Por Mário

Publicação: 2019-10-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Mário de Andrade, bronze de Victor Brecheret


Encerrei esses dias, em São Paulo, não a admiração - essa não acaba nunca - as minhas homenagens a Mário de Andrade, uma das paixões intelectuais que trago desde os anos mais tenros, como diria um parnasiano. Aqui está a sua obra completa, nas edições originais e nas subsequentes, todos os estudos indispensáveis, as suas tradições na Europa e Estados Unidos, discos, revistas, cds, fotografias, isto e aquilo, um mundo pequeno e ao mesmo tempo sem fim.

Em março de 1995 estava diante do seu túmulo, dia dos cem anos do seu nascimento. Percorri, e identifiquei de memória, com base em descrições, tudo que existia em cada cômodo daquela casa assobradada da Rua Lopes Chaves, 107, Barra Funda, para espanto do funcionário da hoje Oficina Literária.  De tudo, continuam lá, o piano-candelabro, iluminado a velas, de quando não existia luz elétrica, e uma estante alta, de imbuia, que ele desenhou e mandou fazer.
Fui também ao Instituto de Estudos Brasileiros, IEB, onde está seu acervo completo, o de antes, na chamada Rotunda, e agora, na sede gigantesca e arrojada que além dos acervos de Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda, abriga, em sede própria e contígua, o acervo completo de José Mindlin. Em pastas antifogo, todas as cartas de Câmara Cascudo para Mário, organizadas, anotadas e publicadas por Marcos Moraes, e consagradas com o Prêmio Jabuti.

Em 2015, fui com Rejane à homenagem a ele, na Feira de Livros de Parati, acompanhei todas as mesas e lançamentos, além de umas poucas conversas, talvez só para mostrar que um nordestino marioandradino não é tão bocó quando eles, os doutos, poderiam pensar. Foi lá que conheci o escritor Eduardo Jardim que ali lançava seu terceiro livro sobre Mário, uma brilhante biografia intelectual, e com quem dividiria uma mesa no hoje morto festival literário de Natal.

Agora, arrumamos as malas e fomos viver uma temporada em São Paulo. Rejane tinha o compromisso de entregar a Marcos Moraes os originais da segunda edição do seu livro sobre Erasmo Xavier, o modernista natalense. E, juntos, seguimos a boa trilha do Festival Mario de Andrade. Aproveitamos e participamos de várias outras coisas, mas foi por Mário que ficamos tantos dias na Pauliceia Desvairada, a sua Londres das neblinas finas. Eis o relatório de viagem. 

A paixão é assim. Sem ferir as outras, como Câmara Cascudo, Ribeiro Couto, Sérgio Milliet, Agripino Grieco, Tristão de Athayde, Álvaro Lins. Outro dia, num blog local, segui uma conversa sobre Oscar Wilde. É outra grande paixão. Começou no final dos anos setenta, ouvindo Luiz Maria Alves dizer, no mais puro inglês de sua majestade britânica, e de memória, trechos do De Profundis e da Balada do Cárcere. Eram homens diferentes que não voltam mais!

SINAL - Esta coluna ganhou um muxoxo ao noticiar que Andrea Ramalho, ex-primeira dama de Natal, poderia disputar a Prefeitura de Parnamirim. O sinal seria mudar o domicílio eleitoral.

É? - Agora, sem ferir os prazos peremptórios da Justiça Eleitoral, Andrea já virou eleitora em Parnamirim. Não declarou se é candidata, mas já pode votar e ser votada. É ter paciência, ora!

ERRO - Há quem defenda, dentro do Detran, a posição de que não foi simples erro de manejo o vazamento de dados sobre 70 milhões de motoristas. Dai ser indispensável a investigação.

SOMBRA - Faltou transparência quando o vazamento foi levado à direção. Mesmo sendo um fato grave não foi comunicado à opinião pública. Esse é o papel indispensável do jornalismo.

SUICÍDIO - Nas bancas, a nova edição da revista Cult. O dossiê de capa é sobre o suicídio e lança uma indagação que mexe com todos: “Quem matamos quando matamos a nós mesmos?”.

EXPO - No Ludovicus (Casa de Câmara Cascudo), a exposição sobre Ana Maria e Camilo Barreto, grandes patronos da preservação do acervo intelectual e material de Câmara Cascudo.

HOJE - Festa de amigos na galeria de Fernando Chiriboga, no Midway, a partir das 18h, com o lançamento do novo livro de José Delfino, ‘Visão Deteriorada do Mundo’. Com todas as tribos.

NÍSIA - Por falar em livro: a área cultural do cemitério Morada da Paz patrocina a nova edição da biografia de Nísia Floresta, de Constância Duarte. É a terceira edição, e agora atualizada. 

VISÃO - Dez dias em São Paulo e vi a reação pacífica e firme dos intelectuais e classe artística contra o autoritarismo praticado pelas entidades governamentais, bancárias e até culturais, de impor a mais hedionda forma de arbítrio disfarçado que é a censura à liberdade de expressão.

REAÇÃO - Não bastasse o aplauso intenso da platéia, nas duas peças importantes em cartaz, a grande manifestação de São Paulo: cerca de l.500 pessoas no Teatro Municipal na homenagem a Fernanda Montenegro, 90 anos. Ela e a platéia, de punhos cerrados, na defesa da liberdade.

SERÁ - Na coluna “Radar”, de Veja, há no Palácio do Planalto quem defenda uma mudança do estilo presidencial em matéria de postura: de Jair Bolsonaro para ‘Jair Bolsonarinho’. Mais ou menos naquela linha do ‘Lulinha paz e amor’ que evitou um confronto com o Brasil. Será?





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