Pomos retóricos

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Que venham as bananas de dinamite, Senhor Redator. E que venham logo. Ou então as trombas dos tratores, as pás, picaretas, quem sabe, as estrovengas. Que venham, numa fila indiana, todos os instrumentos perfurantes e cortantes. De preferência, os mais agudos e, se for possível, até os pontiagudos. Principalmente, os mais ferozes para que, sem nada esperar, nem a assinatura da governadora, comecem a inadiável demolição do Hotel dos Reis Magos.

Só assim, varrido o último resquício de suas ruínas, seja encerrado, de vez, e removido para sempre, o monstro que impede nossa entrada na era do desenvolvimento. Pelo jeito, os projetos estão feitos e o dinheiro já ouve a conversa. Levado o último tijolo ou cobogó, se for o caso, todas as coisas andarão melhor por estes sítios, desde a velha Mata de Petrópolis que se derramava até o mar, e onde nosso Cascudinho passeava a cavalo, de polainas e monóculo.

As ruínas do Hotel Reis Magos, lá onde eles, os pobres reis, já foram decapitados pelo abandono, são o mais perfeito exemplo de nossa capacidade de sublimação. Nelas soubemos guardar - a rigor escondemos - toda a nossa incapacidade para a superação que grassa e assola de ineficiência nossa falta de criatividade. Se não construímos, ora, destruímos, e chamando porcaria. Pondo numa palavra - e basta - a culpa que, do contrário, cairia sobre nós mesmos.

Somos assim, desde os mais antigos antanhos. Quando das Capitanias Hereditárias El Rey de Portugal, bom e pressuroso, deu de presente ao intelectual da corte portuguesa, o ‘mui lido senhor João de Barro’, esta capitania que vai do sertão até o mar. Muito distante de Lisboa, em longo caminho pelo oceano, do qual falava Camões, aqui nosso donatário nunca veio, o que não chega a ser surpresa, tal tem sido a soberba desse destino de terra de ninguém.

Em busca dos nossos índios Potiguares - hoje refugiados na Baía da Traição, lá na Paraíba - vieram os portugueses, franceses e holandeses, cheios de ambição, mas esta é outra história. Se não fomos a corte solene da França Antártica ou da Nova Amsterdã, a culpa deve ter sido deles que a nós nunca faltou, nem há de faltar, com a graça de Deus, a capacidade de agradar aos forasteiros, deitando à mesa os mais finos e bem bordados toalhados da Bretanha.

Levadas as ruínas e bem aplainado o chão, teremos o que nunca tivemos: os hubs das grandes companhias aéreas e o aeroporto a exportar nossas riquezas. Será construído um porto internacional - como na Paraíba, Pernambuco e Fortaleza. Os hotéis vão lotar, e não faltarão os empregos com salários em dia. Ora, como, se são os mesmos, nos mesmos cargos, fazendo as mesmas promessas? É o que pensam. Sem as ruínas do Hotel Reis Magos tudo vai mudar...

Palco

SONHO - A senadora Zenaide Maia pode até negar, mas mantém aceso o sonho de lançar sua candidatura ao governo. Resta saber se independente de uma candidatura de Fátima Bezerra.

DOIS - Merece destaque o empenho da equipe da ‘Hora do Brasil’ ao levar ao ar, de segunda a sexta, o Brasil sereno e justo que nem sempre é o Brasil verdadeiro que as mídias noticiam.

SANTUÁRIO - O povo de Touros, com a força da fé e liderado pela paróquia, lançou no alto do Morro Vermelho a Cruz Monumento do grande Santuário do Bom Jesus dos Navegantes.

LUTA - A idéia é mobilizar a população da cidade, suas lideranças religiosas e políticas, na busca de reunir recursos. O projeto está pronto e tem um custo da ordem de R$ 10 milhões.

ALIÁS - Touros luta para o governo decretar feriado estadual o dia 8 de agosto, a data da chegada do Marco, data da fundação do RN, desde 2000, quando a Assembléia aprovou a lei.

ATENÇÃO - Começa a brotar nas redes sociais uma nova palavra de ordem questionando os julgadores brasileiros nesses tempos de inquietação: “No Brasil não há justiça para a Justiça”.

QUEM? - De Nino, o filósofo, olhos acesos no sol de setembro, ao ouvir que o abandono, às vezes, e apesar de ser triste, também liberta: “A quem abandona ou a quem é abandonado?”. 

VISITA - Quem está em Natal é Margones Barros, seridoense de Currais Novos, primo de Genibaldo Barros. Veio com a mulher, Veronique. Eles vivem em Paris há mais de vinte anos.

Camarim
JUBILEU - Dia 26, quinta-feira próxima, começa a preparação do Jubileu dos cinquenta anos de vida sacerdotal do Monsenhor Lucas Batista Neto que deve culminar em 26 de setembro de 2020, na Catedral. Uma concelebração solene com cinquenta sacerdotes daqui e do Brasil.

PASTOR - Exemplo de humildade e dedicação, Lucas é o grande pastor a serviço não só do seu rebanho, mas do povo de Deus em todas nas quais atuou ao longo das últimas cinco décadas. E será um dos momentos marcantes na história pastoral da Arquidiocese de Natal.

DESAFIO - Por falar na Arquidiocese, não é pequena a tarefa do arcebispo Dom Jaime Vieira para manter algumas instituições do seu arcebispado. O Seminário São Pedro, por exemplo, é um exemplo de luta. Precisa mais do que nunca de apoio para sua sobrevivência.



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