Produção de carros crescerá

Publicação: 2021-01-17 00:00:00
Circulando

Como acontece  todos os meses, a Anfavea, Associação Nacional  das Fabricantes de Veículos Automotores), promoveu sua coletiva de imprensa, dia 8 do mês em curso, para informar e discutir os resultados da indústria automotiva nacional no ano passado e apresentar as projeções para 2021. Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, comandou a reunião e destacou o empenho do setor para vencer as dificuldades impostas pelo coronavírus.

Ele lembrou que juntamente com fornecedores e distribuidores, as montadoras trabalharam para equacionar o equilíbrio da cadeia de produção, enfrentando obstáculos logísticos para atender a área de manufatura e às solicitações da rede de concessionárias. Como resultado, o estoques de carros nas montadoras e revendas chegaram ao menor nível da história do setor, suficientes para atender apenas 12 dias de vendas (pelo ritmo de dezembro de 2020), provocando prazos de entrega dilatados de até 30 a 60 dias de espera e preços elevados.

Projeções para 2021
Pelos prazos da Anfavea, a indústria automotiva produzirá 2.520.000 veículos este ano, sendo 2.380.000 de leves e 135.000 pesados (caminhões e ônibus), o que representará um avanço de 25% sobre 2020.

Deverão ser comercializadas no País 2.370.000 unidades (um aumento de 15% em relação a 2020. 

As exportações poderão passar de 324.000 unidades em 2020 para 353.000 unidades no ano em curso (mais 9%).

Aumento do ICMS
Um dos destaques negativos apresentados na reunião como retrocesso para o setor foi o aumento do ICMS decretado pelo de São Paulo em dezembro, que passa a valer a partir de do próximo dia 15 do mês em curso.  Para veículos novos as alíquotas chegarão a 13,3%. Para os automóveis seminovos e usados o efeito dos cálculos levará a um acréscimo de 207% no ICMS a pagar.

Luiz Carlos Moraes, fez duras críticas à majoração do ICMS promovida pelo governo paulista, que eleva o tributo sobre carros novos de 12% para 13,3% na próxima semana e para 14,5% em abril. No caso de carros seminovos e usados, o cálculo é diferente, a alíquota de 18% é aplicada sobre um percentual do valor de venda, que cresceu 207%, de 10% para 30,7%, o que motivou também manifestações contrárias das lojas.

Moraes aponta: a medida do governo de São Paulo, contribuiu para piorar o “caos tributário nacional”, eleva custos e representa uma nova ameaça à lenta recuperação que o setor vem registrando nos últimos meses após ser duramente afetado pelo coronavírus.

A cobrança maior em São Paulo também deverá estimular as buscas por alternativas para comprar CARROS pagando menos imposto em outros Estados, nos quais o ICMS segue menor (é no Norte  e Nordeste e 12% nas demais regiões). Moraes afirma que, ao menos até agora, nenhum outro Estado comunicou elevação do tributo.

Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, ligado ao segmento de veículos pesados, lembrou que qualquer elevação de tributos promove a alta da inflação nacional de forma indireta, pela via do aumento dos preços dos “fretes” das mercadorias transportadas por caminhões em todo do o País, ou no encarecimento das tarifas de ônibus. “Quem comprar os carros mais caros vai repassar isso aos preços de seus serviços. É um impacto que não estávamos esperando. O certo seria manter a carga inalterada até o mercado se recuperar da crise”, avalia o executivo.

Carlos Moraes, por seu turno, argumentou ainda, que a significativa majoração da tributação aos carros seminovos e usados também prejudica as vendas de NOVOS.          

“O carro seminovo e usado é a base de entrada do OKM, por isso, qualquer aumento afeta toda a indústria automotiva. Com esse aumento, um carro seminovo ou usado de R$ 50 mil, que pagava R$ 900,00 de ICMS, agora paga mais de R$ 2.700,00. Isso é muito”. Argumentou o dirigente.





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