Praia de Ponta Negra é um lixo só

Publicação: 2010-01-16 00:00:00 | Comentários: 6
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Um dos principais cartões postais do turismo em Natal, Ponta Negra é de longe a praia urbana que mais produz lixo durante o verão. Mesmo levando em conta a passagem do Ano Novo, quando milhares de pessoas amanhecem o dia na orla marítima, nos 11 primeiros dias de janeiro a Companhia Municipal de Serviços Urbanos (Urbana) levantou que naquela praia da Zona Sul de Natal a coleta diária dos resíduos sólidos alcançou 17,6 toneladas por dia, volume que supera, inclusive, o lixo coletado nas praias da Redinha e do Meio, incluindo as praias do Forte, dos Artistas e Areia Preta.

Turistas nacionais e internacionais que frequentam a praia de Ponta Negra,  reagem, indignados, à quantidade de lixo jogado ao chão“Os dados são apenas da coleta do lixo das praias”, diz o diretor-presidente da Urbana, jornalista Bosco Afonso, a respeito do fato que não conta, aí, o lixo doméstico coletado regularmente nas áreas residenciais adjacentes à orla urbana da cidade.

Segundo a Urbana, a coleta do lixo proveniente da atividade turística e comercial, como bares, restaurantes, vendedores ambulantes e até barracas, chegou a uma média de 10,76 toneladas na praia do Meio e de 4,54 toneladas na praia da Redinha.

Em comparação com a média do lixo coletado num período fora da alta estação, basta dizer em Ponta Negra o volume de resíduos coletados no começo de janeiro deste ano superou, praticamente, o triplo do que foi produzido em apenas uma semana em setembro de 2009, quando foram coletados, em média, 5,74 toneladas entre os dias 7 e 15 desse mês. Já na praia do Meio, o volume de lixo coletado  nesse período foi de 4,0 toneladas e e na Redinha, 2,67 toneladas.

Bosco Afonso explicou que a Urbana hoje tem como mensurar o lixo coletado nas praias de Natal porque colocou uma espécie de caixa de coleta, chamada de Mulok devido o nome do fabricante, que é instalada em diversos pontos da praia, ou acima do solo, ou encaixada no próprio solo. Regularmente, um caminhão passa em até três vezes nas praias, diariamente, para recolher o lixo que é posto dentro de uma sacola plástica inserida dentro do Mulok, que é depois retirada sem a necessidade de remover a tal caixa.

O presidente da Urbana explica que os comerciantes e os próprios banhistas podem colocar o  lixo nestas caixas, sem que haja a necessidade de que os chamados caminhões compactadores, que fazem regularmente a coleta do lixo doméstico, tenha de passar, necessariamente, pela orla marítima. Ao todo, a Urbana pôs 14 Muloks em Ponta Negra, oito na Praia do Meio e três na Redinha, totalizando 25 caixas de coleta. “Nós adquirimos 40 Muloks e estamos comprando mais 20 para toda a cidade”, informou ele.

Para atender a crescente produção de lixo durante o veraneio nas praias urbanas, Bosco Afonso explicou que a Urbana ampliou, também por intermédio das empresas terceirizadas, o  número de garis que fazem a limpeza diária da orla marítima. Ele disse que 37 homens trabalham em Ponta Negra das 5 às 11 hora, mais 14 das 8 às 14 horas e outros 14 das 14 horas até às 19 horas.

Na praia do Meio são 14 homens trabalhando de 5 às 15 horas e dai em diante, até às 22 horas, mais 14 garis.  Na Redinha,l são 36 garis fazendo a  limpeza da orla entre 7 e 16 horas. “Isso vai até depois do Carnaval”, garantiu Bosco Afonso.

Gerente de um bar no calçadão da Redinha, Erick Guedes Filho diz que a coleta do lixo naquela praia da Zona Norte de Natal ocorre regularmente, mas ele só reclama de que “quase não existe lixeiras” para os banhistas colocarem lixo.

Guedes chegou a mostrar que só existe uma lixeira, assim mesmo muito pequena, entre o seu bar e o Redinha Clube, além de apontar que “existe uma questão cultural” com relação aos próprios banhistas, que jogam o lixo “na areia”.

Arrendatário do Redinha Clube, Sérgio Goes da Costa diz que em virtude do vento, muito lixo da praia é acumulado em volta do prédio. Como se trata de uma instituição privada, e a Urbana só coleta o  lixo da área pública, ele disse que é obrigado a fazer essa limpeza, que podia ser menos dispendiosa, se fosse colocados muitas lixeiras no calçadão da praia.

Bosco Afonso admitiu que, realmente, existe essa deficiência na Redinha, embora a empresa já esteja tomando providência com a aquisição de 200 lixeiras: “Vamos mandar 30 para a Redinha”.

Ao contrário da Redinha, Bosco Afonso admite que “não faltam” lixeiras em Ponta Negra, onde existem o equipamento próximo aos 104 postes daquela orla.

O banhista Júlio Merege é amazonense e mora em Natal há seis anos. A beleza natural da Redinha o levou, principalmente devido a falta de conscientização dos banhistas, a fazer uma campanha, voluntariamente, para que os frequentadores da Redinha “não joguem lixo na areia”. Ele coloca pelo menos quatro placas ao longo da praia, exaltando a necessidade do banhista “manter a praia limpa”.

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Comentários

  • fabiocanilson

    E ISSO AI CADE CIDADE TEM O PREFEITO QUE MERECE BOTA PRA DECER MICARLA.

  • zecaparaense

    Como se não bastasse o lixo que tomou conta da praia de Ponta Negra, o calçadão é só buraco e os acessos à areia (do calçadão) já não existem mais. Esperava-se que com a chegada da alta estação a prefeitura fizesse alguma coisa; me enganei.A Av. Roberto Freire no sentido Rota do Sol até a feirinha, as pessoas têm que apelar pra o asfalto pois em alguns trechos não há calçadas. Está uma bagunça generalizada.É lamentável...E eu que depositei minhas esperanças na Prefeita!!!Agora, vão empurrar com a barriga até 2014; até lá imagino como não ficarão as praias. Sra Prefeita, a praia de Ponta Negra é o mais bonito cartão postal natural da cidade e por isso deve ser tratada com muito carinho sobre todos os aspectos.Aqueles carrinhos de som estão insuportáveis, motos no calçadão colocam a segurança das pessoas em risco e circulam livremente durante todo o ano, isopores utilizados por ambulantes em péssimo estado de higiene, barracas cobrando até 50,00 pelo guarda-sol e cadeiras...tá um absurdo, cidade sem Lei.

  • jose--bastos

    É lamentávelmente verdade a praia de Ponta Negra tem muito lixo. Mas convém não esquecer o numero de banhista que a frequentam. Milagres não conseguem os guaris que procuram limpá-la. Tudo é feito manualmente. Não é possivel. O mibiliário da praia não é convidativo para o veraneante cuidar dela. Faltam cestos em TODAS as barracas. Cada quiosque recolheria para recipiente maior instalado no calçadão os residios das pequenas lixeiras. Essas seriam por meios mecanicos, um carro eletrico, despejadas e substituidas por outras devidamente limpas. Todas as manhãs antes da \"abertura da praia\" uma máquina deveria limpar a praia. Um trator agricola com um sistema de peneirar a areia. Numa hora ou mesmo duas limparia toda a praia. Há quosques que apenas são constituidos por uma tábuas sem as minimas condições. As autoridades rêm que olhar a praia com uma visão de futuro. O futuro exige modernidade. Os banheiros em toda a praia(não só numa pequena parte) é um falta que ninguém entende. Se quiserem eu estou disposto a colaborar com as autoridades e prometo melhorias imediatas. A praia de Ponta Negra é linda. Não esqueçam cuidar da sua beleza. Todos agradecemos

  • olivrn

    o pior é que isso acontece também nas praias das outras cidades; Tabatinga pede socorro!!!!!!!!!! fora prefeitinho de meia tigela!

  • marcovon

    Cada natalense tem o lixo que merece....

  • br.eduardo

    Que o povo é muito mau educado, isso é verdade, mas falta infra-estrutura tambem, au já caminhei mais de 100 metros na praia dos artistas com cum coco na mão sem achar uma lixeira para coloca-lo.