Presença brasileira no Oscar

Publicação: 2020-01-14 00:00:00
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Postulante brasileiro a uma vaga na disputa de Melhor Filme Estrangeiro – categoria agora denominada Filme Internacional –, o longa “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ficou de fora. Em compensação, o filme “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, concorre como Melhor Documentário ao narrar de forma única (e imagens raras) os bastidores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Créditos: DivulgaçãoEm Democracia em Vertigem, Petra Costa narra os bastidores do impeachment de Dilma RousseffEm Democracia em Vertigem, Petra Costa narra os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff
Em Democracia em Vertigem, Petra Costa narra os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff

“O projeto foi crescendo na minha cabeça. Era preciso voltar à rua, seguir o processo no Congresso, documentar o que estava se passando no País. Só que para isso tive de voltar às greves do ABC. E, filmando os acontecimentos, dei-me conta do isolamento no Planalto Central. Voltei a Juscelino (Kubitschek) e à construção de Brasília. E, nem assim, o filme me parecia completo. Veio o novo processo eleitoral, a candidatura de (Jair) Bolsonaro", disse a diretora ao jornal O Estado de S. Paulo durante o lançamento do longa-metragem em junho de 2019, pela Netflix.

Quem também está no Oscar é o filme “Dois Papas”, do brasileiro Fernando Meirelles. No entanto, o diretor do famoso “Cidade de Deus” não figura em nenhuma categoria. “Dois Papas” conseguiu nomeações apenas em roteiro adaptado, e ator principal e coadjuvante, para Jonathan Pryce e Antony Hopkins, respectivamente. Num histórico do Oscar, produções totalmente nacionais foram indicadas na categoria de Melhor Filme Estrangeiro apenas três vezes, sem sair vencedor em nenhuma. A primeira delas foi com “O Pagador de Promessas” (1962), longa-metragem dirigido por Anselmo Duarte que venceu a Palma de Ouro em Cannes.

Dois exemplares da retomada do cinema brasileiro, nos anos 1990, também estiveram na disputa. Em 1996, “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, concorreu e perdeu para o holandês “A Excêntrica Família de Antonia”. E “O Que é Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto - irmão de Fábio -, perdeu para “Caráter”, na cerimônia de 1998.

Coproduzido por Brasil e França, “Central do Brasil”, de Walter Salles, foi indicado a duas categorias no Oscar de 1999: Melhor Filme Estrangeiro, perdendo para “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni, e Melhor Atriz para “Fernanda Montenegro” - nesta categoria, Gwyneth Paltrow foi a vencedora. E “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, foi indicado a quatro Oscar na cerimônia de 2004: Diretor, para Fernando Meirelles, Roteiro Adaptado, para Bráulio Mantovani, Fotografia, para César Charlone e Edição, para Daniel Rezende. Mesmo aclamada, a produção não levou nenhuma estatueta.

Nos últimos anos, houve as indicações de “O Menino e o Mundo” (2016), de Alê Abreu, na categoria Melhor Animação, e “Me Chame Pelo Seu Nome”, que concorreu a quatro estatuetas e tem entre os produtores o brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features. O documentário anglo-brasileiro “Lixo Extraordinário” foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2011. Mas em 1960, “Orfeu Negro”, baseado em peça de Vinicius de Moraes, levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de ter sido rodado no Brasil e de ser falado em português, o longa dirigido por Marcel Camus representou a França na disputa.






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