Porto continua sem escâner de carga

Publicação: 2019-12-10 00:00:00
Dez meses após a primeira apreensão de cocaína encontrada em cargas de frutas no Porto de Natal, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) ainda não adquiriu o escâner de contêiner, equipamento avaliado pela Polícia Federal como principal para evitar o tráfico de drogas no local. Segundo a Codern, os recursos financeiros são insuficientes para a compra ou aluguel do equipamento e não há previsão de liberação no orçamento.

Créditos: DivulgaçãoÚltima apreensão de cocaína no RN foi realizada no sábado passado em Natal e ParnamirimÚltima apreensão de cocaína no RN foi realizada no sábado passado em Natal e Parnamirim
Última apreensão de cocaína no RN foi realizada no sábado passado em Natal e Parnamirim

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A compra do escâner para o porto é pedida desde 2012, quando a Receita Federal identificou falhas na segurança do porto e alertou para o risco de se tornar um local propício para o tráfico de drogas.  A Codern afirmou nesta segunda-feira (9) que “o escâner para o Porto de Natal é uma das prioridades” da atual gestão.

Sem o equipamento, a fiscalização das cargas que saem do Porto de Natal é feita com o auxílio de um cão farejador e outros métodos, na tentativa de “mitigar” o tráfico internacional de drogas. A operação é realizada desde o início da safra de frutas, em setembro, quando o volume de exportações aumentam.

É dentro de contêineres de frutas (melão e manga) que a cocaína traficada é encontrada pelas autoridades alfandegárias brasileiras e estrangeiras. O método para o tráfico é quase sempre o mesmo: a cocaína é empacotada dentro de caixas de frutas e misturadas entre elas, ficando “camuflada” no contêiner.

ISPS Code
O escâner de contêiner é o principal equipamento para evitar o tráfico, mas vistorias realizadas no Porto de Natal este ano também detectaram falhas no sistema de vigilância e irregularidades em outros procedimentos, como entrada de pessoas na área do porto. Foram esses fatores que levaram o local a perder o código internacional de segurança (ISPS Code) ainda em 2014.

Depois que assumiu o cargo, em março, o atual diretor-presidente da estatal, o almirante Elis Treidler Öberg, afirmou que pretende recuperar o código o mais rápido possível. Uma inspeção da comissão nacional dos portos estava marcada para novembro para analisar a possibilidade de retorno do selo de segurança, mas o procedimento foi adiado para fevereiro do ano que vem. A Codern afirmou que a decisão partiu da própria comissão. A TRIBUNA DO NORTE não conseguiu contato com os membros da Comportos.