Área da Via Costeira é de forte apelo econômico

Publicação: 2019-11-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Por tras dos numeros - via costeira

O anúncio da expansão do Grupo Serhs na Via Costeira, com a construção de um novo hotel, vai gerar cerca de 300 empregos na operação. Esses empregos se somam a cerca de outros dois mil, distribuídos nos nove hotéis e um restaurante do local. Durante a construção do novo hotel, mais 500 empregos devem ser gerados.

Empresários da área do turismo defendem que a área disponha de atividades voltadas para o lazer, além dos atuais hoteis
Empresários da área do turismo defendem que a área disponha de atividades voltadas para o lazer, além dos atuais hoteis

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH/RN), José Odécio Júnior, isso mostra como a área é importante economicamente para Natal. Por outro lado, a Via Costeira se estagnou nos últimos dez anos e perdeu o protagonismo na cidade. “Pode-se dizer que a Via Costeira está completamente abandonada. Não tem infraestrutura adequada, sobrevive basicamente de hotéis. Não tem shoppings, lojas, opções de lazer”, explica.

De acordo com a ABIH, a taxa de ocupação hoteleira no local fica em torno de 75% no ano, perdendo para os hotéis de Ponta Negra. Sem o uso misto do espaço, defende Odécio, a tendência é esse percentual não mudar. “E isso é muito ruim porque é um dos pontos que mostra que a cidade não tem crescido”, acrescenta.

Em contrapartida ao anúncio de abertura do Serhs, na última semana, o fechamento do Hotel Parque da Costeira após 30 anos e chamou atenção para as dificuldades econômicas da área. O Hotel acumulava mais de R$ 70 milhões em dívidas tributárias e trabalhistas. Cerca de 250 a 300 pessoas foram demitidas. Outros hotéis da área também sofrem com dívidas tributárias. De acordo com dados da Prefeitura de Natal, as dívidas alcançam cerca de R$ 100 milhões.

Lazer
A carência de áreas de lazer na Via Costeira é reclamada por gestores e empresários, mas as iniciativas tentadas no local não costumam prosseguir. Em 2006, um projeto concebido pela arquiteta Luciana Kelly Maia foi doado ao município para a construção na Via Costeira de minicampo de futebol, quadra poliesportiva, parque infantil, área para comercialização de artesanato, anfiteatro, quiosques e pista para caminhada. O lote disponível para a construção jamais foi utilizado.

Mais recentemente, em julho de 2018, o Governo do Estado anunciou o projeto “Costeira Parque” na área do antigo Camping Club Vale das Cascatas. Entretanto, o projeto foi paralisado devido a uma recomendação do Ministério Público Federal, que questionou o licenciamento ambiental, e uma decisão liminar que acatou a paralisação. Para o MPF, o projeto estava inadequado por se tratar de uma área ecologicamente frágil não edificante, desconsiderou a análise de alternativa técnica e outros estudos.

Empreendedores e ambientalistas divergiram
A Via Costeira foi pensada na década de 70 para desenvolver Natal, interligar a praia de Areia Preta com Ponta Negra e criar uma zona de proteção ambiental – concretizado hoje pelo Parque das Dunas – contra a ocupação irregular da mata. Desde o início se travou um conflito entre o setor empresarial, que defendeu uma área maior destinada a construção civil, e ambientalistas, para a preservação da área. Esse conflito se estende até os dias de hoje, assim como as tentativas de ocupação irregular.

Uma reportagem publicada na TRIBUNA DO NORTE no dia 10 de janeiro de 1978 trouxe detalhes do projeto da via. O projeto foi chamado de “intervenção urgente” para Natal. “É que se constata que a faixa litorânea entre Ponta Negra e a Praia de Areia Preta foi ocupada de maneira desordenada, quase caótica”, destaca a reportagem.

Empresários da área do turismo defendem que a área disponha de atividades voltadas para o lazer, além dos atuais hoteis
Empresários da área do turismo defendem que a área disponha de atividades voltadas para o lazer, além dos atuais hoteis

A ocupação referida é o que hoje resultou no bairro de Mãe Luiza. A matéria destaca os danos ambientais do movimento com grande preocupação, ressaltando a importância de se instalar uma reserva ambiental e organizar a área para explorar o potencial turístico. A via costeira era pensada para “dar a região novos valores”.

Nesta época, havia quem defendesse que a Via Costeira não fosse construída. Um arquiteto da época, chamado João Maurício, diretor de uma escola de samba da época chamada “Unidos das Dunas”, chegou a nomear a via como “Leva a nada a coisa nenhuma”. Em resposta, o leitor Francisco Amorim de Souza enviou uma carta à redação da TRIBUNA DO NORTE afirmando que os ataques à construção da Via estava “assentada em bases econômicas e políticas contra os interesses do Estado”. “O que estão querendo as classes empresariais que não vão em defesa de uma obra que provocará uma circulação de riqueza jamais vista em Natal?”, questionou.

Anos depois, o conflito entre classes empresariais e ambientalistas se concentra na área do Parque das Dunas. Ruy Gaspar, empresário e ex-gestor do Turismo, defende que uma faixa de 100 metros do Parque das Dunas poderia ser reservado para a construção de restaurantes e áreas de lazer. “A legislação atual é totalmente engessada, impede que a área se desenvolva mais”, defendeu. Do outro lado, ambientalistas defendem que ocupar a área poderia pôr em extinção algumas espécies de bichos e ecossistemas litorâneos.

A outra preocupação, relativa às invasões na mata atlântica, também se estende até os dias atuais. O Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema) é o responsável por fiscalizar a área, mas não há uma equipe constante para fazer o monitoramento. Atualmente, pelo menos um imóvel está em desapropriação, dentro de um processo que dura mais de um ano.

Números

14 lotes da Via Costeira estão ocupados

10 lotes estão totalmente desocupados

02 lotes estão parcialmente ocupados

02 lotes estão abandonados

01 lote é de uso público

09 hotéis existem na Via Costeira

09 hotéis existem na Via Costeira

2.000 empregos gerados na área

5.000 leitos hoteleiros estão disponíveis na área

75%  dos leitos foram ocupados nos primeiros 15 dias deste ano

345.000 m² da área pertencem ao Governo do Estado e à União

R$ 34,4 milhões é a avaliação dos terrenos







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