PRF apreende carga com 5 mil arribaçãs

Publicação: 2018-09-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Em uma fiscalização na BR-304 durante a madrugada desta quarta-feira (19), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu dois homens que conduziam um veículo transportando cerca de 5 mil arribaçãs. Tanto o veículo quanto a carga apreendida foram encaminhados ao IBAMA-RN (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). De acordo com a assessoria de comunicação da PRF,  a apreensão desta quarta foi a maior desde o início do ano em rodovias federais no RN. Com ela, o número de animais silvestres mortos que foram apreendidos pela PRF (como as arribaçãs, preás, mocós, por exemplo) chegou a 5.365.

O condutor e o passageiro que transportavam a carga assinaram termo de ocorrência. Eles compraram as aves na Paraíba
O condutor e o passageiro que transportavam a carga assinaram termo de ocorrência. Eles compraram as aves na Paraíba

O condutor e o passageiro cometeram crime ambiental conforme lei nº 9.605 e foram submetidos a Termo Circunstanciado de Ocorrência - TCO. De acordo com o artigo 29 da referida lei, comete o crime ambiental em questão, quem mata, persegue, caça, apanha, transporta ou vende espécimes da fauna silvestre.

A apreensão ocorreu por volta das 2h desta quarta, quando Policiais Rodoviários Federais fizeram a inspeção do Ecosport que transportava a carga. O condutor informou que comprou a carga em São Bento, cidade do interior da Paraíba, e pretendia vendê-la em Natal. As aves estavam congeladas, abatidas e acondicionadas em sacos plásticos sem nenhuma precaução sanitária apresentada.

O autor deste crime ambiental está sujeito a uma pena de detenção que varia de seis meses a um ano e multa de R$ 500 por unidade apreendida. O veículo utilizado foi encaminhado ao Ibama, onde ficará durante o seguimento do processo.

Arribaçãs
Também conhecida como avoante, a arribaçã é uma pomba campestre que habita desde a América Central, na região das Antilhas, até a Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul. De acordo com o biólogo Paulo Gerson de Lima, professor da Universidade Potiguar (UnP), a região Nordeste do Brasil é uma das preferidas dessa ave migratória que viaja longas distâncias procurando as condições perfeitas para reproduzir. Ele conta que não há uma época definida de início e fim da migração das arribaçãs, mas que as primeiras movimentações da espécime começam em abril, quando os efeitos das chuvas do início do ano começam a aparecer nessa região do país.

“A migração acontece porque os animais, com sua orientação, buscam locais que fornecerão melhores condições para que eles reproduzam. No local que aterrizam, procuram alimentos e só vão embora quando os ovos que chocaram eclodam e cresçam o bastante para acompanhar o bando para aonde vieram originalmente”, explica.

A precaução com a espécie silvestre não quer dizer que as arribaçãs estejam em extinção. Porém, o professor fala que as medidas estipuladas por lei tentam proteger as espécies silvestres que viajam longas distâncias apenas para reproduzir e que a caça predatória pode significar o seu fim em um futuro próximo.

“A arribaçã não está em extinção. O problema é que a migração desses pássaros é feita apenas para reprodução e a carga predatória interrompe esse ciclo. Embora as barreiras sejam bastante severas, muitas pessoas se arriscam e tentam  efetuar a caça. Pelo quantitativo apreendido, pode fazer diferença num futuro próximo”, analisou.

As arribaçãs, em sua vida adulta, chegam a medir 21 cm de comprimento e possuem o dorso pardo. As aves buscam  regiões próximas a reservatórios de água e que tenham maior incidência de alimentos. Regiões assim são mais propícias e oferecem melhores condições para que os  para receber as aves em processos migratórios.

Números
5.000 arribaçãs foram apreendidas nesta quarta-feira pela Polícia Rodoviária Federal;

5.365 animais silvestres mortos foram apreendidos em rodovias federais do RN em 2018;

74 animais silvestres foram apreendidos vivos em rodovias federais no RN em 2018;

R$ 500 é o valor da multa (por unidade) para quem é pego com animal silvestre (vivo ou morto);

R$ 2,5 milhões é o valor da multa aplicada pelo IBAMA neste caso.




















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