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Natal
Por medo, hospitais fecham urgências
Publicado: 00:00:00 - 19/07/2016 Atualizado: 23:39:38 - 18/07/2016
Edmo Nthan
Ricardo Araújo   
Repórter


Os maiores hospitais administrados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), em Natal, estão com as portas de entrada dos prontos-socorros fechadas. Não por uma nova modalidade de atendimento, mas por medo. Desde a sexta-feira passada, as demandas espontâneas ou não-emergenciais, deixaram de ser atendidas nos prontos-socorros Clóvis Sarinho, em Tirol, e no José Pedro Bezerra, em Santa Catarina, por falta de vigilantes privados para garantir a segurança interna. Neste último, os servidores e terceirizados relataram momentos de terror vividos no fim de semana passada depois que marginais armados ameaçaram invadir a unidade hospitalar, que tem dois caixas eletrônicos do Banco do Brasil. A Sesap não informou quando a situação será regularizada. As duas unidades estão recebendo apenas as demandas via Samu e reguladas (quando o paciente já vem encaminhado de outra unidade hospitalar).
Porta de entrada do PS/Santa Catarina está fechado desde a sexta-feira passada. Apenas demandas via Samu e reguladas são recebidas

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Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde Pública informou que requereu à Secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças (Seplan) a liberação de quase R$ 1,5 milhão para quitar as dívidas com a empresa Garra Vigilância relativa aos meses de maio e junho. Entretanto, nenhum ofício solicitando a regularização dos pagamentos chegou à Seplan, segundo informado à TRIBUNA DO NORTE por servidores da pasta. Para dirimir qualquer dúvida em relação ao assunto, a reportagem mais uma vez entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Sesap, mas as ligações não foram atendidas. O mesmo ocorreu com as tentativas de contato feitas para o celular da titular, Eulália Albuquerque Alves.

“No sábado à noite, não tinha segurança e nem nenhum tipo de vigilância. A porta de entrada da emergência, da recepção, estavam fechadas. Era uma situação inusitada”, comentou o médico plantonista Sebastião Paulino, que trabalha nos dois hospitais em regime de plantão. Na tarde de ontem, a Direção Geral do Hospital José Pedro Bezerra tentava reverter a situação considerada caótica pelos servidores numa reunião com a secretária Eulália Albuquerque Alves. Nada, porém, foi solucionado.

Nos corredores do hospital, cartazes informavam uma decisão que comprometia ainda mais o já combalido serviço de Saúde Pública no Rio Grande do Norte. O comunicado dizia: “Informamos que, desde o dia 13/07/2016, os serviços de vigilância do hospital José Pedro Bezerra, foram suspensos, devido ao movimento reivindicatório desta categoria em busca dos seus direitos. Diante disso, a insegurança no hospital tornou inviável a continuidade dos serviços prestados pelos profissionais da unidade. O caso foi informado à Secretaria (sic) Chefe da Casa Civil, Secretaria Estadual de Saúde e Diretoria do Hospital José Pedro Bezerra, e até o presente momento não foram tomadas providências. Neste sentido, foi realizada uma reunião entre Técnicos, Sindicato e a Direção desta unidade em 15/07/2016 às 11:00 decidindo que: Os técnicos de enfermagem não poderão exercer seus serviços até que estes problemas sejam resolvidos, sendo impossível a realização de atendimentos”.

Para cobrir a vastidão de corredores, alas e estacionamento interno, somente um vigilante estava de plantão ontem. Os diretores decidiram mantê-lo na guarita de entrada do estacionamento dos servidores, para evitar assaltos e arrombamentos aos veículos. “O clima é de medo, de pavor. Algumas coisas acontecem com os vigilantes dentro do hospital, imagine sem eles. A situação é realmente dramática”, comentou o médico Sebastião Paulino. No Pronto Socorro Clóvis Sarinho, a situação não era diferente. Dois oito vigilantes privados que compõem a escala de cada turno de plantão, somente dois estavam de serviço ontem. No fim de semana, as visitas aos pacientes foram suspensas. Nesta unidade hospitalar, algumas enfermarias são ocupadas por presos em cumprimento de sentença. Sem vigilância privada, a vulnerabilidade aumenta.

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