Natal
Prefeito tentou subornar dois vereadores e uma testemunha, diz MP
Publicado: 12:36:00 - 18/09/2015 Atualizado: 12:48:46 - 18/09/2015
O prefeito de Ielmo Marinho, Bruno Patriota, tentou subornar dois vereadores e o homem que apresentou denúncias à Câmara Municipal sobre supostas fraudes do gestor no município. É o que afirma o Ministério Público. Durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (18), o procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis, e os promotores do Patrimônio Público explicaram como confirmaram o crime por parte do prefeito, alvo da investigação da operação "Resistência".
Ministério Público deu detalhes sobre operação
Segundo Rinaldo Reis, foi o responsável pela denúncia junto à Câmara Municipal que que procurou o Ministério Público para informar sobre a tentativa de suborno por parte do prefeito Bruno Patriota para que ele fizesse a retirada da denúncia, se retratando em cartório. Com aval da Justiça, o MP forneceu equipamentos para que o homem flagrasse o esquema criminoso através de áudio e vídeo.

Junto ao prefeito e um assessor, o homem foi até o escritório onde funcionava parte da administração de Ielmo Marinho, em Natal. Lá, ele recebeu R$ 10 mil reais e saiu acompanhado por prefeito e assessor para um cartório, onde assinou reconheceu firma e assinou documento em que desistia da denúncia. De lá, a testemunha seguiu até o Ministério Público, levando as imagens que comprovaram o crime e o dinheiro recebido como suborno (R$ 10,1 mil).
Dinheiro entregue a testemunha foi recolhido pelo MP e depositado judicialmente
Além da prova da tentativa de suborno por parte do prefeito, dois vereadores prestaram depoimento ao Ministério Público afirmando que também foram alvos do prefeito. De acordo com o MP, os vereadores Sebastião Evilásio e José Roberto Dias disseram que receberam a oferta de R$ 35 mil (cada) para barrarem a investigação na Câmara. Além disso, ainda segundo o MP, o prefeito também teria oferecido duas secretarias (Saúde e Educação) aos parlamentares, com a promessa de que eles poderiam indicar os titulares das pastas e os cargos comissionados. Porém, isso também não ocorreu.

"Os vereadores não aceitaram e denunciaram. O fato de não terem recebido não livra o prefeito do crime de corrupção, porque só o fato de ter oferecido já configura o crime", disse Rinaldo Reis.

Sobre as irregularidades que foram alvos de denúncia por parte da testemunha, o Ministério Público também disse que fará a investigação paralelamente à Câmara de Ielmo Marinho.
Gabinete do prefeito Bruno Patriota foi alvo de buscas
"As denúncias que ele fez foram referentes a compra irregular de combustíveis, locação irregular de carros, uso de tratores em propriedades de aliados, entre outras coisas. É uma investigação que vai transcorrer, com o Ministério Público, com apoio do Gaeco, e também a investigação pelo Legislativo, que é um dever deles", explicou o procurador-geral Rinaldo Reis.

Com o afastamento, o vice-prefeito Francenílson Alexandre assumirá o cargo de prefeito.

Sede

A estrutura mantida pela Prefeitura de Ielmo Marinho em Natal surpreendeu os promotores de Justiça. Segundo o promotor Afonso de Ligório, era praticamente uma nova Prefeitura fora do município que funcionava em um imóvel no bairro do Tirol, na capital potiguar.

"Em 18 anos de Ministério Público, nunca vi algo desse tipo. Tudo era feito lá referente à administração pública, era fechado ao público e estava com toda a documentação, despesas, receitas aqui", disse o promotor.

Nome

De acordo com o promotor Augusto Lima, a operação foi chamada "Resistência" como reconhecimento à postura dos responsáveis pela denúncia contra o prefeito Bruno Patriota. "Foi algo que nos encheu de esperança nas pessoas", disse.


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