Prestadores de serviços são os mais prejudicados, diz professor

Publicação: 2020-05-31 00:00:00
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Créditos: Alex RégisHedson Costa, especialista em Desenvolvimento e Gestão; Mestre e Professor da Universidade Potiguar (UnP)Hedson Costa, especialista em Desenvolvimento e Gestão; Mestre e Professor da Universidade Potiguar (UnP)

O RN fechou 8.303 postos de trabalho em abril. Qual o impacto desse número para a economia local?
O impacto é muito negativo. É evidente que não se trata de quadro exclusivo do RN. O Brasil registrou aumento do desemprego e uma queda de 1,5% no PIB do primeiro trimestre deste ano. Entretanto, as características do nosso mercado de trabalho potencializam esses efeitos deletérios, uma vez que nossa massa de empregos tem sua maior fatia nas atividades de comércio e serviços, que são setores que concentram as maiores baixas: 2.167 e 3.742 postos a menos, respectivamente. Os prestadores de serviços são os mais prejudicados com as medidas necessárias de afastamento social. O comércio também enfrenta várias dificuldades de funcionamento, como é caso das lojas nos shoppings que ainda se encontram fechados. Esse quadro de aumento no desemprego traz reflexos negativos para todo o conjunto da economia. Sem salários, o trabalhador perde seu poder de compra e, ainda, pode deixar de cumprir eventuais compromissos assumidos para pagamento a prazo. Por outro lado, as empresas que já estão em uma situação delicada em decorrência das medidas necessárias de afastamento social, agravam quedas nas vendas e, consequentemente, redução em seus faturamentos, comprometendo suas atividades e a própria manutenção de seu quadro de empregos.

O senhor acredita que serão necessários quantos meses para que o mercado reabsorva essa mão de obra? E em quais condições ela deverá reabsorvida?
Essa é uma questão crucial para os formuladores das políticas econômicas. Digo isso, porque o saldo negativo de mais de 8 mil postos de empregos fechados é resultado, principalmente, da queda no número de contratações, que saiu de 12 mil em janeiro, para 4 mil contratações em abril de 2020. Num ambiente de incertezas econômicas como é o atual, o empresário não contrata. Ele vai esperar até as coisas ficarem mais claras quanto à situação econômica do País, pós-pandemia. A retomada da economia tem de ser tratada concomitantemente às medidas de enfrentamento da pandemia. Somente com a abertura econômica, as empresas voltarão a contratar. Claro que isso não será algo imediato. Primeiro, porque, por questões de saúde, o quadro não permite uma retomada total nesse momento. Além disso, os consumidores tendem a ficar inseguros quanto à volta ao normal, ficando receosos quanto à uma possível contaminação pela doença. Dito isso, podemos crer que essa melhora no mercado de trabalho vai levar alguns meses para ocorrer. Os economistas falam em melhores perspectivas a partir do quarto trimestre deste ano e início de 2021, considerando que esse processo será acelerado a partir da existência de um remédio ou vacina que seja efetivo contra a Covid-19.

Haverá ampliação da precarização das relações de trabalho diante desse elevado número de desempregados no País?
Assim como a sociedade, as relações de trabalho passam por constantes transformações. Veja que a quantidade de demissões só não foi maior até agora porque com a edição da Medida Provisória 936 se permitiu que empregados tivessem sua jornada de trabalho reduzida, com a redução proporcional de salários, em até 75% (setenta e cinco por cento), ou, ainda, que os contratos de trabalho fossem suspensos por até 60 dias. É preciso destacar que esses empregados que tiveram redução ou suspensão de seus empregos, também tiveram redução em sua renda mensal. Então, a renda disponível não diminui só para quem perdeu o emprego. Para esse outro grupo de trabalhadores, também houve redução na renda. Percebemos que o “novo normal” acelerou as mudanças que já estavam em curso na chamada “economia colaborativa”. O teletrabalho, por exemplo, virou uma realidade que não vai retroceder para os níveis anteriores à pandemia, já que ele traz redução de custos para empresas e maior comodidade para os empregados. Sem abrir mãos de direitos fundamentais do trabalhador, a nova realidade que teremos daqui em diante, exigirá de empregados e empresas mais conhecimento, inovação e flexibilidade para atender as necessidades de uma nova era.




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