Presidente da Colômbia busca diálogo para superar a crise

Publicação: 2019-12-01 00:00:00 | Comentários: 0
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O presidente da Colômbia, Iván Duque, está fazendo uma série de encontros a que deu o nome de Grande Diálogo Nacional (Gran Conversación Nacional, em espanhol). Ele busca de solução para a crise que afeta o país. Representantes de estudantes, de organismos de defesa do meio ambiente e do Comitê Nacional de Paralisação se opõem ao diálogo conjunto com outros setores.

Créditos: Alan Santos/PRIván Duque reuniu representantes de estudantes e do Comitê Nacional de ParalisaçãoIván Duque reuniu representantes de estudantes e do Comitê Nacional de Paralisação
Iván Duque reuniu representantes de estudantes e do Comitê Nacional de Paralisação

Em reunião realizada na Casa de Nariño, sede do governo, ambientalistas afirmaram estar alinhados com o Comitê Nacional de Paralisação que, no dia 26, após mais de três horas de reunião, se recusou a aceitar o Grande Diálogo Nacional e se reunir, por exemplo, com empresários e representantes do Ministério Público. O Comitê exige uma negociação sem intermediários e ressalta que a agenda de diálogo deve girar em torno de propostas da sociedade civil e não da atual política do governo.

“O Movimento Nacional do Meio Ambiente e várias organizações continuam firmes na greve. Viemos ratificar que fazemos parte do Comitê Nacional de Paralisação, não iremos nos dividir”, afirmou Renzo García, líder do Movimento Nacional do Meio Ambiente.

Fazem parte desse Comitê algumas associações de estudantes e sindicatos de trabalhadores, que também se manifestaram de forma parecida. Um acordo com essas entidades será fundamental para frear os protestos e manifestações no país.

A vice-presidente da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, afirmou que o governo fará uma nova reunião com o Comitê e espera que a nova greve geral, convocada para o dia 4 de dezembro, possa ser cancelada. "Obviamente que, neste momento, não podemos ter conversas exclusivamente com eles [do Comitê] ou excluí-los, porque é fundamental que o governo ouça todos os setores", afirmou Ramírez.

A onda de protestos começou na última quinta-feira (21), com greve geral contra o governo de Iván Duque, convocada por sindicalistas, estudantes, professores e indígenas. O presidente do país está há apenas quinze meses no poder e tem 69% de rejeição.

Os protestos generalizados nas ruas da Colômbia provavelmente forçarão Duque a fazer grandes mudanças em sua proposta de reforma tributária, se ele quiser aprovar a lei antes do final do ano. Galvanizados por quase uma semana de protestos e inspirados por outras manifestações na América Latina, os sindicatos estão reivindicando que o governo rejeite o projeto, que inclui cortes de impostos para as empresas, enquanto os partidos de oposição tentam retardar o debate legislativo, na esperança de obter concessões.

O tribunal constitucional decidiu que a lei deve ser aprovada até o final do ano, caso contrário o regime tributário retomará as disposições de 2018. Se Duque não aprovar a reforma ou for forçado a diluí-la drasticamente, ele frustrará os líderes empresariais e os aliados conservadores, para quem o projeto de lei é essencial para manter a classificação de crédito do país e reduzir a dívida.

De início, o governo disse que o projeto de reforma tributária elevaria a receita em cerca de 1% do PIB, aumentaria a confiança dos investidores e impediria um possível rebaixamento das classificações de crédito. "Duque terá de encontrar soluções amigáveis rapidamente, pois a força dos manifestantes cresce à medida que o tempo passa", disse o analista Sergio Guzmán, da Colombia Risk Analysis. Os protestos, na maioria pacíficos, em Bogotá e outras cidades levaram milhares de manifestantes às ruas por questões que vão desde a corrupção até o assassinato de ativistas, passando pela violenta reação da tropa de choque.

Uma das questões que catalisou os protestos foram os rumores sobre planos econômicos desconectados da reforma tributária - entre eles um corte no salário mínimo - que Duque diz não apoiar.

Na terça-feira, Duque tentou apaziguar os críticos acrescentando ao projeto medidas para populações desfavorecidas. Ele sugeriu que um imposto sobre valor agregado poderia ser repassado ao 1/5 dos colombianos mais pobres e aposentados menos abastados poderiam contribuir menos para o sistema de saúde. Essas mudanças "não serão suficientes", disse Guzmán.

Vetar o corte nos impostos empresariais, apoiar um popular corte dos salários do Congresso e aumentar bastante o salário mínimo de 2020 são maneiras pelas quais Duque pode dar provas de que está ouvindo os manifestantes, disse. 

Embora os protestos não tenham atingido o pico dos que vêm ocorrendo nos últimos meses em Chile, Bolívia e Equador, eles podem se intensificar, complicando ainda mais a aprovação do projeto de lei. Antes dos protestos, a Fitch confirmou o rating de crédito da Colômbia em BBB, mantendo sua perspectiva negativa por causa dos "indicadores mais fracos de governança".

Os partidos de oposição já estão incentivando os protestos para prolongar o debate sobre as propostas de Duque, na tentativa de obter mais concessões do presidente. "A oposição pediu ao ministro das Finanças que adiasse a votação e incorporasse as propostas que as pessoas fizeram", disse Katherine Miranda, parlamentar do Partido Verde e membro do comitê econômico da Câmara”, destacou. 





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