PPS e PMN apressam fusão para evitar as restrições

Publicação: 2013-04-17 00:00:00
Brasília (AE) - Para fugir à restrição que PT, PMDB e DEM pretendem impor aos novos partidos, tirando-lhes o tempo de rádio e TV e o direito ao fundo partidário, PPS e PMN se fundirão hoje em um congresso conjunto e relâmpago. A ideia é começar a reunião por volta das 10 horas e terminar ao meio-dia. Em seguida, a ata de fusão dos partidos será registrada num cartório. O novo partido se chamará Mobilização Democrática (MD) e terá o número 33, que era do PMN.
Rubens Bueno, líder do PPS, critica projeto que muda as regras para formação de novos partidos
Os dirigentes da nova legenda temiam que a Câmara aprovasse ontem a urgência e votasse as regras que criarão dificuldades para os novos partidos, entre eles o Rede, da ex-ministra Marina Silva. E estava tudo fosse mesmo votado. Mas o plenário da casa foi invadido por centenas de índios por volta das 18 horas. Com medo, boa parte dos deputados escapou por saídas alternativas, impossibilitando qualquer tentativa de fazer a sessão.

“O rolo compressor que o governo do PT quer passar no Congresso Nacional para aprovar o projeto que dificulta a fusão e a criação de novos partidos é de um casuísmo sem tamanho. Um verdadeiro golpe contra a democracia”, disse o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR), ao sair da reunião dos líderes partidários. Bueno disse que o governo precisa explicar por que mudou de posição. “Quando da criação do PSD, que levou tempo de TV e fundo partidário dos deputados que tirou dos outros partidos, o governo deu todo o apoio. O próprio Lula trabalhou a favor. Agora, que temos a Marina Silva construindo seu partido, o PPS se unindo ao PMN, reforçando a oposição, querem barrar. Isso é antidemocrático, é puro golpe”, afirmou Bueno.
Votação

Marina Silva, que pediu ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para que o projeto não fosse votado, deixou o gabinete da presidência da Casa decepcionada. “Ele disse que o projeto será votado e que foi apresentado por um companheiro do PMDB”, disse Marina, ao falar do encontro com o presidente da Câmara. A ex-ministra atacou o projeto. “Lutamos a vida inteira por democracia. Esse projeto é antidemocrático, tira o direito de que outros expressem duas ideias. É o tiro de misericórdia nesse setor da sociedade que se propõe a fazer uma política diferente. Revive o obscurantismo, o casuísmo, a violência dos mais fortes contra os mais fracos”, disse a ex-senadora Marina Silva.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou ontem que o Palácio do Planalto não está preocupado com a criação de novos partidos no país. "É um movimento natural, assim como surgiu PSD, é normal que haja esses movimentos. (PPS e PMN) São dois partidos que não estão na base governista, não cabe nenhum comentário valorativo dessa questão", destacou o ministro ele, após participar de seminário no Palácio do Planalto.