Prefeito defendeu a verticalização na orla urbana

Publicação: 2019-09-20 00:00:00
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O prefeito Álvaro Dias praticamente repetiu na Câmara Municipal de Natal nesta quinta-feira o discurso a favor da revisão do plano diretor para permitir a verticalização da orla realizado a um grupo de empresários na semana passada. Aos vereadores, Álvaro afirmou que a vontade da prefeitura é “verticalizar a orla para fazer da área um local mais aprazível”.

Créditos: Adriano AbreuPopulares e representantes de entidades acompanharam a apresentação na galeria da CâmaraPopulares e representantes de entidades acompanharam a apresentação na galeria da Câmara
Populares e representantes de entidades acompanharam a apresentação na galeria da Câmara

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Durante a audiência, o prefeito citou que vão haver critérios para a verticalização para não ser algo desmedido. No entanto, esses critérios ainda não foram definidos e só devem serem conhecidos com o envio do projeto de lei do plano para o parlamento.

Dias também utilizou os argumentos de perda de população para cidades vizinhas, baixo adensamento e exemplos de capitais vizinhas, como Fortaleza e Recife, para defender o ponto de vista. “Eu pessoalmente sou a favor da verticalização da orla porque vamos trazer a população para morar nela”, declarou. “O atual plano diretor é retrógrado e caduco, impede que a nossa orla se desenvolva como nas cidades mais modernas que temos aqui”.

Na semana passada, o prefeito chegou a afirmar que a orla de Natal tem “tráfico de drogas e prostituição” e considerou o Hotel Reis Magos uma “porcaria” que deveria ser derrubada. Ele suavizou o discurso nesta quinta-feira, afirmando que a orla tem “coisas ruins” e que a prefeitura não tem intenção de preservar o Hotel Reis Magos porque ele “está em ruínas, com focos de dengue e teria um custo muito caro para ser revitalizado”.

“A Prefeitura precisa investir R$ 60 milhões para recuperar o hotel. Nós vamos investir para recuperar isso aí? Não, eu não quero. Quero trazer investimento para o povo de Natal, não gastar dinheiro público com o hotel”, continuou Álvaro.

O prefeito também voltou a tocar no assunto de uma “minoria barulhenta” que estaria contra a verticalização da orla e disse que essas pessoas precisam “respeitar a vontade da maioria, que quer a verticalização”. “Se lembrem que na democracia a decisão da maioria tem que prevalecer”, afirmou às galerias, onde estavam grupos da sociedade civil contrários à verticalização.

“Minorias barulhentas”
A declaração de Álvaro sobre os setores que pensam contrário à prefeitura foi reforçada por alguns parlamentares e criticadas por outros. Parte dos vereadores também pediu “equilíbrio” e “consenso” em torno do debate.

O vereador Klaus Araújo (SD) foi um dos parlamentares que mais se utilizou do discurso de que existe uma “minoria barulhenta”. “Quem é contra, é contra o desenvolvimento de Natal. E essas mesmas pessoas são quem passa as férias em Miami, Paris”, disse, sem citar nomes.

Já Divaneide Basílio (PT) considerou que, ao falar que existe uma “minoria barulhenta”, Álvaro Dias desconsidera que o Plano Diretor é um “processo de construção coletiva”. “A fala dele descredencia o processo de participação que ainda está acontecendo, quando ele antecipa que uma minoria barulhenta tem que atacar o que for decidido e defenda a verticalização. Isso sim é um grande equívoco”, declarou.

Parlamentares como Paulinho Freire (PSDB), Eleika Bezerra (PSL) e Raniere Barbosa (Avante) afirmaram que o plano diretor precisa de uma discussão ampla para ser benéfico para a cidade. “O Plano Diretor não tem que ser 8, nem 80. Tem que ter equilíbrio na hora de ser feito porque afeta a vida de todos na cidade”, disse Eleika.