Preços dos carros disparam no Brasil nos últimos 12 meses

Publicação: 2021-02-21 00:00:00
Os preços dos carros novos dispararam no Brasil. Em 12 meses, 26 dos modelos mais vendidos tiveram as tabelas reajustadas em 17,12%, em média. A “alta” é bem maior que a inflação de 2020 (4,52%).

O VW GOL, ficou 19,5% (R$ 9.170) mais caro em um ano. O Onix, aumentou 22,94% (R$ 11.400). O IPCA do carro novo em 2020 foi de 4,03% e o do seminovo e usado, de 2,8%.

Créditos: DivulgaçãoEm 12 meses, modelos “populares”, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen GOL, por exemplo, tiveram os preços reajustados em torno de 17% em nosso PaísEm 12 meses, modelos “populares”, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen GOL, por exemplo, tiveram os preços reajustados em torno de 17% em nosso País

Comparamos os preços das fábricas em fevereiro de 2020 com as tabelas do mesmo período deste ano. Os preços são os das versões mais simples.

Segundo as montadoras, a “alta” resulta da desvalorização do real e do aumento dos preços de matérias primas e insumos no mercado internacional. As empresas se queixam dos altos impostos e burocracia.

O Onix, a versão de entrada, custava a partir de R$ 49.690 em fevereiro de 2020. Hoje, o custa a partir de R$ 61.090.

O GOL 1.0 básico, cuja tabela iniciava em R$ 47.020, hoje está por R$ 56.190. Confira as altas de alguns modelos.

Todos os carros novos ficaram bem mais caros. Dos sedãs, o Onix Plus ficou 18,38% (R$ 10.330) mais caro em um ano.

O sedã Yaris, da Toyota, foi reajustado em 17,8%. Alta de R$ 11.700. Passou de R$ 68.490, em fevereiro de 2020, para R$ 80.190 atualmente. A tabela do VW Virtus (com 14,58%) subiu muito além da inflação. A versão 1.6 MSI com câmbio manual, o aumento foi de R$ 9.975,00. Subiu de R$ 68.415 para R$ 78.390.

Entre os SUVs compactos, o VW T-Cross  foi o que mais encareceu em 12 meses. A alta no período foi de 16,5%. A tabela saltou de R$ 84.990, há um ano, para R$ 99.070 hoje. Dessa forma, está R$ 14.080 mais alta.

O Honda H-RV teve o preço da versão de entrada reajustado em 13% no mesmo período. Dessa maneira, agora o carro parte de R$ 105.100.

Nem mesmo os lançamentos mais recentes escaparam da agressiva inflação do carro. A nova geração do Tracker por exemplo, estreou no Brasil em março de 2020 com tabela a partir de R$ 82.000. Após 12 meses o mesmo SUV custa a partir de R$ 92.850. Menos de um ano, ficou 13,23% mais caro.

Com vendas em alta, as pick-ups são as preferidas do consumidor e tiveram altas sucessivas.

A Strada, nova geração, mais vendida do  País, sofreu reajuste de 9,16% desde então. O novo modelo foi lançado com tabela a partir de R$ 69.685. Após vários reajustes, que somam R$ 6.095, agora parte de R$ 63.590.

Agora, a versão Hard Working, cabine simples, tem preço de R$ 65.490, alta de 9,16%, ou R$ 12.490 em 12 meses

As pick-ups S10 e Hilux tiveram altas ainda maiores. As duas foram atualizadas em meados de 2020. Mesmo assim, as altas nas tabelas impressionam. A S10, o reajuste em 12 meses chega a 33,14%. Acréscimo de R$ 37.550 para a versão simples com cabine dupla e motor 2.5 FLEX. O preço era de R$ 113.290 há 1 ano, agora, R$ 150.840.

A Hilux teve alta de 26,98%. O aumento chega a R$ 34.000. A pick-up média mais vendida do nosso mercado custava R$ 125.990 em fevereiro de 2020. Agora, com cabine dupla e motor 2.7 FLEX, parte de R$ 159.990.

A Indústria culpa alta do dólar, impostos e burocracia. Há alguns meses as montadoras explicam os sucessivos aumentos de preços aplicados aos modelos oferecidos no Brasil. Como justificar a alta de 16,53% (mais de R$ 19.000) no preço Jeep do Compass? Ele tinha preço a partir de R$ 116.990 há 12 meses. Agora, custa R$ 136.285. E deve ficar mais caro, porque será reestilizado em breve.

A Anfavea diz:  a desvalorização do real ante o dólar é uma das responsáveis pelo encarecimento dos veículos em nosso País. Isso porque, após o início do coronavírus, a cotação da moeda norte-americana chegou a beirar os R$ 6,00, em maio de 2020. Assim, os preços de matérias-primas, como o aço, além de componentes eletrônicos e insumos importados, que são cotados em dólar, dispararam.

Mas não foi só isso. O coronavírus também trouxe desafios na logística e afetou a produção de peças e insumos básicos, como borracha e plástico. Além disso, os custos de frete subiram. Ou seja, está mais caro produzir veículos no Brasil. Os gastos extras atingiram os modelos que ficam nos extremos das linhas de produtos. Ou seja, de baixo e de alto conteúdo tecnológico.

Anfavea, fim do custo Brasil

O  governo quer aumentar os impostos, para recuperar a queda na arrecadação. Segundo a Anfavea, a carga tributária sobre o carro no Brasil chega a 44%.

“Isso está prejudicando apenas as montadoras? Não. Prejudica toda a cadeia”, diz Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. Segundo ele, quem está pagando por isso é o consumidor. “Como cidadãos, pagamos uma carga tributária absurda para comprar um carro novo”.

Em entrevista, Karl Deppen, presidente da Mercedes-Benz, afirma que, com a crise causada pelo coronavírus, problemas que o País enfrentava, como a pressão de alta de custos, ficaram mais graves. Segundo ele, é preciso fazer reformas urgentemente, de modo a garantir que a indústria de carros seja mais competitiva. “Estabilidade político-econômica é vital para os negócios de veículos comerciais, que dependem da confiança dos empresários e dos consumidores. E, lógico, contribuem de forma importante para o crescimento do Brasil”, declarou o executivo.

Pablo Di Si, presidente da Volkswagen do Brasil, por seu turno, afirmou que reduzir o imposto na cadeia automotiva é o caminho para o desenvolvimento da indústria de carros.

Segundo ele, não é preciso haver benefícios fiscais concedidos pelo governo. A redução da carga tributária é fundamental. Di Si afirma que 54% do valor de um carro vendido no Brasil corresponde a impostos. Assim,  apenas essa redução seria capaz de gerar condições para que as montadoras permaneçam no Brasil e programem outros investimentos (carros elétricos).