Política de redução de danos

Publicação: 2018-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Lydia Medeiros

Com Lula praticamente fora das urnas e as incertezas sobre seu plano B, o PT tenta minimizar os impactos da perda de poder político do partido na sua capilaridade pelo país. Minas Gerais está no centro. No maior colégio eleitoral sob seu comando, a legenda vê dificuldades para reeleger Fernando Pimentel, que enfrenta problemas na Justiça e, com um rombo no caixa do estado, tem a gestão criticada. Para os petistas, perder Minas significa limitar a força política da sigla ao Nordeste. Para aumentar as chances de Pimentel, o PT pressiona o PSB, numa estratégia nacional, a abandonar a candidatura de Marcio Lacerda e se aliar ao governador por sua reeleição.

Aperta daqui e dali
Reunião entre Lula e os petistas de Pernambuco, na última sexta-feira, redobrou a pressão sobre o PSB nacional. Neta de Miguel Arraes e prima de Eduardo Campos, a vereadora de Recife Marília Arraes, que trocou o PSB pelo PT, recebeu aval do ex-presidente para manter a pré-candidatura ao governo do estado contra a reeleição do socialista Paulo Câmara. Lula acredita que o PSB deve fazer mais concessões ao PT em nível nacional se quiser o apoio petista num reduto eleitoral tão simbólico para os socialistas. Entre os gestos pretendidos, além de um apoio em Minas, está uma defesa mais enfática do partido contra a condenação judicial do ex-presidente.

‘Não dá’
Amigo de Raul Jungmann (Segurança Pública) e apoiador da intervenção no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), disse que a proposta do novo ministro de criar um fundo privado para bancar as ações não resolverá o problema. Repetidas vezes, Maia pregou contra o movimento de Jungmann a interlocutores ontem.

Dever de casa
Enquanto tenta se organizar eleitoralmente, a articulação do PT para emparedar o Planalto encontrou um dificultador na área da Segurança Pública: o partido descobriu que não tinha nada alternativo a propor à população. A avaliação interna é de que os governos Lula e Dilma tiveram pudor em encarar o tema por receio de se indispor com os movimentos sociais ligados a direitos humanos. O resultado foram 13 anos sem ações concretas na área. O partido agora corre contra o tempo. Ontem, no Senado, fez evento sobre segurança cidadã. E determinou a Fernando Haddad, coordenador do programa de governo de Lula, que se debruce urgentemente em propostas que possa apresentar nas eleições.

Atrasado
Pré-candidato ao Planalto, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, queria tirar uma lasquinha do encontro do presidente Michel Temer com prefeitos, na tarde de ontem. Mas o evento de Meirelles em Cuiabá (MT) atrasou e ele chegou a Brasília já quando a solenidade de liberação dos R$ 2 bilhões para os prefeitos estava no fim. O ministro teve que se desmobilizar.

Previsão ruim
Mais da metade das prefeituras (52,9%) não conseguiu pagar todas as contas previstas para 2017 e deixou os chamados “restos a pagar” para 2018. O dado faz parte de estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que mostra também a dificuldade dos prefeitos em quitar dívida com fornecedores (52,9% atrasaram pagamentos). “Os municípios assumiram, nas últimas décadas, muitas atribuições da União e dos estados nas áreas de Saúde, Educação e assistência social. Fizeram inadvertidamente parcerias com a União em programas subfinanciados e não têm como pagar”, diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, que prevê uma situação pior no fim deste ano.

Xadrez ministerial
O presidente Michel Temer marcou, para a sexta-feira, conversas sobre troca dos ministros. Temer não quer esperar a data-limite, no início de abril, para tomar as decisões sobre a nova Esplanada. A aliados, o presidente disse que quer evitar a “síndrome do café frio”, ou seja, o clima de fim de governo.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários