimos", disse o delegado, ressaltando que os delitos foram praticados pelos dois empresários que já haviam se comprometido com a Justiça a colaborar e não cometer crimes.

Os delegados explicaram que os crimes dos irmãos Batista foram comprovados por mensagens eletrônicas, depoimentos, relatórios da CVM e laudo pericial. "Os investigados lucraram milhões de reais com essas operações ilícitas." A vítima, disse Victor Hugo, não é só os demais acionistas da JBS, mas o Brasil e o próprio mercado financeiro, que tem a confiança abalada.


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