Pontuação em discussão

Publicação: 2019-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Fernando Calmon
Jornalista automotivo

A proposta de aumento de 20 para 40 pontos em multas que levem à suspensão temporária da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), enviada pelo Governo Federal ao Congresso, precisa ser mais bem discutida. Até quando se compara com outros países, é necessário estudar a sistemática que cada um adota. Não existe uma regra geral ou mais aplicada. No Brasil, há algumas peculiaridades, entre elas uma fiscalização eletrônica rigorosa, muitas vezes em forma de armadilha, pois faz alguns anos que caiu a obrigatoriedade de sinalizar sua existência, ao contrário de vários países.

Entre as distorções está o próprio processo de atribuição de pontos, que mistura faltas administrativas e infrações de trânsito. Um exemplo é o rodízio veicular da cidade de São Paulo, onde não há indicações das ruas e dos finais de placas afetados. Outro problema é o aumento recente do período mínimo de suspensão da CNH de um para seis meses. Essa mudança foi feita sem alterar os 20 pontos para suspender a CNH e isso precisaria ser repensado.

Fica sem sentido uma suspensão de seis meses por transgressões menores. O sistema anterior estava bem balanceado, quanto mais que as multas estão sujeitas, desde 2016, a sofrer correção de valores pela inflação, em clara oposição ao processo geral de desindexação da economia.

O valor maior até já diminuiu o número de infrações e arrecadação das prefeituras. Estas não podem utilizar esse dinheiro fora do previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro - educação e ações de segurança como sinalização -, mas se tornou letra-morta. Que, ao menos, se obrigue então a tapar buracos e melhorar as condições das vias.

O critério utilizado na Itália parece o mais justo. Lá a pontuação apresenta o viés educativo de aumentar a margem para suspensão da carteira em razão do número de anos em que o motorista não recebe nenhuma multa. Nesse caso, seria aceitável aumentar o limite para até 30 pontos, por exemplo, se o motorista ficasse três ou quatro anos sem cometer infrações. Aqui, cada pontuação prescreve depois de 12 meses, independentemente da gravidade: andar na contramão ou estacionar em local proibido.

As chamadas lombadas eletrônicas, apesar de muitas vezes impingirem limites completamente abaixo da realidade, pelo menos estão à vista de todos, em totens. As aberrações aparecem quando um determinado radar multa 20 ou 30 vezes mais que a média dos demais, como acontece com alguma frequência e sem estudos que embasem tal rigor.

Países com maior número de carros por habitante que o Brasil apresentam trânsito mais seguro. Basta ver o número de mortos e feridos na Europa ou Estados Unidos em relação à frota registrada. A conscientização começa nas escolas,  passa por um processo de habilitação bastante rigoroso e fiscalização justa, sem pegadinhas.

Apesar disso, há alguma distorção, mesmo no exterior. Motoristas profissionais na França, por exemplo, podem dirigir sem cinto de segurança. Basta entrar em um táxi em Paris ou outra cidade. Se perguntados, eles confirmam, alegam o cinto incomodar, mas lembram com algum cinismo que motoristas de aplicativos são obrigados a usar.

Um câmbio simplificado,  cujas vendas caíram 62,3% em 5 anos, feito para pessoas que não podem pagar mais por um automático convencional. Ele caminha para o fim. Automatizados de dupla embreagem sobrevivem.

O Brasil tem absorvido cada vez mais os carros automáticos, cujas vendas triplicaram em 10 anos. Nesse universoos automatizados têm perdido terreno para o câmbio automático clássico : em 5 anos, as vendas de carros com esse tipo de câmbio caíram 62,3%, segundo a consultoria Jato.É oportuno lembrar, que há no mercado automotivo 2 tipos de câmbios automatizados: os de embreagem simples e os de dupla embreagem (apesar do nome, ambos dispensam o pedal da embreagem). Os "simples" surgiram como alternativa para quem não pode pagar por um câmbio automático convencional. Por isso, seu funcionamento tem algumas limitações, como por exemplo trocas mais lentas e trancos causadas pelo "buraco" entre o acionamento da embreagem pelo sistema e a mudança de marcha. É relevante registrar, que isso afeta também o desempenho do automóvel.

Foi o que observou Carlos Eduardo Falcão, de Natal (RN), que teve carros com e sem pedal da embreagem. De um Toyota Etios manual passou para um Fiat 500 automatizado e, agora, tem outro Fiat 500 automático.

O câmbio automático ajuda a tornar viagens longas mais confortáveis. O câmbio automatizado é mais barato, porém é lento e indeciso na hora das trocas de marcha. Esse tipo de câmbio não consegue unir as partes boas do manual [domínio do carro] às do automático [conforto]". No câmbio automatizado de dupla embreagem isso não acontece: assim como na transmissão automática "clássica", as trocas são rápidas e suaves, graças a um sistema mais sofisticado.

Por tudo isso, os câmbios automatizados estão perdendo espaço desde 2014, quando tiveram seu melhor ano de vendas (177.719 unidades). Em 2018 foram 67.066, ou 62,3% a menos, segundo a Jato.












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