Portugal aposta em experiências, sabores e descontos para atrair turista

Publicação: 2017-03-18 20:34:00 | Comentários: 0
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Renata Moura
*Enviada à Lisboa

Passava das 22h em Lisboa, Portugal, quando, sob uma mesma "tenda" ao pé do Castelo São Jorge, o bacalhau e o vinho eram postos à mesa, artistas ajustavam um espetáculo para o dia seguinte e uma “roda de choro” se preparava para entrar em cena e comemorar.

A ex-comissária de bordo e palhaço de circo, Teresa Ricou, analisava segura: "Temos muito para contar. Há muito para descobrir".

A reflexão de Teresa, que caminha para os 80 anos e há 43 se dedica a um projeto que engloba aulas de circo, ações de inclusão social e um restaurante, é o que empreendedores ligados ao setor de turismo repetem em coro, na capital portuguesa, em uma estratégia para reforçar o fluxo de visitantes, entre eles brasileiros.
Teresa Ricou está à frente do Chapitô, em Lisboa
*Teresa Ricou está à frente do Chapitô, em Lisboa

Aproximadamente 60 hoteis, 30 restaurantes, e diversas experiências em Portugal se uniram em uma investida nesse sentido, lançada em junho de 2016 pela companhia área TAP: o programa Stopover.

O programa oferece descontos em serviços não só em Lisboa, mas também na cidade do Porto. 

Em seis meses, 40 mil passageiros fizeram a adesão - 40% deles procedentes do Brasil, 20% dos Estados Unidos e os demais de outros países da Europa. A meta para este ano é mais do que triplicar esse número, alcançando 150 mil.
Arco da Rua Augusta, em Lisboa
*O Arco da Rua Augusta dá acesso à Praça do Comércio e é mirante na cidade de Lisboa

Até um ano atrás, 70% dos passageiros que saíam do Brasil com a companhia aérea tinham como destino final outros países que não Portugal, diz o diretor geral da TAP para o Brasil, Mário Carvalho. Com o programa, aumentou o índice dos que incluem o país na rota. “Agora, 50% ficam”.

Por meio do Stopover, é possível escolher visitar Lisboa ou o Porto por até 72 horas. Na prática, se o destino final da viagem é Roma, por exemplo, no meio do caminho pode-se visitar as cidades portuguesas – segundo a companhia aérea, sem taxas adicionais na passagem e com descontos que variam de acordo com os serviços e experiências escolhidos durante o roteiro. Alguns deles, como a entrada em museus municipais, saem de graça.
A rua do comércio, em Sintra, reune pequenas lojas e docerias
*A rua do comércio, em Sintra, reune pequenas lojas e docerias

“O que se faz com o Stopover (do ponto de vista da companhia área) é não introduzir na passagem taxa adicional por interrupção da viagem”, diz o presidente da TAP, Fernando Pinto, sem revelar de quanto a companhia abriu mão até agora para atrair esses novos viajantes. Segundo ele, esse “investimento já foi compensado e os resultados estão acima do previsto”.
“Estamos a dar a esse passageiro mais um argumento para viajar com a TAP”, diz o vice-presidente de marketing da empresa, Abílio Martins.

“Estamos oferecendo a ele 23 experiências, o que pode significar, por exemplo, uma ida à Sintra – vila Portuguesa cujo centro histórico foi declarado patrimônio da humanidade – passeio de tuk tuk, jogar golfe, ver golfinhos, ter aula de surf, ir a museus ou passar a tarde provando vinhos”.

Segundo Martins, a companhia foi pioneira em ter uma janela do Booking (site de reserva em hoteis e pousadas) para garantir no site do Stopover desconto de 15% em relação à melhor tarifa de hospedagem. “Temos ainda um aplicativo georeferenciado que avisa se você está perto de museu e outras atrações”.

A companhia aérea transporta 80% dos passageiros que saem do Brasil - e do Rio Grande do Norte - para destinos europeus. Em 2016, foram 1,4 milhão de viajantes nas rotas do Brasil e 80 mil na rota Natal/Lisboa.

Segundo o presidente da TAP, Fernando Pinto, o Stopover não pode ser considerado a principal estratégia da companhia para aquecer o movimento– uma vez que representa 40 mil passageiros em meio a um total de 11 milhões transportados em 2016, considerando todos os países em que opera. “Ainda é um movimento pequeno nosso, mas vamos crescendo com isso. É uma iniciativa que se une a outras estratégias”. A companhia registrou cerca de 30% de crescimento no fluxo global de passageiros no primeiro bimestre e, no caso do Brasil, espera alcançar 10% de expansão, até dezembro.

Presidente da companhia aérea TAP, Fernando Pinto
*Fernando Pinto, presidente da companhia aérea TAP: Perspectivas de expansão em 2017

Como forma de acelerar as adesões, desde fevereiro a empresa inseriu o programa nas “prateleiras” de agências de viagem, agora aptas a agendar o que chamam de “experiências Stopover”. As agências respondem por 70% das vendas de passagem da companhia.

É preciso criar novas formas de atração, diz economista

O economista e professor doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), William Pereira, lembra que há muito tempo as companhias aéreas vêm apostando em estratégias como facilidades de pagamento de passagens, dividindo o preço em muitas vezes no cartão ou com oferta de promoções nas tarifas, para atrair consumidores.

Mas e esse outro tipo de investida – Stopover – é eficiente para captar consumidores em um mercado ainda crise, como é o caso do Brasil?
“É uma idéia muito interessante”, diz o economista. “A TAP concorre mundialmente e tinha uma concorrência com base em preço e qualidade dos serviços. Só que todo mundo faz isso, basicamente. Todas podem fazer. Então é preciso criar novas formas de atração. Isso termina trazendo mais clientes nesse cenário de competição global. São as novas formas de concorrência capitalista, que não se dá somente via preço. Que se dá também nas externalidades que você pode agregar para seduzir e fidelizar clientes”.
Ana SilvaPara programa ser lançado no RN, é preciso investimentos em estruturaPara programa ser lançado no RN, é preciso investimentos em estrutura

O programa lançado pela companhia aérea, observa o economista, também seria uma proposta para o aeroporto potiguar. “O que a TAP está fazendo é o que o estado pretende fazer aqui: dar a chance de o passageiro conhecer outro ambiente. E nesse outro ambiente ele começa a gastar também. Porque por mais que você possa fazer um trânsito gratuito, você vai almoçar, jantar, tomar café, comprar uma revista. Então você começa a deixar nesse destino a renda que antes iria para outros locais. E pode desejar voltar não só de passagem, mas para demorar mais tempo”, analisa e acrescenta: “A idéia do aeroporto de São Gonçalo também é essa. Um aeroporto não só de transbordo. Muitos aeroportos no mundo têm feito isso.  Então para aqueles que gostam de viajar, tem se mostrado boas condições para que possam aproveitar mais a viagem”.

Para um programa nesses moldes ser implantado no Rio Grande do Norte, no entanto, é preciso, segundo ele, investir em estrutura. “É preciso ter uma linha rápida, de automóveis, de VLT, para o turista ir do aeroporto - que está a 30km de Natal - até a proximidade de onde tem eventos, praças turísticas. O turista não quer esperar”, exemplifica Pereira: “Não adianta ter um aeroporto grande, com potencial, se ele não está conectado à realidade local”.

Após queda em 2016, turismo de Lisboa espera reaquecimento do público brasileiro

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Rio Grande do Norte (Abav RN), Abdon Gosson, Lisboa é o  destino europeu mais procurado pelos potiguares e no ranking geral só perde para Orlando e Miami, nos Estados Unidos. No ano passado, a quantidade de viagens – considerando todos os destinos – foi reduzida, sob pressão de turbulências e incertezas nos cenários político e econômico.

Indicadores que têm relação direta com o consumo, como emprego, renda e nível de confiança de empresas e consumidores, pioraram e estão por trás dessa retração. A perspectiva, no entanto, é de expansão em 2017, de modo a ao menos recompor essas perdas.

Essa é a mesma percepção de representantes do setor turístico em Lisboa. Embora não disponham de dados específicos sobre os estados brasileiros, eles afirmam que o fluxo de visitantes procedente do país diminuiu em 2016. “Recebemos em torno de 318 mil hóspedes do Brasil em 2016. O número teve queda até meados do ano, mas houve recuperação no final e de forma geral houve crescimento”, diz Vitor Carriço, da Turismo Lisboa, entidade responsável pela promoção internacional do destino.
A Torre de Belém é um dos cartões postais mais visitados em Portugal
*A Torre de Belém é um dos cartões postais mais visitados em Portugal

O câmbio é apontado como principal combustível para manter a demanda aquecida. O Real ganhou força em relação a moedas estrangeiras, aumentando o poder de compra de quem quis embarcar para o exterior. E “a manter-se a situação atual e se não registrarem variações significativas nas taxas de câmbio, é previsível que o número de brasileiros nos hoteis continue a crescer”, analisa Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé, rede com 20 hoteis instalados em Portugal e outros sete no Brasil. O brasileiro é  o quinto maior público presente nos hoteis do grupo em Portugal - correspondendo a uma fatia de 3% - e o primeiro entre os que estão fora da Europa. “Houve queda no primeiro semestre nesse fluxo (do Brasil), mas depois registramos crescimento de 15% a 20%”, diz Almeida. A projeção para este ano é de expansão de 10%.

SAIBA MAIS: Brasileiros e potiguares, em Lisboa

317.872  foi a quantidade de hóspedes brasileiros em Lisboa, em 2016
+5,6% foi o crescimento em relação a 2015

Perfil do turista – Pesquisa com dados de 2015

91,8% dos brasileiros viajam à Lisboa a lazer;
150,08 Euros é o gasto médio diário do turista brasileiro, sem transporte. É o maior entre todos os turistas que visitaram a cidade em 2015;
13º é a posição do Rio Grande do Norte entre os estados brasileiros de origem dos turistas. No Nordeste, o estado é o 4º maior emissor;
1,4% dos turistas que visitaram Lisboa em 2015, procedentes do Brasil, saíram do aeroporto potiguar.

5 Objetivos mais cidades pelos brasileiros que visitam a cidade

1 - Visitar monumentos e museus 87,2%
2 - Saborear a gastronomia e vinhos 85,2%
3 - Conhecer a cultura portuguesa 76,7%
4 - Conhecer a faceta moderna de Lisboa 66,5%
5 - Conhecer hábitos diferentes 58,5%

Fonte: Turismo de Lisboa

De volta à Lisboa: O que repeti e fiz pela primeira vez na cidade

Estive em Lisboa a primeira vez em janeiro de 2014, em um roteiro que também incluiu Sintra, Madri e um bate e volta a Toledo – as duas últimas na Espanha. O período era de inverno, mas se mostrava menos frio que em outras cidades da Europa nessa época do ano. Em março de 2017, de volta à capital portuguesa, o clima estava parecido. Mas havia diferenças.

Vi, de forma inédita, a praça do comércio com sol, mesas e cadeiras cheias nas calçadas e ali, nas proximidades, pessoas sentadas nas ruas e na grama.
Praça do Comércio, em Lisboa
*Praça do Comércio, em Lisboa

Foi essa a atmosfera em que reencontrei a cidade, repeti lugares e sabores, mas também me deparei com outros novos e soube que há mais por vir.

“Este ano vai abrir um miradouro na ponte 25 de abril”, diz Vitor Carriço, da Turismo de Lisboa.

Entre 2015 e 2016, segundo ele, foram inaugurados um museu de arte, arquitetura e tecnologia, um museu do dinheiro e o novo edifício do Museu Nacional Dos Coches – espécies de carruagens reais.

Abaixo, listo alguns pontos que já vi em Lisboa, onde estive pela última vez entre os dias 13 e 16 de março, entre visitas, experiências e entrevistas:

Imagem mostra produção de Pasteis de Belém, famosos em Portugal
*Imagem mostra produção de Pasteis de Belém, famosos em Portugal

O que repeti: comi pastel de Belém, visitei a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos e o Mosteiro dos Jerônimos, além do Chiado e a Praça do Comércio. Não fui nesta viagem, mas já havia conhecido o Oceanário, a livraria Bertrand – a mais antiga em operação, no mundo - e o Castelo de São Jorge, por exemplo.
Museu do Coche, em Lisboa - O Coche dos Oceanos data de 1716 e fez parte do conjunto de coches temático que integraram o cortejo da Embaixada enviada por D.João V ao Papa Clemente XI
*Museu do Coche, em Lisboa - O Coche dos Oceanos data de 1716

O que fiz de novidade: visitei novos restaurantes, provei tipos de bacalhau e vinhos que não conhecia, fiz bate e volta até Sintra de ônibus – da outra vez havia ido de trem – fiz bate e volta em Oeiras, almocei em um ex-palácio que virou hotel de luxo com poemas nas paredes, fui a um centro interativo sobre a história de Lisboa, subi no Arco da Rua Augusta, um mirante com vista para a praça do comércio e outros pontos da cidade, visitei o museu dos coches, vi a praça do comércio com sol e pessoas “sem medo de frio”, de chinelo e camiseta nas ruas. Comi também novos pratos à base de sardinha e uma sobremesa feita com Ginja, fruta usada em licores.

Em uma dessas novas incursões, me deparei com o Chapitô, uma Organização Não Governamental que, em tradução livre, significa tenda de circo, em francês. O espaço já foi uma antiga prisão de meninas. Hoje, desenvolve atividades em três áreas: ação social, formação e cultura. Tem escola de circo, companhia de teatro, oferece cursos e alojamento para jovens.
Centro interativo sobre a história da cidade de Lisboa
*Centro interativo sobre a história da cidade de Lisboa

Parte do financiamento é garantido por um restaurante que funciona sob a mesma “tenda”, em um dos ambientes do prédio. No cardápio, a inspiração é a cozinha tradicional portuguesa. E da janela, o que se vê é parte de Lisboa e do rio Tejo.

“Portugal está em um momento muito bom e está a dar certo porque tem mar, praia, rios, montanhas, neve, sol, grandes museus, comida maravilhosa. Porque é um país de muita cultura na rua e arte – o que é fundamental porque ajuda na inclusão e no equilíbrio social”, diz Teresa Ricou, ex-comissária de bordo e apontada como primeira mulher-palhaço de Portugal. Ela fundou o Chapitô há 43 anos. A mãe de Teresa era brasileira, do Rio de Janeiro, e o pai suíço. “Era médico de lepra e quando se trabalha com miséria é preciso estar para cima”, diz ela, para explicar a paixão pelo circo.

No restaurante Tasca da Esquina, a tradição portuguesa também está presente à mesa, comandada pelos chefs Hugo Nascimento, Luís Espadana e Vítor Sobral – consultor gastronômico da TAP e de outras marcas e considerado referência na gastronomia portuguesa. Um dos menus oferecidos pela casa, pequenas porções – semelhantes às tapas madrilenas - aposta principalmente no bacalhau “Skrei” combinado em diferentes modos de preparo e pratos com ingredientes como manga, pinhão, banana, tomate e azeite de ervas. Há também atum braseado, sanduíche de porco  bísaro, em bolo levedo dos açores, pickle de abobrinha, e aioli de beterraba. De sobremesa, mousse de chocolate, noz caramelada e ginja, além de farófias, um doce popular português.
Doces com ingredientes tradicionais em Portugal são servidos como sobremesa na Tasca da Esquina
*Doces com ingredientes tradicionais são servidos como sobremesa na Tasca da Esquina

Entre Lisboa e Cascais, o sabor de Portugal desponta em um palácio construído no final do século 15 e reedificado três séculos depois, em Oeiras, pelo Grupo Vila Galé, segunda maior rede de hotelaria em Portugal, com 20 hoteis no país, além de sete no Brasil. O oitavo, um resort à beira mar, está em construção no Rio Grande do Norte.

O palácio foi transformado em hotel pelo grupo, o Vila Galé Collection Paço de Arcos – o primeiro 5 estrelas da rede em Portugal. Teria sido das varandas do edifício que o rei D. Manuel I viu partirem as caravelas portuguesas a caminho da Índia.
Palácio do século XV virou hotel com restaurante que aposta na comida tradicional portuguesa
*Palácio do século XV virou hotel com restaurante que aposta na comida tradicional portuguesa

O preço para hospedar-se no Vila Galé pode variar entre 70 Euros/noite em quarto standard duplo com café da manhã (por exemplo, em temporada baixa no Vila Galé Tavira, 4*, Algarve) e 240 Euros/noite, também em quarto standard duplo, com café da manhã (em alta temporada, no Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, 5*). De acordo com o administrador do grupo, Gonçalo Rebelo de Almeida,  a rede neste momento está a fechar a adesão ao programa Stopover. Por esse motivo, não divulgou detalhes sobre descontos nem possíveis outras vantagens previstas para o consumidor. Os hotéis incluídos no programa serão o Vila Galé Ópera, em Lisboa, e uma unidade hoteleira no Algarve.
Renata MouraSintra está localizada na Região Metropolitana de Lisboa e é considerada Patrimônio da HumanidadeSintra está localizada na Região Metropolitana de Lisboa e é considerada Patrimônio da Humanidade

Já no Stopover, uma das possibilidades disponíveis atualmente é uma excursão até Sintra,  que normalmente dura das 9h às 15h, com grupos de 4 a 9 pessoas, diz o guia da Selection Tours, João Crespo. Sintra, explica ele, é o terceiro maior município da região metropolitana de Lisboa. A parte mais antiga dessa região foi declarada pela UNESCO patrimônio da Humanidade e ganhou relevância por reunir um antigo complexo de palácios, casas senhoriais, jardins e museus. “Essa área é rotulada como vila romântica de veraneio ligada à aristocracia”, diz Crespo. Sintra, segundo ele, é a quarta cidade mais visitada de Portugal, após Lisboa, o Porto e Fátima. O período de maio a setembro é o que recebe mais brasileiros.
As queijadas estão entre os doces famosos em Sintra
*As queijadas estão entre os doces famosos em Portugal. Elas são tradicionais em Sintra

Além de turismo, a produção de vinhos ajuda a mover a cidade. É o chamado vinho de colares. Na gastronomia, é famosa pela produção de doces: os travesseiros, encontrados na casa Piriquita, desde 1862, e as queijadas da Sapa, estabelecimento que existe desde 1756. O doce é feito com queijo fresco, açúcar, farinha, gema de ovo e canela. No livro Os Maias, de Eça de Queiroz, é lembrado em uma das páginas - fixada na parede da doceria. O trecho diz: “olha, não te esqueçam as queijadas”.

*A jornalista viajou à convite da TAP.

**Reportagem atualizada às 16h40 do dia 20/03/2017, para acréscimo de dados sobre o perfil dos brasileiros em Lisboa.



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