Premiado 'La La Land' tem pré-estreia nesta quinta

Publicação: 2017-01-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Por Luiz Carlos Merten
AE

Recordista de indicações deste ano, no Globo de Ouro, La La Land recebeu as sete estatuetas a que concorria, inclusive melhor filme de musical ou comédia, diretor (Damien Chazelle), ator (Ryan Gosling) e atriz (Emma Stone). Mesmo que o prêmio não seja mais um indicador seguro do Oscar - os troféus dos sindicatos são apostas mais promissoras -, você pode ficar certo de que La La Land terá muitas indicações para o prêmio da Academia e, eventualmente, pode até vencer. Hollywood adora musicais. Enquanto o Oscar não chega, La La Land já lidera, com 11 indicações, a corrida pelo Bafta, o prêmio da Academia inglesa. O anúncio foi feito na quarta, 11. Com o subtítulo, no Brasil, de Cantando Estações, La La Land estreia somente dia 19, mas, a partir desta quinta, 12, terá pré-estreias diárias. Não será um circuito tão grande como as 700 salas que vão exibir Os Penetras 2, de Andrucha Waddington, mas você pode anotar que a corrida aos cinemas será grande. Globo de Ouro, Oscar.
DivulgaçãoRyan Gosling vive um músico de jazz que se apaixona pela atriz estreante de Emma StoneRyan Gosling vive um músico de jazz que se apaixona pela atriz estreante de Emma Stone

Esses prêmios são poderosos chamarizes de público. E La La Land é muito bom. O curioso é que, apesar das múltiplas referências a Vincente Minnelli e Bob Fosse, a matriz do musical de Damien Chazelle é europeia - Jacques Demy. Jacques quem? Você sabe. Há um culto a Jacques Demy e a filmes como Os Guarda-Chuvas do Amor e Duas Garotas Românticas. Nos anos 1960, muitos críticos chamavam o lirismo de Demy de mentiroso. Chegaram a transformá-lo num ‘caso’ para justificar a decadência da nouvelle vague.

Há um momento de La La Land em que Ryan Gosling e Emma Stone, depois de se cruzar uma, duas, três vezes, começam a ficar. Ele fala do seu amor pelo jazz. Ela diz que não gosta. Gosling inflama-se. Faz uma defesa da sua paixão. Todo o tema do filme de Damien Chazelle está resumido nessa única cena. Mais tarde, Gosling terá outra discussão com o músico que contrata para integrar sua banda. O jazz carrega esse embate entre tradição e modernidade. Gosling venera os clássicos, mas como se chega aos jovens? E sem os jovens, se os velhos se vão, como se mantém a chama?

Chazelle está falando de jazz, mas também de musical, porque em seu filme também há esse embate entre tradição e modernidade. Ele cita o mestre Vincente Minnelli. Gosling e Emma, depois de uma festa, caminham no alto de um monte, com árvores ao redor. Caminham, mas de repente estão dançando - como Fred Astaire e Cyd Charisse na cena imortal de A Roda da Fortuna, citada por Santiago, o mordomo da família Salles, no documentário de João Moreira Salles. Bem antes disso, a abertura, aquela coreografia no trânsito, evoca Jerome Robbins, Amor Sublime Amor, ou West Side Story. Mas também tem ali algo de Bob Fosse, como as cenas de festa parecem derivadas do Rhythm of Life de Sammy Davis Jr. em Charity, Meu Amor.

Minnelli é referido de novo, mais adiante. An American in Paris, Sinfonia de Paris. A cidade idealizada pelos pintores. A França, onde as pessoas amam jazz. E Jacques Demy, que amava o musical. La La Land reproduz a estrutura de Os Guarda-Chuvas do Amor, Les Parapluies de Cherbourg, que ganhou a Palma de Ouro de 1964. O casal ama-se, mas, às vezes, para conseguir o que querem, as pessoas precisam se separar. A vida é imperfeita, a arte é perfeita, ou pode ser. E, por isso, o primeiro encontro de verdade de Emma e Gosling é encenado duas vezes. Como foi e como poderia ter sido, para que a história fosse perfeita.

Em Whiplash, seu longa anterior, já havia essa busca do artista pela perfeição. Chazelle, como bom americano, acredita na segunda chance. Ele reescreve a frase famosa de Demy (e Michel Legrand, seu compositor). Je vous attendrai toujours, Vou te esperar para sempre. A tragédia de Nino Castelnuovo, na obra-prima de Demy, é que Catherine Deneuve, ao contrário da promessa, não o espera. A frase agora é - Vou te amar para sempre, e é verdade. Um sorriso, um gesto quase furtivo, compensam o que a vida dá, e tira.

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