Potiguar filma cotidiano de Quilombo

Publicação: 2017-06-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O fotógrafo e cineasta Rodrigo Sena estreia em junho sua mais nova produção. Trata-se do documentário “A Grande Ceia Quilombola”, em que assina a direção ao lado da antropóloga Ana Stela Cunha – responsável pelo roteiro e argumento. O filme investiga o Quilombo de Damasio, no interior do Maranhão, terra doada por um senhor de engenho a três de suas escravas. Na comunidade, o alimento tem sido cultivado e extraído da natureza de forma parcimoniosa há séculos, fazendo parte da estrutura social.

“A Grande Ceia Quilombola” foi lançado oficialmente na mostra competitiva do Festival Ecofalante (SP) – maior evento audiovisual da América do Sul dedicado a temas socioambientais. Ainda em junho, a produção também será exibida no Festival Internacional de Cinema Documental e Etnográfico de Portugal CinANTROP.

O documentário retrata alguns dos saberes populares da comunidade onde a comida tem um papel fundamental na coesão do grupo. “É um filme social, sobre um tema não muito explorado, que é a cultura quilombola”, diz Rodrigo. Carioca, mas radicado há anos em Natal, ele entrou na produção do documentário à convite da  antropóloga Ana Stela, para registrar a pesquisa no quilombo. “Conhecia o trabalho da Ana, mas não ela pessoalmente. Suas pesquisas transitam pela diáspora africana e são referência no Brasil, em Cuba e em Angola. Pintou o convite e topei”.

O filme mostra vários hábitos do quilombo, como os modos particulares de plantar, colher, caçar, pescar, a ausência de comércio e a força da cooperativa local. Crenças como a de que o consumo da juçara (como o açaí é chamado no Maranhão) com outras frutas pode levar a morte são tratadas. odrigo lembra que uma peculiaridade do lugar é a relação dos quilombolas com a Raissa Lanches, primeira lanchonete na região. “Os hambúrgueres e pizzas podem gerar uma nova perspectiva nos hábitos alimentares daquela comunidade, podendo inclusive acarretar mudanças na base alimentar do grupo, que é a farinha, camarão, peixe e juçara”, diz o cineasta.

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários