Cookie Consent
Natal
Procura por atendimento pediátrico mantém alta de até 115% em Natal
Publicado: 00:00:00 - 10/05/2022 Atualizado: 21:47:29 - 09/05/2022
A busca por atendimento pediátrico na rede pública de Saúde de Natal se mantém alta desde o final de março, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS/Natal). De acordo com a pasta, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara, a busca pelo serviço aumentou em 115% entre o final de março e começo de abril deste ano. No mesmo período, a demanda cresceu 91% no setor de pediatria da UPA de Cidade da Esperança. A SMS informou que houve uma estagnação nos percentuais, com média diária atual de 220 atendimentos na UPA de Pajuçara e de 180 em Cidade da Esperança.

Magnus Nascimento
Aumento da procura por atendimento a crianças na rede pública começou em março. Viroses e arboviroses são responsáveis

Aumento da procura por atendimento a crianças na rede pública começou em março. Viroses e arboviroses são responsáveis


A Secretaria explicou que o aumento se dá em razão de sintomas relacionados a viroses e arboviroses. Em março, antes do aumento, as unidades de Pajuçara e Cidade da Esperança registravam uma média diária de 102 e 94 atendimentos pediátricos, respectivamente. Nessa segunda-feira (9), mais uma vez a alta demanda era alvo de reclamações por aqueles que buscavam o serviço na UPA de Pajuçara, na zona Norte de Natal.

A TRIBUNA DO NORTE esteve no local pela manhã e constatou que a movimentação de pais que levaram os filhos ao local em busca de atendimento, era intensa. “Ela está há quatro dias com febre ininterrupta e com o olho lacrimejando, além do nariz, que não para de escorrer”, comentou o recepcionista Tassiano Francisco, de 36 anos, pai da pequena Talita, de 1 ano e seis meses.

“Chegamos aqui há meia hora. Nem sei como está lá dentro, mas não faz muito tempo que tinha bastante gente aqui do lado de fora e que foi chamada para atendimento. Várias crianças estavam esperando também”, afirmou o recepcionista, enquanto aguardava a esposa que tinha ido providenciar o atendimento da menina. O professor Josué Alves, de 43 anos, era outro que esperava do lado de fora enquanto a filha se consultava na UPA.

“A gente ainda não sabe se ela está com dengue, mas provavelmente é uma gripe, porque observamos uma presença muito forte de catarro”, disse.

 A alta demanda na manhã da segunda também era registrada na UPA de Cidade da Esperança, na zona Leste da capital. A diarista Marinete Vicente, de 38 anos, levou a filha, Maíra, para refazer exames. A menina foi diagnosticada com dengue na quinta-feira passada. “O médipediu novos exames, que ela faz no sábado. O resultado foi de que as plaquetas estavam baixas, por isso, retornamos hoje [segunda-feira], para uma nova coleta”, relatou Marinete.

De acordo com a diarista, ela e a filha chegaram à UPA por volta das 7h30, mas o exame só foi realizado por volta das 9h. “Não precisei passar nem na sala do médico, porque já estava com a requisição. Fui direto para a triagem e depois fiquei aguardando para fazer o exame, mas teve essa demora toda”, reclamou. Por volta das 10h30, Marinete e a filha ainda estavam no local.

“Disseram que o resultado saía em uma hora. Às 10h fui saber se já tinha alguma coisa e nada. Estamos aqui até agora. Lá dentro tem muita gente”, detalhou a diarista .

A autônoma Cristina Matias, de 44 anos, esperava há quase 4 horas com a enteada para receber o resultado de um exame que iria comprovar se a menina estava ou não com dengue. “Cheguei aqui por volta das 7h. Ela [a enteada] foi atendida por volta das 9h”, descreveu Cristina.

A SMS Natal disse que trabalha atualmente com 10 pediatras durante o dia e 11 à noite, para tentar suprir a demanda. A pasta informou, ainda, que houve ampliação de escala médica. “Além das quatro UPAS com funcionamento pediátrico 24h, Natal ainda tem mais duas UBS com assistência pediátrica 24h – UBS Brasília Teimosa e Unidade Mista de Mãe Luiza. A SMS/Natal pede que os pais, ao procurarem atendimento pediátrico, levem cartão SUS, comprovante de residência e documentos da criança”, informou.

Segundo a SMS, a média diária na UPA Potengi atualmente é de 180 atendimentos; em Brasília teimosa são 50/atendimentos/dia; em Mãe Luiza, são 53. A pasta não disse, contudo, se houve aumento nesses locais.

Unidades privadas também enfrentam lotação
A alta procura por serviços pediátricos não se restringe apenas à rede pública de saúde de Natal. Na rede privada, a situação também tem se mostrado caótica. No Hospital Rio Grande, o diretor da unidade, Luiz Roberto Fonseca se envolveu em um tumulto na noite do sábado (7), por conta de uma suposta morosidade no atendimento.

As imagens da confusão, que circularam na internet, mostram Luiz Roberto Fonseca agarrando o pescoço de um homem que acompanhava a filha no hospital e teria proferido xingamentos a funcionários do local no momento em que o diretor da unidade chegou e interveio em defesa dos profissionais da unidade.  O homem se exaltou e entrou em luta corporal.

Nas imagens, Fonseca agarra o pescoço do homem, enquanto outras pessoas no local tentavam apartar a bri-ga. O Hospital Rio Grande divulgou uma nota informando lamentar o ocorrido e esclareceu que “o acompanhante de um paciente encontrava-se visivelmente alterado, fora do seu comportamento normal, ameaçando funcionários e provocando riscos para si, para a equipe de saúde e para os demais clientes”.

Ainda na nota, a unidade frisou que “diante do fato e do difícil diálogo, a direção precisou intervir para estabelecer a capacidade de atendimento do hospital, que ficou paralisado temporariamente devido às reações agressivas apresentadas pelo acompanhante”. Na segunda da semana passada, o Hospital suspendeu os atendimentos na pediatria por duas horas, em razão da demanda. Já nessa segunda-feira, o hospital informou ue o setor continuava “bem cheio”, mas não deu detalhes da situação.

Na Unimed, o cenário é de uma demanda significativa, mas de “situação sob controle”, conforme informações da assessoria de imprensa. “No momento, a situação está sob controle, apesar da demanda ainda ser maior que a média mensal”. Na semana passada, a Unimed informou que a média diária de atendimentos na pediatria, que normalmente é de 100 a 150 consultas, estava ultrapassando as 250. A Unimed explicou que, para tentar dar vazão à demanda, um ambulatório foi aberto em Nova Parnamirim,  com pediatras disponíveis diariamente, de segunda a segunda, das 7h às 18h.

“Também foi aberto um Pronto Atendimento virtual, que pode ser acessado por meio do novo 'App Unimed Natal Cliente'. O Pronto Atendimento Virtual funciona 24h para realizar as orientações necessárias”, explicou a Unimed.

Aumento de casos é “sazonal”, diz infectologista
A alta no número de arboviroses e de síndromes gripais que tem pressionado os serviços de saúde da capital tem como fator principal a sazonalidade, de acordo com especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE. “As arboviroses, por exemplo, se apresentam muito no período de chuva e pós-chuva. Quando chove, há uma proliferação alta de mosquitos e isso vai favorecer o surgimento de doenças como a dengue, que é prevalente na nossa região”, explicou a infectologista Marise Reis.

“A questão da sazonalidade também está ligada às viroses. Com as chuvas, aumentam os casos de gripe e diarreia. São doenças veiculadas ou por alimento e água – com maior chance de contaminação nessa época do ano, nos casos de diarreia – ou porque tem sua transmissão facilitada, já que as pessoas ficam mais aglomeradas, no caso da gripe”, complementou a infectologista.

O fato de muitas crianças estarem sendo acometidas por dengue, segundo a especialista, pode indicar que os focos do vetor (o mosquito Aedes aegypti) estão dentro de casa ou muito próximo. “É a questão da exposição. Se tem muitas crianças adoecendo, significa que, provavelmente, os focos estão no domicílio onde elas vivem. Isso pode ser um fator determinante”, explica Marise Reis. 

Sobre a alta procura pelos serviços pediátricos, a infectologista esclarece: “As crianças podem ter uma expressão maior [de sintomas]. E numa carga tão alta de dengue, o volume que aparece é o mais sintomático. Muita gente adulta adoece e não vai para os serviços de saúde”, afirma.

Em relação às viroses, além da sazonalidade, outro fator que pode estar ligado ao aumento de casos é o convívio das crianças na escola, segundo a pediatra Mônica Lopes. “O fato de a criança ficar muito isolada em casa durante a pandemia, pode ter contribuído para a redução de casos nesses dois últimos anos, os quais voltaram a explodir agora. No momento, a criança está na escola todo dia, onde faz contato e acaba contaminando outras”, pontua a médica.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte