Potiguar cria trovas para alertar sobre o vício do cigarro

Publicação: 2011-12-24 00:00:00
O ato de fumar já foi visto com glamour pelo cinema, um ‘charme’ que nesses tempos do politicamente correto passou a ser tido como cafona e demodê. Como forma de incentivar pessoas dispostas a largar o vício, o poeta e trovador Francisco Neves de Macedo elaborou uma forma criativa e bem humorada para combater o consumo de tabaco: criou a marca fictícia “DiVersos”, uma carteira com 18 ‘cigarros’ onde o conteúdo de cada é composto por uma mistura inofensiva de três trovas – uma de humor, outra lírica e a terceira anti-tabagista.
Marca fictícia DiVersos contém 18 falsos cigarros que, desenrolados, revelam mensagens poéticas
A produção artesanal das carteiras, fabricadas com madeira MDF devidamente estilizada, e dos cigarros manualmente enrolados, faz parte de uma iniciativa anual de Macedo que sempre busca oferecer um produto diferenciado para propagar seu trabalho literário – em 2010 ele lançou o livro-caixa “Sonetos à granel e trovas afins”. “Todos os anos elaboro algo diferente, e como não vejo graça nenhuma em fumar pensei no ‘DiVersos’”, disse o trovador, que comercializa seu produto nas livrarias Potylivros e no Café São Luiz, da Cidade Alta, por R$ 15.

Francisco Macedo fumou apenas uma vez na vida e disse que a experiência foi tão traumática que ele nunca mais quis saber de colocar um cigarro na boca. “Era moleque em Santana do Matos e meu pai fazia aqueles cigarro de fumo de rolo na palha de milho. Peguei um e fui fumar escondido debaixo de uma árvore bem distante de casa. Dei uma tragada tão forte que desmaiei. Nem sei quanto tempo fiquei desacordado, sei que na época não contei nada pra ninguém”, diverte-se o senhor de 63 anos. “Felizmente esse episódio me afastou do cigarro, e quando um amigo fumante me pede um conselho digo para largar o vício. Mas não sou daqueles patrulheiros chatos”, avisa.

Ocupante da cadeira 14 da  Academia de Trovas do RN ele finaliza recitando um de seus ‘cigarros’: “Eu digo e tenho certeza / Cigarro só traz derrota / Numa ponta a brasa / Na outra ponta um idiota”.