Preço para energia eólica desestimula investimentos

Publicação: 2011-07-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Andrielle Mendes
Repórter de Economia

O ‘preço-teto’ da energia eólica estipulado para os leilões de energia A-3 e de Reserva de Energia, agendados para agosto, preocupa investidores. A expectativa é que o preço final caia até 15% do que o estipulado. Nos últimos três leilões com projetos eólicos, o preço caiu mais de 20%. Para investidores como Dionisio Fernández Auray, CEO (espécie de diretor executivo) da Gestamp Wind, se o preço médio do leilão ficar muito abaixo do estipulado pela Empresa de Pesquisa Energética (Epe), produzir energia eólica deixará de ser atrativo.
Diretores do Idema falam de medidas adotadas e explicam por que 14 projetos para geração de energia eólica foram rejeitados
A Gestamp Wind cadastrou 11 projetos eólicos nos dois leilões e pretende investir R$ 900 milhões, caso todos eles sejam aprovados. Do total de projetos, sete são para o Rio Grande do Norte e quatro para a Bahia. A empresa, que já conseguiu aprovar sete projetos nos leilões anteriores, se preocupa com a queda gradual na tarifa. “O valor já está muito baixo. Se ficar ainda menor, ficará difícil construir os parques  eólicos”, afirma Dionisio Auray.

Uma redução ainda maior no preço final, na ótica do investidor, diminuiria a rentabilidade do negócio e afastaria algumas empresas. “Se ficar neste valor, há rentabilidade suficiente para executar os projetos. Se cair muito, empresas deixarão de participar do leilão. Isso porque não podemos aceitar um preço ruim , e sim, um preço justo”, explica Dionisio.

Jean Paul Prates, ex-secretário estadual de Energia e diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, esclarece que o preço-teto serve como um guia para os investidores. “É como se a Empresa de Pesquisa Energética (Epe), órgão responsável pela habilitação dos projetos e vinculada ao governo federal, informasse até quanto está disposta a pagar pelo MW/h”, explica. Nos outros três leilões realizados em 2009 e 2010, o preço final sempre foi menor que o estipulado pela EPE.

Em 2009, por exemplo, o preço-teto foi R$ 189 MW/h. O preço médio do leilão, entretanto, ficou em R$ 148,39 MW/h (21,49% menor que o máximo estabelecido). Em 2010, o preço-teto foi R$ 167 MW/h. O preço médio do leilão, entretanto, ficou em R$ 122,69 MW/h (26,53% menor que o estabelecido). A tendência é que o preço caia até 15% nos leilões de 2011. Para o leilão A-3, o preço-teto da energia foi estipulado em R$ 139/MWh. Para o leilão de energia de reserva, em R$ 146/MWh.

Para Pedro Perrelli, diretor executivo da Abeeólica, entidade que representa o setor, o próprio modelo do leilão, cujas propostas partem sempre de um preço teto, força os preços para baixo. Foi este modelo que, na avaliação de Jean Paul Prates,  transformou a energia eólica brasileira numa das mais competitivas do mundo.

Pedro Perrelli, admite que “nem todo mundo vai vender” com mais uma redução no preço. Apesar disso, acredita que o processo não será prejudicado com a saída de algumas empresas. “Tem muitos projetos em áreas com forte fator de capacidade. Nestes locais, a taxa de retorno compensa a tarifa”, justifica.

A regularidade dos leilões, que estão ocorrendo anualmente desde 2009, e a quantidade de projetos cadastrados todos os anos, segundo ele, mostram que há mercado e que produzir energia eólica é competitivo. Na opinião de Pedro Perrelli, o Brasil está se aproximando do ‘preço-base’ da energia eólica. “Ele vai ser atingido quando ocorrer um leilão que não venda nada”, afirma. Segundo Prates, no último leilão, o preço final de energia produzida por parques no Rio Grande do Sul ficou em torno de R$ 122. “Se este ano ficar em torno disso, está bom. Se ficar abaixo, começaremos a duvidar da capacidade do empreendedor colocar o parque para funcionar”, analisa Prates.

Liderança

Embora a Empresa de Pesquisa Energética não tenha divulgado o número de projetos habilitados por estado, Jean Paul Prates, ex-secretário estadual de Energia e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, acredita que o Rio Grande do Norte liderará mais uma vez o ranking nacional. Do total de 429 projetos inscritos nacionalmente pelo setor para participar da disputa, 116, ou 27%, são previstos para o estado. A oferta de energia do RN chega a 3.012 Megawatts (MW), representando 27,54% do total ofertado por todos os concorrentes.

Idema concedeu 82 licenças prévias para eólicas

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) concedeu 82 licenças prévias para projetos eólicos que participarão dos leilões A-3 e de Reserva de Energia, agendados para agosto. As licenças são consideradas pré-requisitos para participação no processo. Ao todo, foram analisados 96 pedidos. A maioria feita por grandes empresas, com capital estrangeiro, experiência na área e projetos aprovados fora do estado. A aprovação dos projetos ficou em torno de 85%. Os 14 projetos reprovados ou não estavam bem fundamentados ou foram apresentados por empreendedores que deixaram de apresentar a documentação exigida. Os números foram divulgados ontem pelo Idema, durante coletiva de imprensa.

O órgão, que admitiu o congestionamento na análise dos pedidos, conseguiu analisar todos os pedidos antes dos leilões. O congestionamento na análise chegou a ser apontado por investidores como um dos gargalos do setor. Para evitar maiores transtornos, o órgão  criou em fevereiro um núcleo especializado em energia eólica, que conta, atualmente, com seis técnicos. Já de olho no crescimento da demanda de pedidos de licenciamento, o Idema vai contratar mais oito técnicos até setembro.

Antes de instalar um parque eólico e gerar energia, o empreendedor precisa de licença prévia, licença de instalação e licença de operação. As chances de obter a licença prévia e não obter a licença de instalação são praticamente nulas, afirma o diretor do órgão ambiental, Marcelo Toscano. Atualmente, há três parques eólicos em operação no RN (dois em Guamaré e um em Rio do Fogo). A expectativa é instalar mais de 60 até 2013, gerando até R$8 bilhões em investimentos.

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