Potiguares estão entre os que mais gastam com cultura no Nordeste, aponta IBGE

Publicação: 2019-12-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter *

As famílias potiguares são as que têm a segunda maior despesa com cultura no Nordeste. O gasto médio mensal corresponde a 7,2% das despesas totais das famílias. Isso representa R$ 239,78. É um valor que está abaixo dos gastos com alimentação (R$ 820,21), habitação (R$ 816,64), transporte (R$585,12) e assistência à saúde (R$ 259,20). No Nordeste, à frente do Rio Grande do Norte só as famílias paraibanas, cujas despesas mensais com produtos e serviços culturais é de 7,8% de seus orçamentos – a média nacional é de 7,5%.

A preferência de gasto dos potiguares é com serviços de Internet e TV por assinatura

Os dados são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2007-2018, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (5). No país, o Distrito Federal é onde o gasto familiar com cultura é o maior: 8,7% das despesas totais mensais. O Rio de Janeiro vem na sequência com 8,6% e Rio Grande do Sul com 8,0%.

O levantamento aponta também que dos R$ 239,78 aplicados mensalmente em cultura pelas famílias potiguares, 58% são direcionados para “serviços de TV por assinatura e internet”, isto é, R$ 138,92. Seguindo a ordem, aparecem os gastos com atividade de cultura, lazer e festas (R$ 35,20) e aquisição de eletrodomésticos (R$ 29,87).

A preferência por serviços de TV evidencia o quanto a televisão é o grande bem cultural do brasileiro. Segundo os dados do IBGE, o aparelho está em nada menos que 97,2% dos lares. E diferente de qualquer outro bem de consumo, a posse desse eletrodoméstico não apresenta diferenças significativas em relação à cor ou raça, grupos de idade, nível de instrução e gênero. A versão de tela plana também está em alta: já está em 74% das casas.

A televisão pelo visto é o aparelho cultural mais democrático do país. As razões para esse fato são diversas, como demonstra o mapeamento do IBGE feito a partir do cruzamento de dados de diversas pesquisas da Instituição. O número de cinemas no país é um deles. Esse equipamento cultural está em apenas 10% dos municípios. Trazendo para a realidade do Rio Grande do Norte, onde a concentração das salas praticamente se resume à Natal e Mossoró, 46% da população tem cinema em sua cidade (a média brasileira é de 60%).

O índice é semelhante ao de museus, em que 45% da população potiguar mora em município com algum equipamento desses (no Brasil, a média é de 68%). A situação melhora um pouco quando se trata de teatro ou casa de espetáculos. Segundo o estudo, 54% da população norte-rio-grandense mora em município com esse tipo de equipamento.

Verbas públicas
Saindo dos gastos das famílias e indo para o dos governos, a pesquisa do IBGE revela que no Brasil as despesas públicas em cultura aumentaram de uma maneira geral entre 2011 e 2018. O salto foi de R$ 7,1 bilhões para R$ 9,1 bilhões. No entanto, a verba cultural perdeu em importância se observado dentro do total de gastos públicos: caiu de 0,28% do orçamento total para 0,21%.

Trazendo para a realidade local, no Rio Grande do Norte o governo estadual teve uma despesa de R$ 21,6 milhões com Cultura somente em 2018. Essa é a segunda menor despesa anual desde 2011 – A maior foi em 2014, quando o montante investido foi de R$ 33,6 milhões. Na região Nordeste, a despesa norte-rio-grandense na Cultura só é maior do que a despesa alagoana (R$ 15,9 milhões), sergipana (R$ 14,5 milhões) e paraibana (R$ 12,8 milhões). Com R$ 173,8 milhões, a Bahia tem a maior despesa da região.

Quando o recorte é apenas dos gastos municipais com cultura, o RN apresentou uma despesa de R$ 67,4 milhões em 2018) – a maior despesa anual desde 2011. Em relação aos estados do Nordeste, esse valor supera as despesas dos municípios em Sergipe (R$ 58,9 milhões), Alagoas (R$ 48,1 milhões) e Piauí (R$ 42,4 milhões).

No RN, média salarial é 3º melhor do Nordeste
Em todo o território brasileiro, o número de empresas e organizações voltadas para a cultura caiu, conforme os dados do IBGE, indo 353,2 mil, em 2001, para 325,7 mil, em 2017. O número de pessoas ocupadas neste setor também caiu, passando de 4,2% para 3,7% no mesmo período.

Em números locais, os dados do IBGE mostram que no RN há 2.907 unidades locais de cultura e 12.445 profissionais assalariados no setor, conforme pesquisa de 2017, a última realizada pela instituição. Muito pouco se comparado com o Ceará, por exemplo, que soma 7.336 unidades locais e  34.449 profissionais assalariados. No entanto, enquanto no Ceará o salário médio desses profissionais é de R$ 1.846, no Rio Grande do Norte o rendimento médio real é de R$ 1.909, valor que fica atrás somente de Pernambuco (R$ 2.236) e Bahia (R$ 2.131).

Na comparação entre as regiões do país, o Nordeste tem a pior média de salário, R$ 1.978. A média salarial nas demais regiões está acima de R$ 2.200: Norte, R$ 2.203; Sul, R$ 2.218; Centro-oeste, R$ 3.028; e Sudeste, R$ 4.074. A média do Brasil é de R$ 3.439. Esses dados abrangem apenas os empregos formais na área.

Os dados nacionais também revelam o padrão de desigualdade geral do País. Em 2017, a região Sudeste concentrava 58,5% dos assalariados nas atividades culturais. O setor tem mais ocupados da cor branca do que pretos e pardos, mas o porcentual de negros está aumentando: de 42,3%, em 2014, para 45,7, em 2018. Entre 2014 e 2018 a participação feminina no setor cresceu de 43,7% para 50,5%.

* Com informações do Estadão Conteúdo e IBGE)




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