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Economia
Preços mínimos do frete rodoviário têm reajuste de 7,06% a 8,99%
Publicado: 00:01:00 - 30/06/2022 Atualizado: 21:32:22 - 29/06/2022
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nova tabela com preços mínimos de frete rodoviário atualizados, com reajuste médio de 7,06% a 8,99%. Os efeitos variam conforme o tipo de carga, número de eixos, distância do deslocamento e tipo de operação. A atualização dos valores foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na noite da última sexta-feira, 24. 

Adriano Abreu
O reajuste da tabela de preço era uma reivindicação dos caminhoneiros. O último aumento pelo gatilho tinha corrido em 19 de março

O reajuste da tabela de preço era uma reivindicação dos caminhoneiros. O último aumento pelo gatilho tinha corrido em 19 de março


Segundo a ANTT, o reajuste foi feito após ser constatada variação superior a 5% no preço do óleo diesel praticado na bomba dos postos de varejo no mercado nacional em relação aos valores de referência utilizados na tabela do frete anterior. A ANTT deliberou sobre a atualização após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgar preço médio do diesel S10 na última semana, de R$ 7,678 por litro, o que significa alta de 13,73% ante o preço médio do combustível considerado na planilha de cálculos da tabela anterior da ANTT, de R$ 6,751 por litro. Os valores do óleo diesel S10 praticados nos postos de combustíveis do País são divulgados pela ANP em levantamentos semanais. 

Pela legislação, a ANTT tem de reajustar a tabela do frete a cada seis meses ou quando a variação do preço do diesel for igual ou superior a 5% - quando é acionado o mecanismo de gatilho. O último reajuste da tabela pelo mecanismo do gatilho havia sido feito em 19 de março. A Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas foi instituída em 2018 pelo governo Michel Temer, após greve nacional dos caminhoneiros que paralisou o abastecimento do País. 

O reajuste da tabela do frete era demandando pelos caminhoneiros, após aumentos sucessivos no preço dos combustíveis pela Petrobras. A categoria alega que a cotação aplicada no cálculo do piso estava defasada. Isso ocorre porque a atualização da tabela do frete não é feita de forma imediata, porque o reajuste da Petrobras refere-se ao preço do combustível nas refinarias, enquanto o valor adotado como referência na tabela do frete é a média dos preços praticados nas bombas dos postos de combustíveis, auferido em levantamento semanal feito pela ANP, e não os anunciados pela petroleira. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Fretebras — uma plataforma de transporte rodoviário de cargas —, o preço do diesel no Rio Grande do Norte teve um aumento de 4,55% entre abril e maio, enquanto o valor médio dos fretes subiu 8,24%. Já entre maio de 2021 e maio de 2022, o diesel teve aumento de 47,51% e o preço dos fretes teve queda de 12,56%. Para o site, o preço do frete rodoviário ainda não acompanha o crescimento de preços do diesel.

O preço do litro do diesel vendido às distribuidoras teve um crescimento de 14,26%. Passou de R$ 4,91 para R$ 5,61, em anúncio feito na sexta-feira (17), nas refinarias. Por isso, trouxe reflexo nos fretes. No Brasil, entre abril e maio de 2022 o aumento do preço do frete foi de apenas 0,98%, enquanto o preço do diesel subiu 3,67%. Os dados da Fretebras mostram ainda que o valor médio do frete por quilômetro por eixo no país foi de R$ 1,02, em maio. No Nordeste, o frete custava R$ 0,99.

Na variação anual, os fretes para produtos industrializados registraram aumento de 4,17%, segundo os dados são da Fretebras. Entre os setores, o agronegócio puxa a lista dos fretes mais altos. Nesta área, o aumento foi de 3,92%. Já os fretes de insumos para construção subiram 1,31% em comparação com maio de 2021. No índice da Fretebras, os fretes para o agronegócio foram fixados em R$ 1,03 por km rodado por eixo. Logo em seguida aparecem os fretes de produtos industrializados, que chegaram ao valor médio de R$ 1,02. Na terceira colocação, há os fretes de insumos para construção, que ficaram em R$ 1,01 por km rodado por eixo.

Quando comparados os dados de abril a maio de 2022, o setor de construção civil teve aumento de 2,29%. Os fretes de produtos industrializados registraram alta de 1,13%. Já no agronegócio houve queda de 0,04% no valor do frete.

Na pesquisa da Fretebras, que agrega enquete com mais de 1.300 motoristas, 44,8% dos participantes dizem que consideram deixar a profissão em breve, após nova alta no combustível. Mais da metade (54,9%) são favoráveis a participar de uma greve nos próximos três meses.

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