Produção de petróleo cai 32,7% no RN

Publicação: 2019-06-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

A produção de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte caiu 34,46% entre os anos de 2010 a 2018. Dos 60,6 mil barris do mineral extraídos diariamente ao longo do mês de dezembro de 2010, o quantitativo reduziu para 40,7 mil no mesmo mês do ano passado. Em relação ao gás natural, a queda registrada na mesma base de comparação foi ainda maior: dos 1,6 milhões de metros cúbicos produzidos a cada dia de dezembro de 2010, o volume reduziu para 924 mil metros cúbicos diários no último mês de 2018. A falta de investimentos da Petrobras, maior produtora de petróleo e monopolizadora da extração de gás natural no Estado, é apontada como a principal causa do recuo da produção ao longo dos anos.

Campos maduros no Rio Grande do Norte estão sendo vendidos pela Petrobras à iniciativa privada
Campos maduros no Rio Grande do Norte estão sendo vendidos pela Petrobras à iniciativa privada

“Isso é falta de investimentos da Petrobras no Estado. São investimentos em perfuração de poços que não estão existindo, por exemplo. Há uma série de coisas, na realidade, que não estão sendo feitas. Não houve um investimento sistemático para manter e ampliar a produção. Faltou um olhar para a perfuração de novos poços e intervenção nos velhos com substituição de maquinário e ampliação do número de sondas”, analisa Fernando Lucena, presidente do Sindicato das Empresas do Setor de Petróleo, Gás e Combustíveis do Estado do Rio Grande do Norte (Sipetro/RN).   Os números analisados constam no portal da transparência da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e são referentes ao total produzido nos meses de dezembro dos anos em referência.

Em atuação no Rio Grande do Norte desde 1951. O primeiro campo descoberto foi o de Ubarana, na costa de Guamaré, em operação desde 1976.  A Petrobras montou, ao longo de décadas, uma das maiores estruturas de exploração de petróleo em terra do Brasil no Estado. Há uma década, pelo menos, a produção de petróleo e gás natural vem sucumbindo no Estado. Milhares de empregos foram cortados nas regiões Central e Oeste, onde se concentram a maioria dos poços. Nos anos em questão, a Petrobras concentrou investimentos em áreas como o Pré-sal, que responde hoje por mais da metade da produção de petróleo do país. Nesse ínterim, se viu mergulhada no maior escândalo de desvio de recursos da história do Brasil, a Operação Lava Jato, que a forçou a reduzir investimentos e colocar ativos como campos maduros e refinarias à venda.

“A Petrobras justificava que não tinha dinheiro para investir no Rio Grande do Norte. O dinheiro que tinha seria usado nas pesquisas e investimentos do Pré-sal”, relembra Fernando Lucena. A perspectiva de mudança de cenário e retomada da produção, mas sem confirmação de superação de marcas de produção como a registrada em dezembro de 2010, por exemplo, virá com a retomada dos investimentos nos campos maduros adquiridos pela Potiguar E&P S.A., subsidiária da Petrorecôncavo, que comprou 34 campos em Riacho da Forquilha por US$ 384,2 milhões. Além desse valor, a Petrobras ampliará os investimentos no Rio Grande do Norte a partir do Campo do Pitu, que explorará petróleo no alto mar.

Desinvestimento
As 34 concessões são campos maduros em produção há mais de 40 anos, com ampla dispersão geográfica, localizados a cerca de 40 quilômetros ao sul da cidade de Mossoró. Os campos foram reunidos em um único pacote denominado Polo Riacho da Forquilha, cuja produção atual é de cerca de 6 mil barris de petróleo por dia.

Todas as concessões são 100% Petrobras à exceção dos campos de Cardeal e Colibri onde a Petrobras detém 50% de participação tendo a Partex como operadora com 50% de participação, e os campos de Sabiá da Mata e Sabiá Bico-de-Osso onde a Petrobras tem 70% de participação tendo a Sonangol como parceira e operadora com 30% de participação.

O projeto foi fruto de processo competitivo e faz parte do Programa de Parcerias e Desinvestimentos da Petrobras, estando alinhada ao Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, que prevê a contínua gestão de portfólio, com foco em investimentos em águas profundas no Brasil.

A estatal afirma que as três operações estão em consonância com a Sistemática para Desinvestimentos da Petrobras e alinhadas ao Decreto 9.188/2017, que estabelece o regime especial de desinvestimentos das sociedades de economia mista federais, e ao Decreto 9.355/2018 que dispõe sobre o procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, conforme aplicável.

Produção de Petróleo
Veja abaixo a evolução da produção de petróleo na Bacia Potiguar de 2010 a 2018.

Ano 2010
Petróleo:    60.628 bbl/d
Gás natural:    1.666 Mm³/d
Produção total:     71.108 boe/d

Ano 2011
Petróleo:     60.515 bbl/d
Gás natural:    1.240 Mm³/d
Produção total:    68.316 boe/d

Ano 2012
Petróleo:     61.502 bbl/d
Gás natural:     1.624 Mm³/d
Produção total:     71.716 boe/d

Ano 2013
Petróleo:  60.402 bbl/d
Gás natural:    1.460 Mm³/d
Produção total:    69.585 boe/d
Campos produtores:    83
Canto do Amaro teve o maior número de poços produtores:    1.109.

Ano 2014
Petróleo:     58.084 bbl/d
Gás natural:    1.298 Mm³/d
Produção total:     66.247 boe/d
Campos produtores:     84
Canto do Amaro teve o maior número de poços produtores:     1.110.

Ano 2015
Petróleo:     59.438 bbl/d
Gás natural:   965 Mm³/d
Produção total:    65.510 boe/d
Campos produtores:    83
Canto do Amaro teve o maior número de poços produtores:     1.044.

Ano 2016
Petróleo:    52.668 bbl/d
Gás natural:    1.057 Mm³/d
Produção total:     59.319 boe/d
Campos produtores:    78
Campo de Estreito teve o maior número de poços produtores:     1.103

Ano 2017
Petróleo:   44.332 bbl/d
Gás natural:    1.003 Mm³/d
Produção total:     50.642 boe/d
Campos produtores:    79
Campo de Estreito teve o maior número de poços produtores     1.102

Ano 2018
Petróleo:    40.789 bbl/d
Gás natural:  924 Mm³/d
Produção total:     46.602 boe/d
Campos produtores:    83
Campo de Estreito teve o maior número de poços produtores:     1.124





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