Polícia Militar atua com 30% a menos

Publicação: 2015-01-08 00:00:00 | Comentários: 1
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Nadjara Martins
repórter

Reordenar o policiamento e explorar ao máximo os recursos humanos existentes são as metas do Plano Emergencial para Segurança Pública, anunciado ontem (7) pelo governador do Estado, Robinson Faria. De acordo com o chefe do Executivo, a cúpula da segurança deve adotar, a partir deste mês, medidas que vão desde a convocação dos policiais cedidos a outros órgãos – hoje mais de 800 PMs –, até a fusão de delegacias e ampliação dos recursos para diárias operacionais.
Humberto SalesRobinson anunciou reordenamento do policiamento e ampliação de verba para diárias operacionaisRobinson anunciou reordenamento do policiamento e ampliação de verba para diárias operacionais

Em entrevista coletiva concedida na Governadoria, Faria reiterou a meta de ter 300 policiais por dia reforçando o policiamento na Região Metropolitana de Natal e no interior, a exemplo do que aconteceu um dia após a sua posse, em 2 de janeiro. Entretanto, a média de homens que se apresentam voluntariamente ainda é baixa: somente 58 policiais se apresentaram ontem, segundo a PM, o que aponta uma desconfiança por parte dos policiais.

 Com 30% dos 8.848 homens que compõem o efetivo da Polícia Militar fora do policiamento ostensivo – entre cedidos para outros Poderes e instituições, afastados por licença médica e férias – e a  impossibilidade de novas contratações pelo funcionalismo devido à Lei de Responsabilidade Fiscal, porém, o Estado decidiu perseguir a meta de “fazer mais com menos”.

De acordo com Faria, o Governo colocará policiais que exercem atividades administrativas para o policiamento nas ruas, fará a convocação de todos os PMs cedidos (e sua posterior redistribuição), bem como ampliará o recurso disponível para policiais que decidirem fazer hora extra – as famigeradas diárias operacionais.

“O governo vai otimizar as áreas mais importantes. Vamos cortar gastos em outras áreas para não faltar dinheiro para a segurança para diárias operacionais, pagar carros alugados e o combustível. Vamos criar um Comitê Permanente de Segurança para acompanhar a área até o final do mandato”, afirmou Robinson. O comitê, formado pela Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social (Sesed), Corpo de Bombeiros, Polícias Civil e Militar e Instituto Técnico-Científico da Polícia Civil (Itep) se reunirá uma vez por semana com o novo governador.

Uma das prioridades, de acordo com Faria, será a convocação de todos os policiais cedidos: um total de 800 oficiais e praças estão distribuídos no Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Gabinete Civil, Força Nacional, Ministério Público e Sesed. Há dois anos, em reportagem publicada pela Tribuna do Norte, o número chegava a 1.778 policiais. “Já estamos agindo com os demais Poderes para devolver os policiais. Com todo o respeito aos Poderes, mas não podemos deixar de convocar policiais. Não adianta atender um serviço sem atender a um clamor maior, que é a segurança do Estado”, asseverou.

De acordo com a secretária estadual de Segurança, Kalina Gonçalves Leite, o principal problema da segurança hoje é o déficit de pessoal: 70% na Polícia Civil (a lei determina quadro de 5 mil, só há 1.600), 35% na Polícia Militar (dos 13.466 PMs, apenas 8 mil estão na ativa) e 50% no Corpo de Bombeiros (do 1.065 previstos, 642 estão na ativa).

“Vamos utilizar o pessoal da área administrativa em ações isoladas, mas urgentemente. Estas ações já estão planejadas e nós vamos implementá-las”, pontuou o comandante da PMRN, comandante Ângelo Dantas. Além disso, apesar dos anúncios, nenhum dos integrantes da cúpula forneceu detalhes sobre prazos para que as medidas como a convocação dos cedidos ou utilização do quadro administrativo sejam adotadas.

Kalina Leite, acrescentou que o governador autorizou o uso dos “recursos financeiros que forem necessários” para o pagamento das diárias operacionais, mas não estimou um teto para o dispêndio. Assinalou ainda que, por enquanto, não há previsão de pagamento das diárias remanescentes da antiga gestão: uma dívida estimada em R$ 1,5 milhão de operações na Copa do Mundo, Carnaval e Enem.

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Comentários

  • bezerra-filho

    É, e ninguém fala no SISTEMA PRISIONAL. Na verdade, os governos de esquerda e seus aliados, não consideram o sistema prisional como um caso de segurança pública. Na ótica deles, os presos, são VÍTIMAS da sociedade. O ambiente penitenciário, não serve de punição e sim, de RESSOCIALIZAÇÃO. Deve, tentar ao máximo, se igualar ao ambiente de casa, como se o preso estivesse solto, para não impactar nem TRAUMATIZAR o interno. Agente Penitenciário, é somente para CUIDAR do preso, como uma mãe ou um pai, cuidam de seu filho. Porém, voltando ao MUNDO REAL, cerca de 70% dos crimes, tem envolvimento direto e/ou indireto de presos. As prisões estão dominadas pelas facções criminosas, que comandam as ações criminosas de dentro das unidades penais. A conta quem paga, e vai continuar pagando, é a SOCIEDADE. Enquanto não se mudar, esse discurso HIPÓCRITA, e não tratar o sistema prisional como peça fundamental da segurança pública, não se resolverá o problema da criminalidade no Brasil.