'Presidente deve ter firmeza para tomar decisões difíceis'

Publicação: 2018-06-17 00:00:00
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Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o ex-ministro da defesa e pré-candidato à Presidência da República faça sobre articulações políticas e defende que presidente deve ter "firmeza para tomar decisões difíceis". Confira a segunda parte do bate-papo:

Créditos: Magnus NascimentoEx-ministro da Defesa e pré-candidato a presidente da República, Aldo RabeloEx-ministro da Defesa e pré-candidato a presidente da República, Aldo Rabelo

Ex-ministro da Defesa e pré-candidato a presidente da República, Aldo Rebelo

O senhor rejeita aquele projeto de reforma da Previdência do governo, que está tramitando no Congresso Nacional, e definia a idade mínima para aposentadorias?
Isso tudo precisa ser discutido e com a participação dos interessados. Não na “calada da noite” chegar e falar: “Está aqui, a reforma é essa”. Isso vicia, faz com que o peso da reforma seja distribuído de maneira desigual. Vai discutir reforma tributária, se não estiver todo mundo, o que acontece? Quem participar, vai dizer: “Vamos cobrar de quem? De quem não está na reunião”. Então, se não estiver todo mundo na discussão das reformas da Previdência e tributária, termina uma turma se reunindo para se proteger e cobrar imposto de quem não está participando do debate. Todo mundo tem que estar no debate para que definir o peso dessas reformas. Isso vale também para a reforma política. Se não tiver um debate aberto, democrático e transparente, fica difícil.  Eu acho que o governo, o presidente Temer, não sei a razão, e por quais interesses, não quis fazer esse debate e, na verdade, tem um déficit de prestígio, de legitimidade, de apoio. Ficou difícil fazer qualquer reforma.

O senhor disse que a dívida pública é a principal questão do déficit fiscal. Qual é a solução?
Precisa encontrar uma solução para a dívida pública no Brasil. Não só da União, porque há também as dívidas dos estados e dos municípios. Quando essas dívidas foram renegociadas, estávamos em um momento muito difícil. Então, jogaram para cima dos Estados, principalmente dos mais fracos, na região Nordeste, um peso muito grande para o pagamento dessa dívida. Então, tem que ser repactuada, não para dar calote, mas sim para que torne o pagamento possível sem que se cobre o preço muito elevado econômica e socialmente.

Como está a discussão sobre alianças? O senhor admite a possibilidade de abrir mão da candidatura à Presidência para compor uma articulação com outros partidos?
Não, porque o campeonato mal começou. Não se pode começar um campeonato dizendo: “O meu time é candidato a vice”. Não. O meu time é candidato a ser campeão. A pré-candidatura aparece porque nós, eu e o Partido Solidariedade, achamos que o meu nome reúne um perfil para o momento no qual o país atravessa. Precisamos de uma pessoa que tenha experiência política. Eu tenho experiência política. Fui presidente da Câmara dos Deputados, líder do governo, ministro de Estado de quatro pastas diferentes. Precisamos de alguém que tenha firmeza para fazer coisas difíceis em momentos complicados. Precisamos de alguém que tenha capacidade de dialogar e conversar com todo mundo. Eu dialogo com todo mundo. Não tenho vetos em nenhum nível e em nenhum ambiente político no Brasil. Reconheço a legitimidade de todos e acho que tenho condições de unir forças amplas e heterogêneas, que não sejam marcadas só por essa ou aquela ideologia. Precisamos ter forças heterogêneas para tirar o Brasil do atoleiro.

Há alguns partidos com os quais já tem discutido? Com os quais essa conversa sobre aliança está mais evoluída?
Converso com todos os partidos: PT, DEM, PP, PDT, PSB. Claro que, de vez em quando, aparece nos jornais que fui sondado para ser vice. Tudo bem. Mas eu também fiz convites para que outros pré-candidatos possam vir a ser vice na minha candidatura. Mas isso ainda é um processo muito prematuro. Primeiro vamos conhecer, como na Copa do Mundo, quem vai para as oitavas, para as quartas, para semifinais e para finais. Depois disso, vamos saber quais as candidaturas a presidente vão se consolidar ou não.

Desempenho nas pesquisas eleitorais vai ser um dos critérios?
Claro que deve ser. Mas, não hoje. Tem vantagem, neste momento, quem saiu na frente, como na primeira rodada de um campeonato. Os grandes empatam. Um ou outro faz dois a zero ou três a zero. Então, é muito cedo. O campeonato precisa rodar um pouco mais. Estou fazendo um esforço para tornar minha pré-candidatura conhecida, apresentar minhas teses sobre o Brasil e sobre o impasse que nós vivemos. A partir dai, naturalmente, vou tornar o meu nome mais conhecido, porque acho que o país precisa de lideranças que preencham determinados requisitos e determinadas exigências. Meu nome preenche esses requisitos. Preciso fazer o trabalho de torná-lo mais conhecido.

Sem o ex-presidente Lula nas pesquisas, está todo mundo embolado, com um pouco de vantagem de Bolsonaro...
Uma causa dessa pulverização e dessa fragmentação é a ausência  do ex-presidente Lula. Quando Lula era candidato, ele organizava o campo dele com amplas aliança. Tinha muitos partidos de centro e trazia um monte de gente com ele. Então, era uma chapa que tinha partidos de esquerda e de centro. Ele obrigava o outro lado também a se organizar. Tinha um candidato para unir DEM e  PSDB. Quando ele saiu, todo mundo virou terceira via. Agora, no campo mais conservador, saiu a pré-candidatura de Rodrigo Maia, Michel Temer, Guilherme Afif , Henrique Meirelles, João Amoêdo, Flávio Rocha... Todo mundo virou pré-candidato. E no campo à esquerda também surgiram muitas candidaturas. Isso vai ficar até o fim? Não sei. Talvez se reorganizem dois ou três pólos. Mas isso ainda vai ser depois da Copa do Mundo. Ninguém  sabe direito as pré-candidaturas que vão prevalecer. Uma hora se diz “Fulano”, outra que vai entrar “Beltrano”. Mesmo nos partidos grandes, as pré-candidaturas não estão consolidadas, tirando a de Bolsonaro. O PT ainda recorre na Justiça para tentar fazer Lula candidato. Isso tudo exige um tempo para saber direito o que de fato vai acontecer. Agora, o perfil que vai unir forças já está traçado. É o perfil de quem tem a capacidade de articulação, de liderança, experiência política e diálogo amplo na sociedade e nos partidos.

O senhor foi ministro dos Esportes e se fala muito que na época da construção dos estádios da Copa no Brasil houve superfaturamentos e propinas. Como avalia essa questão?
Quem roubou nos estádios, nos hospitais, nas estradas, em qualquer lugar tem que ser punido. Agora não fiquei sabendo que nenhum turista, nenhum jogador de futebol e nenhuma seleção que roubou. Não foi a Copa do Mundo [o problema]. A Copa é um espetáculo do futebol mundial. Aqui estiveram Uruguai, Itália, Estados Unidos... Vieram milhares de turistas e Natal passou a ser um ponto turístico ainda mais conhecido, admirado, querido, respeitado no mundo inteiro. Isso é a Copa do Mundo. Mas, infelizmente, a ladroagem tem em tudo o quanto é coisa, na educação, na saúde, no transporte... Quem roubou precisa ser punido. Agora não venham botar isso aqui na conta da Copa do Mundo porque não conheço nenhum turista, jogador, jornalista, ninguém que participou da Copa e levou um tijolo de algum lugar. Além disso, a Arena das Dunas ainda ficou conhecida como uma das mais bonitas do mundo.