Artigos
Política, veraneio e debate necessário
Publicado: 00:00:00 - 13/01/2022 Atualizado: 23:42:01 - 13/01/2022
Garibaldi Filho
Ex-senador

Estamos em plena temporada do veraneio. Neste período, as especulações, no Rio Grande do Norte, às vezes, tomavam conta do noticiário político, com as cogitações vindas dos chamados “alpendres e varandas”. 

As conversas resultavam em manchetes nos jornais e, mais recentemente, em notas nos blogs sobre candidaturas e alianças. Muitas vezes não se tratavam de meras especulações, mas sim de articulações que realmente estavam em curso. 

Mas, agora, isso tem se mostrado de um modo rarefeito,  a despeito de estarmos a nove meses das eleições. 

A verdade é que essas conversas muitas vezes não tratavam de rumos efetivos e definições, mas meras análises sobre situações e possibilidades. Os candidatos precisam ter apoio popular, os partidos não podem definir o curso de suas candidaturas sem a consulta às lideranças e bases, sob pena de não contarem com a adesão  de que tanto precisam no decorrer da campanha. Por isso, os alpendres têm seus limites.

Mas, não é só por isso que as conversas do verão parecem não ter as repercussões de outrora. 

Certamente, para isso, também concorre a polarização existente no cenário nacional. 

Não contamos com pré-candidatos à Presidência capazes de exercitar a imaginação daqueles que gostariam de contar com uma terceira via capaz de povoar o entusiasmo dos que buscam um nome que não esteja nos extremos.  Isso tem suas implicações.

Alguém já reclamou que estamos em um “deserto de ideias”. Podemos acrescentar que passamos por um tempo árido de líderes aptos a mobilizar a nação.  

Convenhamos que isso não vem acontecendo e, certamente, o país está enfrentando uma crise sem precedentes. 

Nesta conjuntura, como dar prioridade a “futricas” diante de uma realidade atemorizante como a nossa?

Ao mesmo tempo, sabemos todos da importância desta temporada, envolvendo os entendimentos pré-eleitorais. 

O certo é que não pudemos mais aceitar que a campanha transcorra sem debates, como tivemos na eleição presidencial anterior. Portanto, esta é a expectativa que gostaríamos que fosse predominante neste momento. 

Esperemos que os nossos atores possam enveredar pelos temas centrais da realidade política e econômica. 

Houve a iniciativa do governador do Estado de São Paulo, João Doria, ao afirmar que as privatizações, concessões e parcerias terão destaque no plano de governo que está em elaboração para que apresente ao concorrer à Presidência da República. 

No desenho que chama de um amplo projeto de desestatização, o candidato vai incluir a privatização do Banco do  Brasil e o fatiamento e leilão da Petrobras, dois símbolos  estatais.

Em relação ao BB e à Caixa Econômica, a avaliação  do próprio governador é de que não há espaço para essas duas instituições financeiras controladas pelo Estado. 

Por outro lado, os petistas, tendo à frente o ex-presidente Lula, deflagraram a discussão sobre a possibilidade de revisão de pontos da reforma trabalhista.
Essas visões estarão em discussão na campanha. Outras devem ser apresentadas. O conflito de ideias, sem ataques pessoais, é salutar e deve ocorrer de forma clara para deixar o eleitor ciente do que pensa cada candidato e os que ficarão responsáveis por auxiliar quem chegar ao Palácio do Planalto. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte