Presidente interina admite vitória do candidato de Evo Morales

Publicação: 2020-10-20 00:00:00
A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, reconheceu a vitória de Luis Arce, candidato à presidência do país com apoio do ex-presidente socialista Evo Morales, em pesquisa de boca de urna. O resultado oficial, no entanto, deve ser publicado apenas nos próximos dias. 

Créditos: JUAN KARITA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOLuiz Arce afirma quer haverá recuperação da estabilidade e a paz social com união dos bolivianosLuiz Arce afirma quer haverá recuperação da estabilidade e a paz social com união dos bolivianos

"Ainda não temos uma contagem oficial, mas pelos dados que temos, o Sr. Arce e o Sr. Choquehuanca venceram as eleições. Parabenizo os vencedores e peço que governem pensando na Bolívia e na democracia", publicou Jeanine em seu Twitter. O levantamento do instituto Ciesmori aponta 52,4% dos votos para Arce, contra 31,5% para o ex-presidente Carlos Mesa, o que configura vitória em primeiro turno. 

Arce, que foi ministro da Economia de Evo, comemorou o resultado em suas redes sociais. "Muito grato pelo apoio e confiança do povo boliviano. Recuperamos a democracia e retomaremos a estabilidade e a paz social. Unidos, com dignidade e soberania", publicou. 

Exilado na Argentina após renunciar à presidência da Bolívia em meio a pressão de militares, Evo Morales cumprimentou o afilhado político pelo resultado. "Minhas mais sinceras felicitações aos irmãos Luis Arce e David Choquehuanca por essa grande vitória, e às autoridades eleitas, Assembleia Legislativa, aos movimentos sociais, aos militantes e simpatizantes do MAS-IPSP, agradeço seu esforço e compromisso com a Bolívia", escreveu.

Pela legislação boliviana, a vitória no primeiro turno está assegurada quando um candidato obtém 50% mais um dos votos ou ao menos 40% da preferência do eleitorado, desde que a vantagem sobre o segundo colocado supere os dez pontos porcentuais. 

Resultados oficiais não estavam sendo divulgados. Para evitar "especulações", a autoridade eleitoral do país resolveu segurar o anúncio para quando a apuração estiver concluída - o que pode levar dias. Arce é do grupo político do ex-presidente Evo Morales, que comandou o país entre 2006 e 2019 e que hoje está asilado na Argentina. 

Com um clima polarizado, a economia enfraquecida por causa da pandemia e temores de uma nova convulsão social, os bolivianos foram às urnas no domingo com os candidatos pregando paz. A eleição presidencial ocorre quase um ano após uma disputa que, com suspeita de fraude, acabou na renúncia do presidente Evo Morales e sua fuga do país. 

A votação, em meio a um cenário de acirramento político, ficou mais tensa poucas horas antes da eleição, quando o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) decidiu que não iria mais divulgar uma apuração preliminar para evitar especulações. 








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