População segue o mapa do emprego, aponta IBGE

Publicação: 2010-11-07 00:00:00
A exemplo do que ocorre em outros Estados, o Rio Grande do Norte registra um fluxo migratório dos pequenos centros urbanos para cidades mais desenvolvidas, onde as oportunidade de emprego e geração de renda são maiores. Das quarenta e uma cidades cuja população encolheu nos últimos dez anos, a grande maioria tem taxa de pobreza acima dos 50%. Em Santana do Mato, onde a população teve uma queda de 19%, a incidência da  pobreza é de 55,5%, segundo números de uma pesquisa divulgada em 2008. em Umarizal essa taxa chega a 67%.

Em compensação, o crescimento populacional foi maior nas mais ricas. Parnamirim, terceiro maior município do Estado, foi o destino de 70 mil pessoas nos últimos dez anos. Não há um estudo sobre migrações, mas pelo número de pessoas que votam no interior, tem-se a ideia da origem de boa parte da população. Neste período, houve um “boom” imobiliário, gerando milhares de empregos. Outro município que ganhou população foi Guamaré, polo petrolífero, onde há uma forte atuação da Petrobras. Tibau do Sul, onde está localizada a praia de Pipa, também foi o destino de milhares de pessoas na última década. Mas a maioria não fala o “nordestinês”. São portugueses, espanhóis, holandeses, suecos, argentinos e pessoas oriundas de diversas partes do mundo que aportaram na praia em busca de uma vida mais sossegada.

No Amazonas, houve um processo diferente: a descentralização do crescimento populacional dos grandes centros urbanos para as cidades mais desenvolvidas, no interior. Segundo os resultados do último Censo, embora a população de Manaus tenha crescido 22% nos últimos dez anos, cresceu bem menos do que havia crescido entre 1991 e 2000, quando o crescimento populacional foi de 39%.

“O Amazonas está passando por uma fase de queda forte tanto na fecundidade quanto no movimento migratório para a capital", destaca o demógrafo Pery Teixeira, da Fundação Oswaldo Cruz. “Assim como a maioria das capitais brasileiras, o ritmo de crescimento de Manaus está menor, acompanhando essa tendência."

Como lembra o pesquisador, com a chegada da Zona Franca de Manaus, em 1967, a capital dobrou de população na década de 70. “Eram 300 mil e pulou para 600 mil. Mas depois desse boom, não houve mais um crescimento tão surpreendente: em 1991 para 1 milhão, em 2000 para 1,4 milhão e, agora, 1,7 milhão."

O professor de geografia urbana da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcos Castro, tem a mesma linha de pensamento. “É exatamente quando a Zona Franca tem quebrado o monopólio comercial e industrial passando só para o industrial, na década de 80, que o crescimento da capital vai ficando mais tímido."

Taxas de criminalidade terão aumento no Rio de Janeiro

Rio (AE) - As taxas de criminalidade vão aumentar no Estado do Rio com a divulgação do Censo 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas taxas são calculadas pelo número de habitantes, e o governo do Estado usava uma estimativa defasada (de 2002) da população, bem maior que a oficial, o que puxava os resultados para baixo.

Segundo o Instituto de Segurança Pública, a taxa de homicídios dolosos no Rio em 2009 foi de 34,6 por 100 mil habitantes. A população do Estado usada para o cálculo foi de 16.739.782. No entanto, o resultado preliminar do Censo divulgado ontem mostra que o Rio tem 15.180.636 habitantes. Se esse número for confirmado na divulgação final da população, prevista para o dia 29, a taxa deverá subir para 38,2 por 100 mil habitantes.

“Cabe ao governo do Estado e a sua Secretaria de Segurança pedirem desculpas ao distinto público e corrigirem imediatamente seus dados de criminalidade”, criticou o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) em seu boletim eletrônico, conhecido como ex-blog. O “erro” da secretaria, assinalou Maia, é de mais de 1,5 milhão de habitantes.

O ISP divulgou uma nota informando que o cálculo utilizado para obter as taxas de 2009 no Estado foi feito a partir de uma estimativa populacional elaborada em 2002. Também reiterou a “necessidade de projetar a população de pequenas áreas geográficas específicas (como limites de delegacias), até então inexistentes”.

“Diante disso, o ISP ratifica a taxa de homicídios dolosos de 34,6 por 100 mil habitantes. De acordo com os critérios utilizados, é a menor taxa desde que a série histórica foi criada, em 1991.”

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