Postos aplicam reajuste de até 12% no preço da gasolina em Natal

Publicação: 2020-10-01 00:00:00
Os motoristas e motociclistas natalenses sentiram um peso maior no bolso ao abastecer seus veículos nesta quarta-feira (30). Postos pela capital potiguar aumentaram em até 12% o preço de combustíveis em relação ao dia anterior. O crescimento do valor pago ocorreu no dia em que a Petrobras reajustou em 5% a cobrança da gasolina nas refinarias. A ação da estatal foi anunciada um dia antes. 

Créditos: Adriano AbreuPelo menos, 41 postos de combustíveis estão cobrando o valor de R$ 4,79 pelo litro do produtoPelo menos, 41 postos de combustíveis estão cobrando o valor de R$ 4,79 pelo litro do produto

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE identificou que em um posto de combustíveis da zona Oeste de Natal, o valor do litro de gasolina saltou de R$ 4,26 para R$ 4,79, de terça-feira (29) para quarta-feira (30). A diferença nesse local mostra  uma reajuste de 12,44% entre os dois dias analisados. Outros estabelecimentos da capital potiguar também  apresentaram majoração semelhante, como posto na Avenida das Alagoas, em Neópolis.

De acordo com pesquisa feita no aplicativo Nota Potiguar, que mostra preços de referência para diversos produtos, o valor do produto, em Natal, varia de R$ 3,98 a R$ R$ 4,79. Pelo menos, 41 postos de abastecimento de combustível em Natal, segundo o aplicativo, estão cobrando o valor de R$ 4,79 para a gasolina comum.  Dois cobram R$ 3,98 (Igapó, zona Norte) e oito cobram R$ 4,76; e outros 10 estabelecimentos cobram valores entre R$ 4,28 e R$ 4,78. 

O aumento do preço da gasolina nas refinarias, aplicado nesta quarta-feira, é o segundo no espaço de uma semana. A Petrobras já havia aumentado o valor do combustível na última quarta (23). A soma dos dois reajustes chega a 9%. Sobre a variação dos preços cobrados nos postos de combustíveis, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos/RN), Antônio Sales, destacou a liberdade que os revendedores têm em aplicar os preços nos seus produtos.

Segundo ele, o aumento significativo no preço da gasolina de um dia para o outro pode ser pelo fato de o último reajuste da Petrobras não ter sido repassado para o consumidor. "Há casos de revendedores que fizeram uma promoção na semana passada, aí não aplicou o reajuste. Então, eles podem ter aplicado a diferença só agora". Antônio Sales, no entanto, afirmou que essa não é uma explicação universal e disse que as práticas de venda variam. Ele frisou que o revendedor tem a liberdade de fazê-las.

Antes dos dois últimos reajustes da Petrobras, a unidade da estatal em Guamaré, principal fornecedora de derivados do petróleo no Estado, vendia um litro de gasolina a R$ 1,4843. A partir dessa quarta, o preço cobrado é de R$ 1,6320. No caso do Diesel, o preço foi de R$ 1,4626 para R$ 1,5115, na unidade de Guamaré.

Em relação ao início do ano, tanto gasolina como Diesel mostram redução no valor cobrado na refinaria potiguar, de 10,24% e de 31,1%, respectivamente. O Diesel virou o ano de 2019 custando R$ 2,1941. Já a gasolina iniciou este ano custando R$ 1,8181.

Nova gasolina
Conforme estabelecido pela Resolução 807/2020 da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a gasolina comercializada no Brasil deve atender novas especificações que garantam melhor qualidade e menos nocividade aos motores dos veículos e ao meio ambiente. A medida passou a vigorar no início de agosto deste ano, mas dá o prazo de 60 dias de adaptação para distribuidoras e de 90 dias para revendedores se regularizarem.

No RN, o presidente do Sindipostos informou que alguns postos já têm a nova gasolina, sem revelar quantos. Essa situação deve se estender a todos os quase 630 postos de revenda ativos no Estado até o início de novembro. Questionado se com a implementação da nova gasolina o preço do combustível deve ter aumento, ele respondeu que depende de como ele for cobrado nas refinarias e que não teve notificações da Petrobras nesse sentido.

A revisão da especificação da gasolina automotiva envolve, principalmente, três pontos. O primeiro é o estabelecimento de valor mínimo de massa específica (ME), de 715,0 kg/m, o que significa mais energia e menos consumo. O segundo é o valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A (vendida pelas refinarias), de 77ºC. Os parâmetros de destilação afetam desempenho e aquecimento do motor. O terceiro ponto é a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number), já presente nas especificações da gasolina em outros países.